Capítulo 37

920 Palavras
Iris González Eu não sabia o que fazer. Como deveria lidar com tudo o que Domenico me disse? As palavras dele ainda ecoavam na minha mente, como um golpe que me atordoou e me deixou em um estado de incerteza. Ele disse que a máfia fazia parte da vida dele, que ele era o irmão do capo da Carbone, e mesmo que tivesse me jurado que jamais faria m*l a mim, como eu poderia simplesmente ignorar o que ele me revelava? Como eu poderia ignorar o que isso significava para a minha vida e para a minha segurança? Eu sentia como se estivesse perdida em um mar de sentimentos contraditórios. Por um lado, havia o medo, o receio de me envolver com alguém tão profundo na escuridão, mas, por outro, havia algo mais forte: a atração por Domenico, a conexão que ele havia criado comigo. O cuidado com que ele sempre se aproximou, a maneira como seus olhos brilharam quando olhou para mim, o sorriso que sempre esteve ali quando ele estava perto. Eu não sabia mais o que era real e o que era um reflexo da minha própria necessidade de carinho e afeto. Naquele momento, quando eu fechava os olhos, podia ver seu rosto. Eu podia lembrar de como ele me fazia sentir segura, me fazia sentir como se tudo fosse possível, como se nada de r**m fosse capaz de nos atingir. Eu sentia como se tudo o que eu desejava fosse continuar vivendo aqueles momentos com ele. Nada mais importava. Eu não queria me afastar dele. Eu não queria perder a chance de viver algo verdadeiro, algo que parecia maior do que tudo o que eu já havia experimentado. Mas o que ele me disse… a máfia, a sua vida secreta, tudo aquilo parecia um pesadelo. Como ele poderia estar tão próximo de mim, mas, ao mesmo tempo, tão distante? Como eu poderia lidar com a ideia de que ele era alguém que eu não sabia tudo? Que ele estava envolvido em algo tão perigoso e imoral? Eu respirei fundo, tentando organizar meus pensamentos, mas, em vez disso, o que veio à minha mente foi uma sensação de angústia. Eu queria correr para ele, sentir seu abraço, ouvir sua voz suave me tranquilizando, mas, ao mesmo tempo, a distância entre nós parecia cada vez maior. Ele estava me dizendo a verdade, e eu não sabia como reagir. Ele havia me mostrado o lado mais sombrio de sua vida, algo que eu nunca imaginaria, e o mais difícil era que eu não podia simplesmente ignorar. Eu olhei pela janela do meu quarto. O céu estava nublado, e a chuva caía como uma cortina de água que parecia selar a distância entre mim e ele. Mas, ao mesmo tempo, algo em mim queria correr até ele, buscar o conforto nos braços dele, dizer que eu acreditava nas palavras que ele havia me dito. Eu queria acreditar que ele estava sendo sincero quando disse que nunca faria m*l a mim. Mas havia algo me impedindo. Algo profundo e assustador. O que eu não sabia era se eu estava me preparando para uma dor ainda maior ou se estava me entregando a algo que não tinha volta. Eu queria confiar nele, mas, ao mesmo tempo, eu tinha medo do que isso significava para mim, para minha segurança, para o futuro que eu poderia ter. Eu preciso de tempo. Mas o que isso significava? Eu realmente poderia me afastar dele, sabendo que o que sentíamos estava crescendo? Eu realmente poderia viver sem ele depois de tudo o que ele me fez sentir? Eu me sentei na beirada da cama e olhei para o telefone, hesitando. Eu sabia que poderia mandar uma mensagem para ele, que poderia fazer tudo voltar a ser como antes, mas algo me dizia que não seria tão simples. Eu precisava entender o que estava acontecendo comigo, o que eu queria para mim mesma. Eu precisava pensar. Meu coração acelerou quando vi o nome de Domenico na tela do celular. A mensagem dele havia chegado. "Espero que esteja bem. Estarei aqui quando quiser conversar." A mensagem foi como uma corda apertando meu peito. Ele estava tentando se comunicar comigo, tentando saber como eu estava. Mas seria esse o caminho certo? Eu não sabia. Eu queria mais do que isso. Queria mais do que simples palavras. Eu queria um futuro com ele, mas como poderia ter isso quando a verdade estava nos separando? Eu respirei fundo e decidi responder. "Eu só preciso de um tempo." Não demorou muito para ele responder. Eu estava nervosa, meu dedo trêmulo ao apertar o botão para ver a resposta. "Eu entendo. Eu nunca quis te assustar, Iris. Sei que as coisas podem parecer difíceis, mas saiba que você é o mais importante para mim. Não quero te perder. Eu só quero que você entenda o que eu sou, quem eu realmente sou." As palavras dele foram como uma faca em meu peito. Ele estava sendo honesto. Ele estava me dizendo o que precisava ser dito. Mas será que eu era forte o suficiente para lidar com isso? Será que eu conseguiria suportar a verdade de que Domenico fazia parte de algo tão perigoso? Como eu poderia continuar com ele sabendo disso? Eu me levantei e caminhei até a janela, observando a chuva lá fora. Ela parecia um reflexo do que eu estava sentindo. Mas, no fundo, eu sabia que nada poderia me afastar dele. Nada poderia fazer meu coração parar de bater por Domenico.
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