Iris González
O quarto estava silencioso, envolto em uma penumbra suave, enquanto os primeiros raios do sol filtravam-se pela fresta das cortinas. O calor do corpo de Domenico ao meu lado me envolvia como um cobertor confortável, e foi isso que me impediu de levantar, mesmo depois de despertar.
Virei-me devagar e encontrei Domenico dormindo profundamente, sua respiração lenta e compassada. Seus traços estavam relaxados, tranquilos, sem a sombra de preocupação que às vezes endurecia seu olhar durante o dia. Seu peito subia e descia em um ritmo calmo, e uma de suas mãos permanecia pousada na minha cintura, mantendo-me perto, mesmo inconscientemente.
Deixei meus olhos percorrerem cada detalhe dele: a barba por fazer, os fios de cabelo bagunçados contra o travesseiro, os lábios ligeiramente entreabertos. Meu coração aqueceu ao vê-lo assim, entregue ao sono depois da noite intensa que tivemos.
Baixei o olhar para minha própria mão, e ali estava o anel. Meu peito apertou de emoção outra vez. Era lindo, delicado, mas eu sabia que, vindo de Domenico, aquele anel não era apenas uma peça bonita. Ele representava algo muito maior.
A noite anterior voltou à minha mente como um filme: o brilho dos olhos dele quando se ajoelhou, o tom grave de sua voz ao dizer que eu era a luz da sua vida, a segurança com que segurou minha mão ao colocar a aliança em meu dedo. Suspirei, sorrindo sozinha. Nunca imaginei viver algo assim. Nunca imaginei que Domenico, o homem que julguei c***l no início, seria capaz de despertar em mim esse amor arrebatador.
— Se continuar me olhando assim, amore mio, vou achar que quer outra rodada agora mesmo — Domenico murmurou, a voz rouca pelo sono, mas carregada de diversão. Arregalei os olhos e corei instantaneamente.
— Você estava acordado?
Ele abriu um dos olhos, um sorriso preguiçoso brincando em seus lábios.
— Desde o momento que você suspirou daquele jeito. Foi quase uma declaração de amor — provocou, deslizando a mão da minha cintura até minha coxa.
— i****a. — Dei um tapa de leve em seu ombro, mas ele apenas riu.
— Eu gosto quando você me admira. Mas gosto mais ainda quando você me toca, bella.
Ele me puxou para cima dele em um movimento ágil, segurando-me firme contra seu peito quente. O toque das mãos dele em minha pele nua ainda causava arrepios deliciosos.
— Domenico… — comecei a protestar, mas ele me silenciou com um beijo.
Um beijo lento, possessivo, como se quisesse marcar meu corpo e minha alma. Minhas mãos deslizaram por seus ombros, sentindo seus músculos rígidos se contraírem sob meu toque. Suspirei quando ele roçou os lábios na minha orelha.
— Eu nunca vou me cansar disso, Iris. Nunca.
— Nem eu.
Domenico sorriu contra minha pele antes de espalhar beijos pelo meu pescoço.
— Agora vem, amore. Vamos tomar café antes que eu decida não deixar você sair dessa cama o dia inteiro.
Ri baixinho e levantei-me, sentindo seu olhar me acompanhar até a cozinha. Domenico se posicionou na ilha da mesa, e eu sentei em um dos bancos. Ele me observava com um olhar intenso, como se absorvesse cada um dos meus movimentos enquanto ainda estava concentrado no que fazia.
— Você está muito calmo — comentei. Ele deu de ombros, sorrindo de lado.
— Só estou aproveitando a vista. — Revirei os olhos, mas não consegui conter um sorriso.
— Você sempre foi assim?
— Assim como? — disse, pegando duas xícaras no armário.
— Tão bom com as palavras?
Domenico riu, me puxando para levantar. Ele me envolveu pela cintura e encostou a testa na minha.
— Não. Acho que só aprendi a falar bonito depois que conheci você.
— Mentiroso.
