Capítulo 12

1113 Palavras
Domenico Ricci O som dos meus passos ecoou pelos corredores da sede da máfia Carbone. O edifício, um misto de antigo e imponente, continuava a ser o coração pulsante das nossas operações. O ar estava denso com a expectativa de mais um dia de decisões, e ao entrar na grande sala de reuniões, vi todos os membros à mesa, esperando por mim. O ambiente estava carregado de um silêncio respeitoso, como sempre, mas a tensão no ar era palpável. A sala, com suas paredes de madeira escura e o grande lustre de cristal no centro, refletia a magnitude de tudo o que representávamos. Eu sabia que o peso da responsabilidade estava sobre os meus ombros, agora mais do que nunca. A reunião precisava começar. — Bom dia, todos — falei, minha voz firme, fazendo todos se levantarem e erguerem as mãos, prontos para o juramento de lealdade. Sempre começávamos assim. A união e o sangue que corriam em nossas veias eram mais importantes do que qualquer outra coisa. — Pela honra da família Carbone, pela lealdade, pelo sangue e pelo sacrifício. Que nossos inimigos caiam e nós continuemos a reinar. Que nossas ações sejam implacáveis e nossa unidade invencível. O juramento ecoou pela sala, e ao término, todos seguiram para seus afazeres. Eu segui para meu escritório e dei início à minha rotina. A agenda do dia estava repleta de detalhes operacionais. A Carbone não era apenas uma máfia; era uma máquina complexa, e eu precisava garantir que tudo funcionasse de maneira fluida. Os papéis começaram a circular, contratos sendo assinados, relatórios sendo analisados. Luca estava ao meu lado, com o olhar atento, pronto para lidar com qualquer eventualidade. Enquanto ele tomava conta dos detalhes mais rápidos, eu me concentrava nas questões mais complicadas. O trabalho era árduo, mas necessário. O silêncio reinava enquanto eu passava de um documento para o outro, mas então, uma batida na porta me fez erguer o olhar. — Entre — disse, sem desviar a atenção do que estava fazendo. Mas algo no tom da batida me fez levantar uma sobrancelha. A porta se abriu, e Ricardo entrou. Ele estava diferente. Normalmente, seu porte era firme e seguro, mas hoje, seus passos pareciam hesitantes. Ele olhou para mim, e o nervosismo era evidente. — Capo, tem um momento? — perguntou ele, quase vacilando nas palavras. Eu assenti, o desconforto de Ricardo me deixando alerta. Isso não era normal. Algo estava errado. — O que aconteceu? — perguntei, minha voz profunda e direta. Ricardo se aproximou, colocando uma pasta sobre a mesa. Ele parecia hesitar ainda, como se estivesse ponderando o impacto do que tinha a dizer. — Eu… eu encontrei algo que precisa da sua atenção — disse ele, claramente tentando encontrar a forma de apresentar o que parecia ser uma informação sensível. Eu olhei para ele por um momento, minha desconfiança crescendo. Não havia tempo para rodeios. — O que está acontecendo, Ricardo? — falei, sem mais paciência. Ele puxou os papéis e começou a explicá-los, sua voz agora mais firme, embora ainda visivelmente tensa. — Eu encontrei informações que apontam para um aumento significativo no número de imigrantes irregulares chegando à cidade. Mas isso não é tudo. Eu acho que há algo muito mais grave acontecendo. Uma rede de tráfico humano. Pessoas estão sendo trazidas para cá, exploradas e forçadas a trabalhar para facções criminosas. A primeira reação que tive foi de incredulidade. Tráfico humano? Eu nunca imaginaria que algo assim surgisse. Era um problema que, até aquele momento, nunca tínhamos lidado. E era um tipo de negócio que a Carbone sempre recriminava, isso era sujo demais. Eu olhei para Ricardo, esperando mais explicações. — Tráfico humano? — repeti, tentando processar o que ele dizia. — Como você chegou a essa conclusão? Ricardo, um pouco mais calmo, começou a apresentar os detalhes. Ele explicou que, nos últimos meses, o número de imigrantes ilegais havia subido consideravelmente, assim como havíamos notado. Mais do que isso, havia fortes indícios de que esses imigrantes estavam sendo forçados a trabalhar em condições desumanas, sem receber quase nada em troca. As suspeitas, conforme o relatório, estavam começando a se consolidar: grupos criminosos, possivelmente até facções rivais, estavam se aproveitando dessa situação. Eu fiquei em silêncio por alguns instantes, digerindo a informação. Isso nunca tinha sido parte de nosso domínio, e o simples fato de estar diante de uma nova ameaça tão complexa mexeu com a base de tudo o que a Carbone representava. Nosso império sempre foi construído sobre tráfico de drogas, armas e até extorsão, mas tráfico humano? Era algo que sequer tínhamos considerado. — E quem está por trás disso? — perguntei, tentando entender as implicações. Ricardo, aliviado por minha reação mais focada, continuou a explicar. Ele indicou os locais onde o tráfico estava se concentrando: fábricas abandonadas, terrenos vazios e até algumas construções clandestinas. Ele também mencionou que havia uma conexão com facções criminosas locais e até algumas suspeitas sobre a participação de grupos fora da cidade. — Estamos apenas começando a juntar as peças — disse Ricardo, mostrando-me mais dados. — Mas é claro que precisamos de mais informações. Não podemos tomar nenhuma atitude sem saber mais. Aquelas palavras me atingiram com força. Não apenas pela gravidade da situação, mas pelo fato de que tínhamos algo novo para enfrentar. A Carbone, até então, não tinha lidado com isso, e agora, tínhamos que agir com rapidez. Eu olhei para os papéis e depois para Ricardo, tomando uma decisão. — A investigação precisa ser mais aprofundada. Quero que você e sua equipe investiguem cada detalhe. Isso não pode ser ignorado. Ricardo assentiu com rapidez, pegando anotações enquanto eu refletia sobre o que precisava ser feito. Esse tipo de atividade não apenas sujava nossos negócios, mas também poderia trazer uma repercussão que poderia enfraquecer a Carbone. — Você vai precisar de ajuda — continuei. — Luca, reúna os membros mais experientes em inteligência e infiltração. Vamos precisar de todas as informações antes de tomarmos qualquer decisão. Luca acenou em sinal de aprovação e saiu para buscar os outros membros. Eu fiquei na sala, pensando sobre o peso da situação. Eu não tinha escolha. A Carbone precisava lidar com essa ameaça com a mesma eficiência com que lidávamos com qualquer outra. No fim da conversa, enquanto Ricardo saía do escritório atrás de Luca, eu me senti sobrecarregado com a responsabilidade. O tráfico humano era uma linha vermelha, e nós não podíamos nos permitir deixar que isso tomasse proporções maiores. Eu olhei pela janela do escritório, observando a cidade lá fora. Pessoas inocentes estavam sendo exploradas, e a Carbone não poderia permitir que isso continuasse. Era hora de agir. Implacavelmente. Como sempre.
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