Capítulo 64

1127 Palavras
Domenico Ricci A casa de Iris estava cheia de vida, risos e emoções que eu jamais esperaria ver em um lugar assim. O calor humano da família dela me envolveu desde o momento que atravessamos a porta, e, mesmo com o peso de um dia tão intenso, eu sentia um alívio imenso no peito. A alegria deles, as lágrimas e os abraços, me fizeram entender o valor profundo daquilo tudo. E eu sabia que, por Iris, eu faria tudo. Sempre. Assim que entramos, Leonor e Dolores, que estavam dormindo na pequena sala, acordaram. Seus olhos brilharam ao ver Iris ali. E logo, como se fosse uma coreografia ensaiada, as três se abraçaram e começaram a chorar, como se o reencontro tivesse finalmente chegado após uma eternidade. Eu podia ver claramente o quanto Iris amava aquelas meninas, como elas eram tudo para ela. Fiquei parado observando, sentindo algo muito forte dentro de mim, algo que eu não tinha conseguido descrever. Vi Iris entrelaçando suas mãos com as delas, e o sorriso dela, tão verdadeiro, me fez esquecer de qualquer preocupação que ainda estivesse em minha mente. — Eu sabia que isso significaria o mundo para você — disse, me aproximando e colocando a mão em sua cintura, meu olhar fixo nela. Ela me lançou um sorriso e deu um beijo suave no meu rosto, agradecendo em silêncio. O momento entre ela e suas irmãs foi como um filme que se desenrolava lentamente, com uma beleza rara. Depois, os pais de Iris se aproximaram, e, com um sorriso emocionado, a mãe falou, com a voz embargada: — Como vocês conseguiram chegar aqui? — Ela olhou para mim, e seu olhar se suavizou. — Estamos felizes, mas… por que vieram? Iris olhou para mim, quase pedindo coragem, e eu sorri para ela, como se a estivesse incentivando a contar o motivo, a revelar a verdade para sua família. Ela suspirou, se levantando do chão onde estava sentada. — Viemos buscar vocês. De agora em diante, todos nós viveremos na Itália. — Iris disse. Dona Mercedes deu um grito de surpresa, e os olhos dela começaram a brilhar com mais lágrimas. O pai de Iris, com a mão no peito, olhou para mim, parecendo um pouco atordoado, mas com um sorriso que denotava o quanto estava feliz. — Como posso agradecer por tudo isso? — Ele me disse, estendendo a mão. Eu apertei sua mão com força, olhando-o nos olhos. — Não precisa agradecer. Eu faria qualquer coisa para vê-los bem. Para vê-la bem — respondi, o sorriso em meu rosto sincero. Iris era o que importava, e fazer a felicidade dela era o meu único objetivo. A mãe de Iris, ainda emocionada, se aproximou de mim colocando a mão no meu braço. — Você trouxe minha filha de volta para nós, e não sei como agradecer. Isso não tem preço. — Eu olhei para ela, sem palavras, porque, na verdade, não havia o que dizer. Tudo que fiz foi olhar para Iris, que estava ao meu lado, e me senti mais determinado do que nunca a cuidar dela. Com os olhos dela brilhando de gratidão, soube que, de alguma forma, eu já tinha encontrado a minha felicidade. Tudo o que eu queria era vê-la sorrir. Logo, as conversas continuaram, a mãe de Iris foi para a cozinha preparar o jantar e eu me vi cercado pelos irmãos dela. Juan e Manuel estavam animados, com as mãos cheias de energia, e logo começaram a me provocar, dizendo que eu tinha que jogar uma partida de futebol com eles. — Você tem coragem de encarar a gente no futebol, Domenico? — Juan disse, com um sorriso travesso no rosto. Eu ri, sentindo a energia deles e o jeito descontraído com que me tratavam. — Vamos ver quem vai ganhar! — Respondi, com o espírito competitivo no ar. Iris, observando tudo do lado de fora da casa, não conseguia esconder o sorriso. Ela estava tão contente, tão feliz por ver a sua família tão animada. A cada movimento deles, eu via o carinho e a cumplicidade entre os irmãos, e, ao mesmo tempo, como ela se sentia acolhida, amada e feliz por estar ali, com todos reunidos novamente. Antes de sairmos para o quintal, Leonor, que havia ficado mais quieta, se aproximou de mim com um desenho nas mãos. Ela me olhou com um ar tímido, mas logo me estendeu o papel com um sorriso no rosto. — Eu fiz isso para você, Domenico. — disse com a voz doce. Eu peguei o desenho delicadamente, admirando o esforço da menina. Era um desenho de meu e de Iris. Estávamos juntos em um campo florido. Leonor tinha um talento natural, e isso me tocou profundamente. — Obrigado, Leonor. Vou guardar com carinho — disse, me ajoelhando para ficar na altura dela e acariciando seus cabelos. Quando me levantei, vi que as crianças estavam já correndo para o quintal, com a bola de futebol nas mãos. Eu não pude resistir, e logo me juntei a elas, com um sorriso no rosto, pronto para entrar na partida. Eu sabia que, para Iris, esse momento era crucial. Para ela, ter a família reunida novamente significava mais do que palavras poderiam expressar. E ali, enquanto jogávamos futebol no quintal, com as crianças rindo e se divertindo, vi que ela estava mais relaxada, mais tranquila. O sorriso dela era impagável. Ela olhava para mim de vez em quando, e eu sabia que ela estava se sentindo em casa. A cada lance, eu me via mais integrado, mais pertencente àquele novo mundo que eu havia escolhido. Quando a partida terminou e as crianças correram para dentro para se preparar para o jantar, Iris se aproximou de mim, abraçou minha cintura e colocou a cabeça no meu peito. — Obrigada — ela sussurrou, com os olhos um pouco marejados. — Eu não sei como te agradecer, Domenico. Isso tudo… me faz sentir completa. Eu sorri, acariciando seus cabelos e apertando-a contra mim. — Eu faria tudo de novo, meu amor. Tudo o que você precisa de mim, e eu estarei aqui. Sempre. Ela olhou para mim, e seus olhos se iluminaram com aquele brilho especial que eu conhecia tão bem. Era a felicidade pura. E, naquele momento, eu soube que, com Iris ao meu lado, o futuro nunca poderia ser mais brilhante. Depois de um dia de tanta emoção, de tantos risos e reencontros, eu sabia que, enquanto ela estivesse feliz, eu estaria completo. E, mesmo com as palavras não sendo necessárias, ela me deu mais das duas. — Eu te amo, Domenico. — falou e eu a abracei. — Eu te amo, Iris. E por você, eu moveria montanhas. — Falei sem hesitar. Ela era a dona do meu coração.
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