Ele riu mais uma vez e pegou minha mão, girando levemente a aliança.
— Eu estava pensando… — começou, seu tom ficando mais sério. — Esse apartamento sempre foi só um espaço onde eu dormia. Sempre foi um lugar vazio. Mas agora… com você aqui, ele se parece com um lar.
Meu peito aqueceu com a confissão inesperada.
— Eu gosto de estar aqui — murmurei, apertando sua mão.
Domenico sorriu de leve antes de selar nossos lábios em um beijo doce.
— E eu gosto de ter você aqui.
Ficamos assim por um tempo, trocando carícias e sorrisos enquanto tomávamos café. Nossa madrugada se repetia em minha mente, me fazendo reviver cada segundo. Foi intenso, uma batalha de almas e dominação que, sinceramente, não teve vencedor. Apenas nós dois nos entregando ao prazer e ao amor.
— Acho que é uma boa hora para te apresentar oficialmente à minha família.
O sorriso de Domenico vacilou por um instante.
— Seu pai não tem uma espingarda, tem?
Ri alto.
— Não, mas um facão, talvez.
Ele me olhou debochado.
— Ótimo. Sempre quis testar minhas habilidades de sobrevivência.
Peguei o celular e disquei o número da minha mãe em uma chamada de vídeo. Eu queria que esse momento fosse presencial, mas as circunstâncias não permitiam. Não demorou para minha mãe atender, e logo meus irmãos e meu pai estavam ali, todos curiosos.
— Mi niña! — ela exclamou.
— Mamá!
Ela logo notou Domenico ao meu lado e franziu as sobrancelhas.
— E esse homem bonito aí?
Senti Domenico prender a respiração ao meu lado, e mordi o lábio para não rir.
— Mamá, quero que conheça Domenico. Ele… bem, ele é meu namorado.
O grito de felicidade da minha mãe fez Domenico se sobressaltar. Em segundos, a tela se encheu com os rostos dos meus irmãos e do meu pai, todos tentando ver ao mesmo tempo.
— Finalmente, hein? — Juan gritou ao fundo.
— Papá já foi buscar a faca — Manuel comentou, rindo.
Domenico pigarreou, tentando manter sua expressão calma, mas notei seu maxilar travado. Meu pai avançou até o centro da tela, e senti meu coração acelerar.
— Escute bem, rapaz — meu pai começou, com a voz firme. — Essa menina é minha princesa. Se você machucar ela, eu cruzo o oceano nadando para acertar as contas com você.
Meu queixo caiu, e Domenico ficou em silêncio por alguns segundos. Até que, para minha surpresa, ele sorriu, um sorriso tranquilo, mas respeitoso.
— O senhor não precisa se preocupar — ele disse com firmeza. — Iris é a coisa mais preciosa da minha vida. Eu daria minha vida por ela sem pensar duas vezes.
O silêncio reinou por alguns instantes, até que meu pai soltou um resmungo e acenou com a cabeça.
— Veremos.
Dolores soltou uma risada, e meus irmãos começaram a fazer perguntas ao mesmo tempo, deixando Domenico visivelmente mais à vontade.
Passamos um bom tempo conversando, rindo e compartilhando histórias. Domenico, que no início estava tenso, aos poucos se soltou e até trocou algumas piadas com meus irmãos.
Quando a chamada terminou, ele soltou um longo suspiro e me puxou para perto.
— Acho que sobrevivi.
Ri, aconchegando-me em seu peito.
— Você passou com louvor.
Ele sorriu, segurando meu rosto entre as mãos e olhando profundamente nos meus olhos.
— Isso significa que posso ganhar um prêmio?
Cruzei os braços, fingindo pensar.
— Depende. O que você quer?
Domenico me puxou para seu colo, com um sorriso malicioso nos lábios.
— Quero você.
Meu coração disparou quando ele me beijou de novo, me deixando completamente sem ar.
Sim. Eu sabia que estava me entregando completamente a ele. Mas com Domenico, eu não sentia medo. Eu só queria mais.