Domenico Ricci
Os primeiros dias como namorado de Iris foram como um sonho. Tudo parecia perfeito. Eu não sabia que era possível sentir uma conexão tão profunda com alguém em tão pouco tempo. Cada momento ao lado dela me fazia sentir mais completo, mais vivo. Ela trouxe cor para minha vida, preencheu os espaços vazios que eu nem sabia que existiam.
Mas quando precisei deixá-la ir, a realidade bateu. Depois de um dia inteiro juntos, grudados um no outro, rindo, conversando e sentindo sua pele na minha, me despedir foi uma tortura. O vazio que senti quando ela saiu do meu carro foi sufocante. Eu me peguei encarando o celular, esperando uma mensagem dela, querendo qualquer desculpa para ir até seu apartamento e tê-la em meus braços de novo.
Porém, nos dias seguintes, percebi algo diferente nela. Iris ainda sorria para mim, ainda me olhava com aquela luz nos olhos, mas havia algo diferente. Um peso que antes não estava ali. Ela continuava sendo doce, preocupada comigo, me envolvendo nos braços como se eu fosse a pessoa mais importante do mundo. Mas eu notava o quanto sua mente estava distante.
Naquela noite, fui buscá-la no restaurante como sempre. Quando ela entrou no carro, seu perfume invadiu meus sentidos, e o desejo de puxá-la para meu colo e esquecer do mundo foi instantâneo. Mas algo na sua postura me fez hesitar.
— Como foi o seu dia, mia vita? — perguntei, desviando o olhar para ela.
— Foi tranquilo. — A resposta veio curta demais.
Fiquei em silêncio por um momento, observando-a. Eu conhecia cada nuance de Iris, cada expressão, cada brilho em seus olhos quando estava feliz. Mas naquele instante, algo estava errado. Ela estava tentando esconder de mim.
Eu não liguei o carro. Apenas fiquei ali, observando-a. Ela franziu a testa, confusa com minha hesitação.
— Domenico… por que não está dirigindo? — perguntou, confusa.
— Porque não vamos sair daqui enquanto você não me contar o que está acontecendo, amor.
Ela desviou o olhar para as mãos, mexendo nos próprios dedos.
— Não é nada.
Apertei sua mão com mais força, levando-a aos meus lábios e deixando um beijo ali.
— Não minta para mim, principessa. Você está distante há dias. O que está acontecendo?
Iris suspirou e fechou os olhos por um momento, como se estivesse tentando reunir coragem para falar.
— Eu… sinto falta da minha família, Domenico.
As palavras me atingiram como um soco. Claro. Eu deveria ter percebido antes.
A saudade.
Eu nunca precisei lidar com algo assim. Minha família sempre esteve por perto, mesmo nos momentos mais difíceis. Mas Iris teve que deixar tudo para trás, seguir um sonho, recomeçar do zero. E agora, a distância estava começando a machucá-la.
Apertei sua mão com mais força, trazendo-a para mais perto.
— Amor, eu sinto muito. Sei que deve ser muito difícil para você, mas eu estou aqui. O que posso fazer para te ajudar? — perguntei, ajeitando seu cabelo.
Ela me olhou, um sorriso pequeno e triste nos lábios.
— Nada. Não posso sair daqui para vê-los, e também não tenho como trazê-los para cá.
Fiquei em silêncio, pensando. Mas já sabia a resposta. Eu podia trazer a família dela para a Itália. Tinha os contatos certos para isso, os recursos, as pessoas que podiam ajudar.
Mas sabia que Iris hesitaria. Ela era orgulhosa, independente. Não queria sentir que estava dependendo do meu poder ou dinheiro.
Ainda assim, eu jamais permitiria que a mulher que amava sofresse sem tentar ajudá-la.
— Amore mio, escuta. Eu posso trazer sua família para cá. Tenho contatos, posso conseguir emprego para seus pais, escola para seus irmãos… Eu faço isso por você, sem dúvidas.
Seus olhos se arregalaram, e ela balançou a cabeça.
— Domenico, não… — disse, ajeitando-se no banco.
— Sim, Iris. Por que não? — respondi, ajustando meu banco.
— Porque eu não quero sentir que estou me aproveitando de você, do que você tem…
Segurei seu rosto com ambas as mãos e a obriguei a me olhar nos olhos.
— Nunca pense isso. Você não está me pedindo nada, amore. Eu estou oferecendo porque quero. Porque sua felicidade é a minha. Sua família agora também é minha. Eu faço isso porque te amo.
Ela piscou, surpresa com a intensidade das minhas palavras. Um pequeno sorriso surgiu, e então ela suspirou.
— Eu vou pensar sobre isso.
Era um começo.
Eu sorri e a beijei suavemente.
— Eu te amo, mia vita. Nunca se esqueça disso.
— Eu também te amo.
Sorri, e ela se afastou, colocando o cinto de segurança.
Dirigi até o apartamento dela, e assim que chegamos, puxei-a para um abraço forte. Envolvi-a nos braços, sentindo sua respiração contra meu peito.
— Vá tomar um banho, relaxe. Eu vou preparar algo para nós dois. — falei, tirando o cabelo dela do rosto.
— Você vai cozinhar? — Ela arqueou a sobrancelha, claramente surpresa.
— Sim. — sorri. — Sei fazer mais do que apenas pedir comida, piccola.
Ela riu e se afastou, indo para o quarto.
Fui para a cozinha, pegando os ingredientes para um macarrão simples. Enquanto preparava o molho, meus pensamentos estavam a mil.
Como eu faria Iris aceitar minha ajuda?
Ela era orgulhosa, mas eu também era persistente. E eu não ia aceitar vê-la triste e não fazer nada.
Se fosse preciso, encontraria uma maneira de trazer sua família para cá sem que ela se sentisse desconfortável.
Porque eu não apenas queria vê-la feliz.
Eu precisava vê-la feliz.