Iris González
Já era noite quando finalmente me acomodei no sofá, deixando o filme se desenrolar na tela enquanto meus olhos vagavam preguiçosamente pela trama.
O dia no restaurante foi longo mas vim embora sozinha. Domenico havia se atrasado com alguns documentos importantes para os negócios, e obviamente, eu não questionava. Ele fazia tanto por mim todos os dias que nunca me sentia à vontade para incomodá-lo por essas pequenas coisas. Eu sabia que ele tinha suas responsabilidades, e, de certa forma, eu me sentia bem por ele confiar em mim o suficiente para me deixar com essa liberdade. Já era mais do que eu poderia pedir.
Eu me aninhei mais confortavelmente no sofá, cobrindo-me com uma manta e colocando os pés sobre a almofada. O silêncio da noite parecia perfeito, até que, poucos minutos depois, ouvi o som da chave na fechadura e, logo em seguida, a porta se abriu. O brilho da luz da entrada invadiu o ambiente, e, com um sorriso espontâneo, levantei os olhos. Domenico apareceu na porta, trancando a mesma atrás de si com a típica calma de sempre.
— Oi amore — ele disse com a voz suave, os olhos brilhando, como se estivesse aliviado por estar em casa. Ele caminhou até mim e, antes mesmo de me dar tempo de responder, me beijou delicadamente nos lábios — Desculpa por não ter ido te buscar. — murmurou.
Senti o toque suave e cuidadoso dele e sorri, sem nem pensar duas vezes em responder.
— Não tem problema, querido. Eu cheguei bem — disse, tentando manter minha voz tranquila, mas, no fundo, uma parte de mim sentia uma enorme gratidão por ele.
Ele se sentou ao meu lado no sofá, puxando minhas pernas e colocando-as sobre as dele. Seu toque era reconfortante, e ele começou a acariciar minha panturrilha de maneira tão suave que logo comecei a relaxar por completo. Eu não sabia se era o toque dele ou a simples presença que me fazia me sentir tão em paz, mas, de qualquer forma, ali, com ele, me sentia segura. O tempo parecia ter parado, e era como se todo o resto do mundo desaparecesse.
— Eu consegui providenciar tudo para a sua família — ele disse, quebrando o silêncio que havia se instalado entre nós.
Suas palavras me atingiram como um golpe suave, mas poderoso. Eu o encarei, meu coração apertando de emoção. Domenico sempre dava mais de si do que eu poderia esperar. A ideia de que ele havia feito algo tão grande por mim me fez sentir um nó na garganta.
Eu não sabia o que dizer, mas, mesmo sem palavras, me aproximei dele e me sentei em seu colo, buscando conforto e conexão. Ele me envolveu com seus braços, segurando minhas pernas enquanto me mantinha perto dele. Eu sabia que ele estava esperando uma reação minha, mas as palavras pareciam não ser suficientes para expressar o quanto eu estava tocada por tudo o que ele havia feito.
— O jato da família também está pronto para nós irmos — ele completou com um tom tão casual que parecia que aquilo era apenas mais uma parte do seu dia. Eu congelei por um instante, o mundo ao nosso redor desaparecendo à medida que minhas palavras falhavam em sair.
Levantei-me rapidamente, o choque e a surpresa estampados no meu rosto. Olhei para ele, esperando que fosse uma piada, uma brincadeira de seu jeito único, mas, ao vê-lo tão sério, me dei conta de que ele estava falando sério.
— O quê? — minha voz saiu em um sussurro de incredulidade.
Domenico deu de ombros com a mesma tranquilidade que sempre possuía. Ele estava tão relaxado que parecia estar falando sobre algo rotineiro, mas, para mim, aquilo era algo enorme.
— Mia luce, nós usaremos o jato da família. Vai ser mais rápido, mais seguro e com o
dinheiro das passagens podemos procurar um lugar mais confortável para sua família quando chegarem — ele explicou com uma lógica impecável, mas mesmo assim meu coração batia acelerado pela ideia de algo tão grande.
Eu comecei a andar de um lado para o outro, tentando processar as informações. Domenico estava fazendo tudo por mim. Tudo. Ele estava resolvendo a viagem da minha família, os detalhes de suas passagens, e agora me oferecia algo que eu jamais imaginaria. O jato da família… Como eu podia aceitar uma coisa dessas? Ele já estava fazendo tanto. Como eu poderia reagir?
