Capítulo 42

1051 Palavras
Domenico Ricci Aquela noite foi mais intensa do que eu esperava. Não que eu estivesse surpreso, mas o peso de tudo o que havia acontecido durante o jantar ainda estava muito presente em mim. Dirigindo de volta para casa, a cidade de Turim parecia uma paisagem distante, uma sucessão de luzes e sombras que refletiam meu estado de espírito. Meus pensamentos estavam em Iris. Aquela mulher tinha mexido comigo de uma forma que eu ainda não conseguia compreender completamente. Eu sabia o quanto ela estava hesitante, o quanto ela se preocupava com a família, com as responsabilidades que carregava desde a adolescência. Ela se entregava aos outros de tal forma que m*l conseguia viver para si mesma. Mas, quando ela me disse que estava decidida a ficar ao meu lado, isso me fez perceber o quanto ela estava disposta a lutar por algo que era dela, algo que poderia ser só dela. Isso me deu uma sensação de poder, como se, juntos, pudéssemos enfrentar qualquer coisa. No entanto, minha preocupação ainda estava em como ela estava lidando com tudo isso. Eu sabia que o que estava por vir seria mais complexo do que apenas um simples relacionamento. A máfia, o peso da minha posição, e até mesmo o próprio ambiente onde ela estava vivendo… tudo isso pesava sobre mim de uma forma que eu não podia ignorar. Quando o carro passou pelas ruas estreitas e sombrias que cercavam o prédio onde deixei Iris, meu coração apertou. O prédio parecia um lugar distante da realidade dela, algo que não deveria ser o lar de alguém como Iris. As escadas pareciam ranger sob os pés, as janelas de madeira velha estavam cheias de rachaduras, e a rua estava mergulhada em uma escuridão que, de alguma forma, parecia refletir a vida dela ali. Eu sabia que aquele lugar não era adequado para alguém tão brilhante quanto Iris. Ela merecia algo muito melhor. Eu queria garantir que ela estivesse segura, que nada a assustasse, que ela pudesse se sentir à vontade para tomar as decisões dela, sem pressões. Mas, ao mesmo tempo, não podia agir de forma precipitada. Parei o carro na garagem do meu prédio e, antes de sair, peguei meu celular. Estava claro que algo precisava ser feito. Eu precisava garantir que a vida de Iris fosse mais confortável. Eu não podia simplesmente ignorar o que vi naquela quitinete deprimente, nem podia deixá-la ali por mais tempo. Mas sabia que, se eu tomasse decisões rápidas demais, sem pensar, poderia assustá-la. Iris não era como eu, ela não estava acostumada a viver em um mundo como o meu, e eu precisava respeitar isso. — Luca — minha voz saiu baixa, mas firme. — Lembra do caso do Venâncio e do Aleff? A pausa do outro lado da linha foi curta, mas eu sabia que ele lembrava. Ele sempre foi eficiente com esse tipo de coisa. Não que eu gostasse de lidar com esses assuntos, mas eles eram inevitáveis. — Claro, Domenico. O que você precisa? Eu respirei fundo. Eu sabia o que estava prestes a pedir, mas não havia outro jeito. — Quero saber quanto estão pagando os funcionários do restaurante. Quanto é o salário deles? Luca demorou um momento para responder, e isso me fez pensar em como a vida de cada um deles foi moldada pelas escolhas de pessoas maldosas e sem um pingo de remorso. Mas eu estava mudando isso. — 2500 euros, Domenico. Mas isso é algo que já foi acordado… — Luca parecia ter a intenção de questionar, mas não deixei que ele falasse mais. — Aumente para 5000 euros. Todos os funcionários. E faça isso o mais rápido possível, Luca. — Eu não queria mais demoras. Houve um breve silêncio. Luca sabia o que eu queria e sabia também o que estava em jogo. Não precisava de mais explicações. — Certo. Farei isso agora. Eu desliguei a chamada, sentindo uma sensação de alívio. Por um lado, eu estava começando a tomar as medidas que achava necessárias, mas por outro, o que realmente importava era Iris. Ela não merecia o peso da vida que eu levava, mas ainda assim, ela estava se aproximando de mim. Estava escolhendo ficar comigo, e isso era algo que eu não poderia deixar passar. Com um suspiro, entrei no elevador e subi para o meu apartamento. Quando a porta se fechou atrás de mim, o silêncio me envolveu como sempre. Mas não era o mesmo silêncio de antes. Agora, havia algo a mais. Algo que preenchia o espaço, algo que me dizia que eu não estava mais sozinho. Eu queria mais. Queria muito mais. Para Iris. Para nós. Sentei no sofá e, por um momento, fiquei pensando. O que mais eu poderia fazer por ela? Eu sabia que ela não se importava com o dinheiro, com os luxos, com as coisas que o meu mundo oferecia. Mas, ainda assim, eu sentia que ela merecia algo mais. Não só para ela, mas também para sua família. Ela merecia viver sem se preocupar com os problemas que a acompanhavam o tempo inteiro. E eu estava disposto a dar isso a ela. Ela havia se tornado a luz na minha vida. Ela me fazia sentir que, finalmente, poderia viver em paz. Ela não queria ser tratada como uma princesa, mas eu a trataria como tal. Se tivesse que mudar o mundo para ela, eu mudaria. Mas primeiro, eu sabia que ela precisava se sentir segura. Segura comigo. Segura com a vida que eu poderia oferecer. E, por mais que eu quisesse agir rapidamente, eu sabia que ela precisava do seu tempo. Não podia apressá-la. Agora, enquanto o silêncio preenchia o apartamento, eu me senti completo. Porque eu sabia que, no fundo, a verdadeira transformação começaria quando ela estivesse ao meu lado, quando ela sentisse que poderia confiar em mim, que poderia se entregar àquele amor que já estava surgindo. A única coisa que eu sabia era que, quando ela estivesse pronta, tudo seria mais fácil. E eu faria tudo o que fosse preciso para que ela não se arrependesse de sua escolha. O que quer que o futuro nos reservasse, eu estava preparado. E sabia que, com Iris, qualquer coisa seria possível. Eu só precisava que ela confiasse em mim da mesma forma que eu confiava nela.
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