Domenico Ricci
Acordei antes dela, como estava sendo ultimamente, mas não resisti a observar Iris enquanto dormia tranquilamente ao meu lado. A noite anterior fora especial, como sempre, mas também marcada por algo mais. Ela estava mais ansiosa que o normal. O plano de viajar para a República Dominicana para surpreender sua família consumia tanto a ela quanto a mim.
Ela finalmente adormecera depois que eu a acalmei com toques suaves e cuidadosos - aqueles que sempre a faziam entregar-se ao descanso. E eu, é claro, aproveitei para contemplá-la enquanto dormia, sentindo um amor tão intenso que quase doía.
Levantei-me em silêncio e fui para a cozinha. Preparei um café da manhã simples, porém especial: croissants quentinhos, suco de laranja e, claro, o café forte que ela adorava. Tudo feito com cuidado, para que o dia começasse da melhor forma possível. Voltei ao quarto com a bandeja e, ao colocá-la suavemente sobre a cama, observei Iris mais uma vez, completamente entregue ao sono.
— Mia vita, acorde — murmurei, inclinando-me para deixar um beijo suave em sua testa.
Ela resmungou, ainda sonolenta, fazendo aquele biquinho irresistível de sempre.
— Dom, mais cinco minutos... — Virou-se para o lado, claramente querendo continuar dormindo.
Sorri e passei a mão por seus cabelos, acariciando sua pele com ternura, até que ela finalmente abriu os olhos.
— Temos que acordar, querida. Estamos atrasados — falei com um sorriso, esperando sua reação.
Ela se mexeu, esfregando os olhos e sentando na cama, ainda com o rosto marcado pelo sono. Olhei para ela com carinho, meu coração aquecendo ao ver aquele rosto tão adorável. Deixei outro beijo em sua testa e nos acomodamos para tomar o café da manhã na cama, em silêncio, desfrutando da companhia um do outro.
Quando terminamos, ela levantou-se para ir ao banheiro. Aproveitei para me arrumar também. Sabia que o dia seria longo, então optei por algo confortável: um moletom que me deixava à vontade, pois o que importava não era a aparência, mas o conforto.
Ao sair do closet e ir para a sala, vi Iris já no sofá, quase dormindo novamente. Ela estava tão relaxada que isso me fez sorrir. Aproximei-me dela e, com um gesto natural, dei-lhe um beijo na testa.
— Amor, precisamos ir — disse suavemente, para não assustá-la.
Ela abriu os olhos lentamente, bocejou e levantou-se. Era engraçado como ela parecia uma criança quando estava cansada - o que só a tornava mais adorável.
Ela pegou sua mala e eu a minha, e juntos fomos até o elevador. No caminho, envolvi-a em meus braços, querendo que soubesse que poderia descansar no avião.
— Você pode dormir no avião, amore. Eu cuido de tudo — falei, abraçando-a, e ela sorriu, concordando com a ideia.
Ela entrou no carro, e eu coloquei as malas no porta-malas antes de assumir a direção. O trajeto até o hangar foi tranquilo, e eu observei Iris ao meu lado, sabendo que, no fundo, ela estava nervosa. Não pela viagem em si, mas por tudo o que a acompanhava: o que sua família ainda não sabia. Ela queria que fosse surpresa, mas ao mesmo tempo sentia aquele nervosismo natural, uma leve apreensão.
Quando chegamos ao hangar, Iris surpreendeu-se com o tamanho do jato. Seus olhos brilharam, e eu não pude evitar um sorriso.
— Uau, pensei que fosse menor — comentou, com os olhos arregalados, admirando a aeronave. — Parece mais um avião comercial que um jato particular.
Eu ri, aproximando-me dela.
— Bem, era esse o objetivo — respondi, brincando. — Um jato grande o suficiente para caber toda nossa família.
Ela olhou para mim, surpresa, mas logo sorriu. Sabia que a viagem não era apenas para ela, mas para iniciar mais um capítulo em nossas vidas.
Entramos no jato, e a comissária nos conduziu aos nossos assentos. Sentei-me no corredor e ela na janela, para que ficasse mais confortável. Após as instruções de segurança, o avião decolou, e eu abaixei o apoio de braço entre nós, puxando Iris para deitar em meu peito.
Ela sorriu, e eu, com todo cuidado, tirei seus tênis e a acomodei ainda melhor. As carícias em seus cabelos vieram em seguida, e ela relaxou imediatamente. Vi a paz em seu rosto, a tranquilidade que tanto precisava. Naquele momento, sabia que a surpresa que preparávamos para sua família valeria a pena. Faria qualquer coisa por ela, qualquer coisa para vê-la feliz.
O voo transcorria calmamente, e ao observá-la, percebi algo especial em cada gesto. Ela confiava em mim de um modo difícil de expressar em palavras.
Não demorou muito até o avião fazer uma pequena escala para reabastecer. Iris acordou com um leve sobressalto.
— Onde estamos? — perguntou, olhando pela janela.
— Estamos fazendo uma escala para reabastecer, principessa — respondi suavemente, sorrindo ao vê-la despertar, ainda com os olhos semicerrados.
Ela concordou com um aceno de cabeça e ajeitou-se na poltrona. Minutos depois, as comissárias começaram a servir a refeição, e foi então que vi sua reação ao ver a comida. Ela olhou para o prato com um sorriso que não pude deixar de admirar.
— Pizza?! — perguntou, surpresa e animada.
Eu ri, respondendo com carinho:
— Sabia que você ia gostar. — E, com um sorriso, beijei sua testa antes de me servir também.
Comemos a pizza e depois uma sobremesa deliciosa, e eu podia ver o quanto ela estava relaxada. Era bom vê-la começando a libertar-se da ansiedade, começando a desfrutar do momento.
Pouco depois, o avião decolou novamente, com destino final à República Dominicana. O melhor estava por vir, e eu sabia que sua família não esperava por nada daquilo. Era um gesto simples, mas a surpresa seria enorme para todos eles. m*l podia esperar para ver o sorriso de Iris quando chegássemos lá.
Mas, por enquanto, eu só queria estar ao lado dela, aproveitando nosso tempo juntos, antes de revelar tudo o que estávamos prestes a fazer.