Iris González
Ao sair da casa dos pais de Domenico, senti o ar fresco da noite tocar meu rosto, dissipando parte da tensão que nem percebi que carregava. Domenico manteve a mão na base das minhas costas enquanto caminhávamos até o carro, um toque discreto, mas cheio de significado. Quando nos acomodamos nos bancos, ele ligou o motor e, antes de dar partida, virou-se para mim com um sorriso.
— E então, meu amor, o que achou do jantar? — A voz dele estava carregada de expectativa, os olhos atentos ao meu rosto, como se quisesse capturar cada nuance da minha reação.
Eu ri baixinho, ainda assimilando tudo.
— Foi maravilhoso. Sua família é muito calorosa, me senti realmente bem-vinda.
Domenico soltou um suspiro satisfeito, seu sorriso se alargando.
— Fico feliz por isso. Agora é oficial, tesoro. Você não é só minha namorada, é parte da família.
Meu coração aqueceu com as palavras dele. Parte da família. O peso disso era grande e bonito ao mesmo tempo. Eu gostava da ideia de pertencimento, ainda mais vindo de alguém como Domenico.
Ele inclinou a cabeça, me observando com aquele olhar de quem já estava tramando algo.
— Vamos dormir juntos hoje? — perguntou, e eu revirei os olhos, divertida.
— De novo essa conversa?
— Faz tempo que não dormimos juntos. — Ele fez um biquinho pidão, cruzando os braços como uma criança contrariada.
Fiz um show exagerado de olhar no relógio imaginário no meu pulso.
— Faz dois dias, Domenico.
— Dois dias é muito tempo. — Ele deu de ombros, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
Eu ri e balancei a cabeça. Ele não desistiria tão fácil.
— Tá bom, mas só se você me levar para o trabalho amanhã.
Os olhos dele brilharam como se tivesse vencido uma grande batalha.
— Fechado! — Ele acelerou, satisfeito, e seguimos para o meu apartamento.
Ao entrarmos, tirei o casaco e o joguei no braço do sofá. Domenico, sempre atento, se aproximou por trás, deslizando as mãos pelos meus ombros e começando uma massagem.
— Você ainda está tensa. — comentou.
Suspirei, fechando os olhos momentaneamente enquanto sentia o calor das mãos dele aliviar a pressão que eu nem tinha notado estar acumulada.
— Acho que só estou pensando em tudo.
— No quê exatamente?
Meu olhar caiu sobre a parede da sala, onde uma foto minha com minha família estava em destaque. O jantar com os Ricci me fez pensar em como seria se fosse ao contrário. Se Domenico estivesse na minha casa, sentado à mesa com meus pais e irmãos.
— Nos meus pais. Em como eles acolheriam você se estivessem aqui.
Meu coração apertou com a saudade. Domenico parou a massagem e deslizou os braços ao redor da minha cintura, me puxando para perto dele.
— Eu sei que sente falta deles, mia vita.
Fechei os olhos por um instante, sentindo o calor reconfortante do abraço dele. Não importava o quanto eu tentasse ser forte e independente, havia momentos em que admitir minhas vulnerabilidades era inevitável.
Respirei fundo, ignorando o orgulho e o receio. Eu precisava da ajuda dele.
— Domenico… — comecei, hesitante.
— O que foi, amor? — Ele me virou de frente para ele, segurando meu rosto com ambas as mãos.
— Eu aceito sua proposta. Quero trazer minha família para cá.
Os olhos dele brilharam, e um sorriso genuíno surgiu em seus lábios.
— Não sabe como fico feliz em ouvir isso. — deixou um beijo na minha testa.
— Mas eu não quero que pareça que estou sendo interesseira ou dependente de você…
Domenico franziu a testa, negando com a cabeça.
— Eu jamais acharia isso de você. Estou fazendo isso de coração. Quero ver você feliz, Iris. Isso é tudo o que importa para mim.
A emoção subiu pela minha garganta, e eu apenas assenti, tocando o rosto dele em um carinho silencioso.
Ele me puxou para um beijo, suave e cheio de significado. Quando se afastou, sorriu de lado, com aquele ar travesso de sempre.
— Quase perdi você para o meu sobrinho hoje.
Eu ri alto, sabendo exatamente do que ele estava falando.
— O bebê tomaria o seu lugar fácil.
Domenico arregalou os olhos, indignado.
— Você está brincando comigo?
— Nem um pouco. — Dei de ombros, me divertindo.
— Ele nem fala ainda!
— Mas sorri! E tem aquelas bochechas fofas…
Ele cruzou os braços, fingindo estar profundamente ofendido.
— Traição descarada.
Passei por ele, rindo, indo em direção ao corredor. Domenico, claro, veio atrás de mim, me alcançando na entrada do quarto. Com um movimento rápido, me encostou na parede, bloqueando minha passagem.
— E agora? O que eu faço com você depois dessa?
Levantei a cabeça e o olhei nos olhos.
— ¿Qué quieres hacer conmigo, Domenico?
Os olhos dele escureceram, e seu corpo pareceu tensionar contra o meu.
— Não faz isso comigo, Iris.
Minha risada foi baixa, provocadora.
— ¿Te gusta cuando hablo español?
Ele assentiu, engolindo seco.
— Eu nem sei o que você disse, mas sim.
Ri mais uma vez e mordi o lábio, me deliciando com o jeito que ele parecia totalmente fora de controle.
— Então… ¿quieres que siga hablando en español?
Domenico passou a língua pelos lábios e apertou minha cintura com mais firmeza.
— Você quer me matar, não quer?
Coloquei as mãos no peito dele, subindo devagar até envolver seu pescoço.
— Solo si sobrevives para contarlo.
Os olhos dele brilharam antes que me puxasse para um beijo intenso, me prendendo ainda mais contra ele.