Domenico, notando minha reação, levantou-se do sofá e caminhou até mim. Seus olhos não saíam dos meus enquanto ele segurava minha cintura com suavidade, mas também com firmeza. Ele me puxou para mais perto, e me deu um beijo suave na testa, como se estivesse tentando me acalmar.
— Eu sei que parece muito, Iris. Sei que você não está acostumada com alguém fazendo as coisas por você. — suspirei. — Mas o que eu quero é te ver bem. E se isso significa ajudar a sua família, então é isso que eu vou fazer. Não tem nada demais nisso. Eu quero que sua família tenha conforto também – ele disse com uma voz suave, mas com uma firmeza que não deixava espaço para dúvidas.
Eu suspirei, sentindo uma mistura de emoções que estavam tão confusas dentro de mim. O que ele estava fazendo era grandioso demais para eu compreender de imediato. Como alguém pode fazer tanto por outra pessoa? Eu nunca tinha visto isso antes, e não sabia como reagir. Eu não queria depender dele, mas, ao mesmo tempo, ele me dava tudo sem que eu precisasse pedir.
— Eu… não sei o que dizer, Domenico — falei com a voz baixa, quase um suspiro. Ele começou a descer os beijos pela minha mandíbula, chegando lentamente ao meu pescoço. A sensação de sua boca tocando minha pele fez com que eu perdesse o fio da conversa, mas, ao mesmo tempo, me fez esquecer tudo o que estava acontecendo. Ele sabia como me desconcentrar.
— Você não precisa dizer nada, principessa — ele sussurrou contra minha pele, provocando-me de uma maneira que era ao mesmo tempo doce e intensa.
Tentei respirar fundo, tentando organizar os pensamentos que estavam se atropelando na minha mente. Mas, antes que eu pudesse encontrar palavras, ele me olhou e riu suavemente.
— A intenção é exatamente essa, Iris. Te desconcentrar — ele disse, com um sorriso travesso no rosto.
Eu senti meu orgulho se desmanchar em um segundo. Ele estava me levando para onde ele queria, e eu já não tinha forças para resistir. Finalmente, com um suspiro, cedi.
— Tudo bem. Nós vamos no jato — falei, com uma leve hesitação na voz, mas com um sorriso de aceitação. Não havia mais como negar. Domenico já havia feito tudo por mim, e eu não poderia recusá-lo dessa forma.
Ele sorriu satisfeito, um sorriso que era, ao mesmo tempo, provocador e caloroso. Então, me puxou para o sofá novamente, como se fosse a coisa mais simples do mundo.
— Como foi o seu dia? — perguntei, querendo mudar de assunto. Eu sabia que ele tinha passado o dia resolvendo muitos compromissos e papéis, mas queria ouvir de sua boca o que ele havia feito.
Domenico riu, o som cheio de diversão.
— Assinei alguns contratos, mas o melhor de tudo foi escutar o Damiano choramingando porque manchou o vestido de Serena. Ele quase me enlouqueceu com aquele drama — ele disse, rindo novamente ao lembrar da cena. Eu ri também, imaginando a cena.
Eu me aconcheguei mais perto dele, aninhando-me em seu peito, sentindo a respiração tranquila de Domenico e o calor de seu corpo. Aquela sensação de estar com ele me dava uma paz imensa, como se nada mais importasse.
Então, sem mais nem menos, decidi provocar, como sempre fazia.
— Você não vai tomar banho? — perguntei com um sorriso travesso, aproveitando para brincar com ele.
Ele me olhou com um sorriso malicioso e arqueou uma sobrancelha.
— Eu estou fedido? — ele perguntou, um tom brincalhão na voz.
Eu ri, sem hesitar.
— Sim, muito — respondi, com um sorriso travesso, gostando de vê-lo se divertir.
— Só vou tomar banho se você for comigo. — Disse ao colar sua boca na minha.
Fingi pensar por um momento, mas antes que eu pudesse responder, Domenico me levantou com facilidade, ainda me segurando no colo como se eu fosse uma pluma.
A sensação de estar completamente rendida ao seu toque me fez sorrir, e eu me entreguei a ele sem reservas.