Domenico Ricci
Eu tinha um problema que parecia ser simples.
Ou, pelo menos, deveria ser.
Eu queria oficializar o que tinha com Iris. Ela já era minha de todas as formas possíveis, mas eu queria mais. Queria que o mundo inteiro soubesse que ela era minha namorada, que pertencia a mim tanto quanto eu pertencia a ela.
E, mais do que isso, queria que ela tivesse uma lembrança especial desse momento. Algo bonito, inesquecível. Algo à altura da mulher incrível que ela era.
Mas eu não fazia ideia de como fazer isso.
Essa era a verdadeira questão: como transformar um simples pedido de namoro em algo mágico?
Por isso, enquanto caminhava pelos corredores da Carbone, fiz o que qualquer homem em desespero faria.
Fui pedir ajuda ao meu irmão.
Assim que entrei no escritório, encontrei Damiano concentrado em alguns papéis, usando os óculos de leitura e a postura rígida de sempre. Ele só notou minha presença quando fechei a porta atrás de mim.
— O que foi? — perguntou, sem tirar os olhos dos documentos.
Eu soltei um suspiro pesado e me joguei na poltrona à sua frente, passando a mão pelo rosto.
Damiano abaixou os papéis, tirou os óculos e me olhou com atenção.
— Você está com essa cara de quem precisa de um conselho, mas sabe que eu sou péssimo com isso, certo? — Soltei um riso nasalado e balancei a cabeça.
— Estou começando a achar que é a única verdade absoluta da sua vida. — Ele arqueou as sobrancelhas, esperando que eu falasse de uma vez.
Eu respirei fundo e joguei a bomba.
— Quero pedir Iris em namoro. — Os olhos dele brilharam por um instante antes de um sorriso surgir.
— Finalmente! — Ele jogou os papéis para o lado. — Isso é ótimo, Domenico! Você está feliz?
— Muito. Mas também estou ferrado. — Damiano riu e cruzou os braços sobre a mesa.
— Por quê? — Perguntou confuso.
— Porque eu não faço ideia de como fazer isso. — Ele franziu a testa.
— Como assim? Você só chega nela e pergunta. — Bufei, revirando os olhos.
— Você fez isso com a Serena?
Damiano abriu a boca para responder, mas hesitou por um segundo. Depois, pigarreou e desviou o olhar.
— Bom… tecnicamente… não. — Fiz uma careta.
— É óbvio que não. — Retruquei — Você deve ter feito um pedido exuberante, todo planejado e cheio de coisas.
— Na verdade, Donatella planejou tudo. Eu só comprei as alianças e fiz o pedido. — Eu passei as mãos pelo rosto, sentindo meu desespero aumentar.
— Então você também não sabe como planejar isso? — Damiano deu de ombros.
— Absolutamente nada. — Fiquei em silêncio por um momento, apenas encarando o teto.
— Eu passei minha vida inteira admirando você e agora estou profundamente decepcionado. — Ele riu.
— Você quer que eu faça o quê? Eu tive que recorrer à Donatella.
— Eu não posso recorrer à Donatella.
— Por que não? — Eu soltei um longo suspiro.
— Porque se eu for até ela, vou ter que lidar com a Serena também, e aí as duas vão me enlouquecer com ideias absurdas e listas gigantescas de coisas que, até onde eu sei, nem fazem parte de um pedido de namoro. — Damiano apenas deu de ombros.
— Mulheres são assim mesmo. — Eu o encarei com descrença.
— Como você sobrevive nesse casamento?— Ele sorriu de canto.
— Amando minha esposa. — Revirei os olhos.
— Você virou um cachorrinho, sabia?
— Se for um cachorrinho da Serena, eu aceito feliz. — Suspirei, vencido.
— Está bem. Eu vou até elas. — Seus olhos brilharam.
— Pode dizer para minha esposa que estou morrendo de saudades dela? — Revirei os olhos.
— Você viu ela hoje de manhã. — Ele deu de ombros pegando os papéis novamente.
— Isso não muda nada. — Suspirei e deixei o escritório balançando a cabeça, mas, no fundo, sabia que ele estava certo. Se eu queria que esse pedido fosse especial, só Serena e Donatella poderiam me ajudar.
