Capítulo 51

1322 Palavras
Domenico Ricci Eu tinha um problema que parecia ser simples. Ou, pelo menos, deveria ser. Eu queria oficializar o que tinha com Iris. Ela já era minha de todas as formas possíveis, mas eu queria mais. Queria que o mundo inteiro soubesse que ela era minha namorada, que pertencia a mim tanto quanto eu pertencia a ela. E, mais do que isso, queria que ela tivesse uma lembrança especial desse momento. Algo bonito, inesquecível. Algo à altura da mulher incrível que ela era. Mas eu não fazia ideia de como fazer isso. Essa era a verdadeira questão: como transformar um simples pedido de namoro em algo mágico? Por isso, enquanto caminhava pelos corredores da Carbone, fiz o que qualquer homem em desespero faria. Fui pedir ajuda ao meu irmão. Assim que entrei no escritório, encontrei Damiano concentrado em alguns papéis, usando os óculos de leitura e a postura rígida de sempre. Ele só notou minha presença quando fechei a porta atrás de mim. — O que foi? — perguntou, sem tirar os olhos dos documentos. Eu soltei um suspiro pesado e me joguei na poltrona à sua frente, passando a mão pelo rosto. Damiano abaixou os papéis, tirou os óculos e me olhou com atenção. — Você está com essa cara de quem precisa de um conselho, mas sabe que eu sou péssimo com isso, certo? — Soltei um riso nasalado e balancei a cabeça. — Estou começando a achar que é a única verdade absoluta da sua vida. — Ele arqueou as sobrancelhas, esperando que eu falasse de uma vez. Eu respirei fundo e joguei a bomba. — Quero pedir Iris em namoro. — Os olhos dele brilharam por um instante antes de um sorriso surgir. — Finalmente! — Ele jogou os papéis para o lado. — Isso é ótimo, Domenico! Você está feliz? — Muito. Mas também estou ferrado. — Damiano riu e cruzou os braços sobre a mesa. — Por quê? — Perguntou confuso. — Porque eu não faço ideia de como fazer isso. — Ele franziu a testa. — Como assim? Você só chega nela e pergunta. — Bufei, revirando os olhos. — Você fez isso com a Serena? Damiano abriu a boca para responder, mas hesitou por um segundo. Depois, pigarreou e desviou o olhar. — Bom… tecnicamente… não. — Fiz uma careta. — É óbvio que não. — Retruquei — Você deve ter feito um pedido exuberante, todo planejado e cheio de coisas. — Na verdade, Donatella planejou tudo. Eu só comprei as alianças e fiz o pedido. — Eu passei as mãos pelo rosto, sentindo meu desespero aumentar. — Então você também não sabe como planejar isso? — Damiano deu de ombros. — Absolutamente nada. — Fiquei em silêncio por um momento, apenas encarando o teto. — Eu passei minha vida inteira admirando você e agora estou profundamente decepcionado. — Ele riu. — Você quer que eu faça o quê? Eu tive que recorrer à Donatella. — Eu não posso recorrer à Donatella. — Por que não? — Eu soltei um longo suspiro. — Porque se eu for até ela, vou ter que lidar com a Serena também, e aí as duas vão me enlouquecer com ideias absurdas e listas gigantescas de coisas que, até onde eu sei, nem fazem parte de um pedido de namoro. — Damiano apenas deu de ombros. — Mulheres são assim mesmo. — Eu o encarei com descrença. — Como você sobrevive nesse casamento?