Capítulo 33

1187 Palavras
Iris González O relógio na parede parecia zombar de mim. Eu já havia olhado para ele três vezes em menos de dez minutos, e ele continuava a sua marcha lenta, impiedosa, como se tivesse todo o tempo do mundo. Eu não sabia como lidar com isso. Era só um encontro, algo simples, mas para mim, parecia uma grande responsabilidade. 19h. Só faltavam algumas horas, mas parecia uma eternidade. A verdade era que a palavra “nervosa” não chegava nem perto de descrever o turbilhão de emoções que me consumia. Respirei fundo e me afastei do espelho pela segunda vez, fazendo uma leve careta ao me olhar. Eu tentava me acalmar mas eu não sabia nem por onde começar. A ideia de me arrumar para ver Domenico já me deixava inquieta, mas o problema não era o vestido, o cabelo ou a maquiagem. O problema estava dentro de mim, nas borboletas que estavam batendo no meu estômago. Eu não sabia como lidar com a expectativa de algo que eu não entendia completamente. O que ele pensaria de mim? O que eu esperava dele? E, ainda mais importante, o que eu esperava de mim mesma? Passei os dedos pela barra do vestido, tentando alisar as pequenas imperfeições que meu olhar criava na tentativa de encontrar falhas. Ele era leve, florido, o típico vestido que eu usava em Peralta. Não era o tipo de vestido que usaria para impressionar alguém, mas era confortável e… eu me sentia bem nele. Era uma escolha segura, algo que me conectava à minha essência, sem abrir mão da sensação de que ainda queria estar bonita, queria estar à altura do momento. A parte mais difícil, no entanto, não foi escolher o vestido, mas decidir o que fazer com tudo o que estava se passando dentro de mim. Indo para o cabelo, eu os deixei soltos, porque, de alguma forma, isso parecia mais fiel ao que eu realmente era. Eles passavam alguns dedos da minha cintura e assim que passei um óleo desfazendo alguns cachos mais definidos aumentaram ainda mais. Mas, ao mesmo tempo, o nervosismo me fazia olhar várias vezes para o espelho, sentindo que talvez eu devesse fazer além . Deveria ter colocado um pouco mais de esforço, mas isso me incomodava. Eu não queria parecer forçada mas não queria perder minha identidade. Alem disso, ainda tinha a maquiagem. Se eu fosse ser honesta, nunca foi algo que eu havia me importado antes. Minha rotina era simples demais, então, a ideia de estar usando algo além de blush me parecia estranha. Mas, para esse momento, pensei que talvez fosse bom dar um toque a mais, porém ainda sutil. Um pouco de rímel para dar um destaque nos olhos, um pouco de blush mais queimado para trazer saúde e a sensação de um bronze, e, por último, um gloss. Suspirei e olhei para meu reflexo uma última vez, tentando me convencer de que estava bem. Mas nada era o suficiente. Sempre faltava algo. Os minutos continuavam a passar lentamente, cada segundo mais pesado que o anterior. O que eu estava fazendo? Era só um jantar. Eu nem sabia se seria mais que isso. Não, na verdade, eu não sabia nada. Nada sobre o que ele pensava, nada sobre o que ele esperava. O que eu sabia, com certeza, era que a ansiedade estava consumindo minha mente de uma forma que eu não poderia controlar. Com um suspiro, decidi que era hora de sair. O encontro seria na praça perto do restaurante onde eu trabalhava, e eu queria chegar um pouco antes. Eu sabia que ele seria pontual, que ele esperaria por mim, e esse pensamento me fez sentir um pouco mais segura. Eu não sabia o que esperar dele, mas uma coisa era certa: algo em meu peito estava começando a aquecer, e não era só pelo nervosismo. Eu queria ver Domenico. Eu queria ver o que aconteceria quando estivéssemos juntos, quando finalmente nos encontrássemos longe da rotina que até então parecia nos cercar. Caminhei pela rua, os passos firmes mas rápidos, tentando não pensar demais. Eu me sentia como se estivesse flutuando, mas ao mesmo tempo com um peso enorme nos ombros. Eu não estava com pressa, mas ao mesmo tempo, queria que o tempo se apressasse. Domenico me fazia sentir assim. Ele tinha esse efeito sobre mim. E a sensação que isso me dava era estranha e doce, ao mesmo tempo. Quando cheguei à praça, tudo parecia tranquilo. As árvores estavam suaves ao vento e as luzes da rua iluminavam o local com uma tonalidade dourada. Mas, ao ver Domenico, minha ansiedade voltou com força. Ele estava ali, perto da árvore, em sua postura relaxada, mas com aquele olhar atento que parecia me ver antes mesmo de me aproximar. Por um momento, fiquei parada, observando-o à distância. Algo dentro de mim ficou congelado, os pensamentos borbulhavam na minha mente, e eu não sabia como me comportar. Ele então levantou os olhos e, quando nos encontramos, os segundos pareceram se estender. O mundo ao nosso redor parecia desaparecer, e naquele momento, tudo o que existia era o silêncio que se formava entre nós. Ele me observava de forma tão intensa, com os olhos fixos nos meus, como se estivesse tentando entender algo que eu não sabia explicar. O coração bateu forte no meu peito, e um calor subiu pela minha face. Ele estava ali. Ele estava ali comigo. E eu… eu não sabia o que fazer. Mas então ele sorriu. O sorriso suave que sempre me fazia sentir algo diferente, algo que eu não conseguia definir. Ele veio em minha direção, ainda com aquele sorriso. E, ao se aproximar, ele parou por um momento, olhando-me de uma maneira que eu não sabia como reagir. — Você está linda — disse ele, sua voz carregada de sinceridade, mas com algo a mais. Um calor se espalhou pelo meu corpo, e, por um segundo, eu fiquei sem palavras. — Ah… — consegui sussurrar, minha voz falhando um pouco. Não sabia o que dizer. Como alguém como eu poderia ser vista dessa forma? Eu estava apenas tentando ser eu mesma. — Obrigada. Você também… Ele parecia gostar da minha reação, porque seu sorriso se ampliou. E aquele sorriso, como sempre, me deixou sem palavras. O que ele via em mim? O que ele pensava de mim? Aquela mistura de nervosismo, alegria e insegurança era avassaladora. Ele então deu um passo em minha direção, e eu senti meu corpo reagir instintivamente, como se quisesse me aproximar dele também. — Eu sou grato por você estar aqui — disse ele, com mais intensidade do que as palavras poderiam expressar. — Não imaginava que seria tão difícil encontrar alguém como você. Eu não sabia como responder. O que ele queria dizer com isso? Eu olhei para ele, tentando decifrar o significado por trás de suas palavras. Ele continuou me olhando, e eu sabia que havia algo mais. Mas naquele momento, não precisei entender. Eu só precisava sentir. Ele me fazia sentir. E isso, por mais simples que fosse, já era o suficiente para mim.
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