Entrei no carro e liguei o motor me preparando psicologicamente para lidar com as duas. O caminho foi rápido e logo cheguei ao escritório delas.
Toquei a campainha e logo Serena abriu a porta, surpresa ao me ver ali.
— Domenico? O que está fazendo aqui? — A puxei para um abraço.
— Como você está? E meu sobrinho? — perguntei entrando.
— Bem. Mas me conta, qual o motivo dessa visita inesperada? — Soltei um suspiro e aproveitei para dar o recado de Damiano.
— Seu marido mandou dizer que está morrendo sem você. — Ela riu, balançando a cabeça.
— Ele me mandou uma mensagem dizendo a mesma coisa há cinco minutos. — Disse fechando a porta. — Sabe como ele é…
Donatella apareceu na sala e arqueou uma sobrancelha.
— O que você está fazendo aqui? — Me sentei no sofá e cruzei as mãos, observando as duas.
— Preciso da ajuda de vocês. — Serena e Donatella trocaram olhares antes de voltarem a me encarar, esperando que eu continuasse.
— Quero pedir Iris em namoro. — Disse soltando de uma vez.
Silêncio.
Por um segundo, achei que elas não tivessem entendido. Mas logo grito agudo preencheu a sala, seguido de pulinhos e mãos batendo animadas. Cobri os ouvidos, atordoado.
— MIO DIO! — Serena exclamou.
— ATÉ QUE ENFIM! — Donatella bateu palmas. Eu me afundei no sofá, vendo as duas começarem a falar uma com a outra sem nem me incluir na conversa.
— Ok, primeiro precisamos de flores! — Donatella disse.
— Sim, mas não qualquer flor. Precisamos saber quais são as favoritas dela! — Serena respondeu.
— Tulipas? Rosas? Margaridas?
— Será que ela gosta de lírios?
Eu pigarreei alto.
— Ei. Estou bem aqui. — As duas pararam de falar e me encararam.
— O que foi? — Donatella perguntou.
— Eu não sei qual a flor favorita dela. — Silêncio. As duas me olharam como se eu tivesse cometido um crime.
— O QUÊ?! — Donatella arregalou os olhos.
— Domenico, como assim você não sabe? — Serena colocou as mãos na cintura.
— Nunca falamos de flores! — Respondi coçando a nuca.
— Meu Deus, homens… — Serena bufou. — Ok. Descobrimos isso depois. Agora, velas aromáticas!
— Velas? — Perguntei confuso.
— Sim! Criam um clima aconchegante. — Donatella respondeu.
— Música romântica!
— Comida especial!
— Alianças! — Eu congelei.
— Espera. Aliança? — Serena revirou os olhos.
— Claro! — As duas responderam ao mesmo tempo.
— Mas isso não é só para noivado? — Perguntei já em desespero.
— Não! Você quer que ela veja o quanto esse momento é importante, certo? — Serena disse e suspirei, vencido.
— Tá. Aliança. O que mais? — Perguntei
— Mensagem romântica. Você vai escrever algo? — Dei de ombros
— Posso pensar em algo. — Donatella revirou os olhos.
— Se não conseguir, a gente escreve para você. — Olhei para elas indignado.
— Nem ferrando. — Donatella anotava tudo enquanto falava.
— E onde vai ser o pedido? — Serena nesse momento já procurava lugares na internet.
— No meu apartamento. Quero algo íntimo. — Ela fez uma careta.
— Brega. Mas vamos dar um jeito. —Donatella respondeu e esticou a mão. — Me dá seu cartão.
— Não. — Disse quase entrando em pânico.
— Anda logo, Ricci! — Minha irmã me apressou. Com relutância, peguei minha carteira retirando o cartão e entreguei a ela.
— Agora vá embora. Temos muito a fazer! — Falou me fazendo levantar e me empurrando para fora.
— Mas e… — Tentei dizer mas ela bateu porta bateu na minha cara. Suspirei ao ouvir os gritos animados das duas lá dentro.
Ok, o pedido estava em boas mãos.
Mas meu cartão… nem tanto.