— Ele sorriu de canto. — Amando minha esposa. — Revirei os olhos. — Você virou um cachorrinho, sabia? — Se for um cachorrinho da Serena, eu aceito feliz. — Suspirei, vencido. — Está bem. Eu vou até elas. — Seus olhos brilharam. — Pode dizer para minha esposa que estou morrendo de saudades dela? — Revirei os olhos. — Você viu ela hoje de manhã. — Ele deu de ombros pegando os papéis novamente. — Isso não muda nada. — Suspirei e deixei o escritório balançando a cabeça, mas, no fundo, sabia que ele estava certo. Se eu queria que esse pedido fosse especial, só Serena e Donatella poderiam me ajudar. Entrei no carro e liguei o motor me preparando psicologicamente para lidar com as duas. O caminho foi rápido e logo cheguei ao escritório delas. Toquei a campainha e logo Serena abriu a porta, surpresa ao me ver ali. — Domenico? O que está fazendo aqui? — A puxei para um abraço. — Como você está? E meu sobrinho? — perguntei entrando. — Bem. Mas me conta, qual o motivo dessa visita inesperada? — Soltei um suspiro e aproveitei para dar o recado de Damiano. — Seu marido mandou dizer que está morrendo sem você. — Ela riu, balançando a cabeça. — Ele me mandou uma mensagem dizendo a mesma coisa há cinco minutos. — Disse fechando a porta. — Sabe como ele é… Donatella apareceu na sala e arqueou uma sobrancelha. — O que você está fazendo aqui? — Me sentei no sofá e cruzei as mãos, observando as duas. — Preciso da ajuda de vocês. — Serena e Donatella trocaram olhares antes de voltarem a me encarar, esperando que eu continuasse. — Quero pedir Iris em namoro. — Disse soltando de uma vez. Silêncio. Por um segundo, achei que elas não tivessem entendido. Mas logo grito agudo preencheu a sala, seguido de pulinhos e mãos batendo animadas. Cobri os ouvidos, atordoado. — MIO DIO! — Serena exclamou. — ATÉ QUE ENFIM! — Donatella bateu palmas. Eu me afundei no sofá, vendo as duas começarem a falar uma com a outra sem nem me incluir na conversa. — Ok, primeiro precisamos de flores! — Donatella disse. — Sim, mas não qualquer flor. Precisamos saber quais são as favoritas dela! — Serena respondeu. — Tulipas? Rosas? Margaridas? — Será que ela gosta de lírios? Eu pigarreei alto. — Ei. Estou bem aqui. — As duas pararam de falar e me encararam. — O que foi? — Donatella perguntou. — Eu não sei qual a flor favorita dela. — Silêncio. As duas me olharam como se eu tivesse cometido um crime. — O QUÊ?! — Donatella arregalou os olhos. — Domenico, como assim você não sabe? — Serena colocou as mãos na cintura. — Nunca falamos de flores! — Respondi coçando a nuca. — Meu Deus, homens… — Serena bufou. — Ok. Descobrimos isso depois. Agora, velas aromáticas! — Velas? — Perguntei confuso. — Sim! Criam um clima aconchegante. — Donatella respondeu. — Música romântica! — Comida especial! — Alianças! — Eu congelei. — Espera. Aliança? — Serena revirou os olhos. — Claro! — As duas responderam ao mesmo tempo. — Mas isso não é só para noivado? — Perguntei já em desespero. — Não! Você quer que ela veja o quanto esse momento é importante, certo? — Serena disse e suspirei, vencido. — Tá. Aliança. O que mais? — Perguntei — Mensagem romântica. Você vai escrever algo? — Dei de ombros — Posso pensar em algo. — Donatella revirou os olhos. — Se não conseguir, a gente escreve para você. — Olhei para elas indignado. — Nem ferrando. — Donatella anotava tudo enquanto falava. — E onde vai ser o pedido? — Serena nesse momento já procurava lugares na internet. — No meu apartamento. Quero algo íntimo. — Ela fez uma careta. — Brega. Mas vamos dar um jeito. —Donatella respondeu e esticou a mão. — Me dá seu cartão. — Não. — Disse quase entrando em pânico. — Anda logo, Ricci! — Minha irmã me apressou. Com relutância, peguei minha carteira retirando o cartão e entreguei a ela. — Agora vá embora. Temos muito a fazer! — Falou me fazendo levantar e me empurrando para fora. — Mas e… — Tentei dizer mas ela bateu porta bateu na minha cara. Suspirei ao ouvir os gritos animados das duas lá dentro. Ok, o pedido estava em boas mãos. Mas meu cartão… nem tanto.
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