Capítulo 52

1551 Palavras
Eu estava saindo do restaurante quando vi Domenico, como sempre, me esperando ao lado do carro. Seus olhos brilharam assim que me viu, e um sorriso leve se espalhou pelo rosto dele. Era impossível não sorrir também ao ver a familiar expressão que ele sempre usava quando estava perto de mim. Aquele sorriso que iluminava tudo ao seu redor. O último mês foi mais tranquilo do que eu esperava. O apartamento já estava com minha personalidade, do jeito que eu sempre sonhei. Colorido, com objetos que me lembravam minha casa e claro, com as flores que Domenico fazia questão de me entregar todos os dias. — Pronta, mia luce? — a voz dele, sempre suave e cheia de carinho, ecoou no ar frio da noite. Assenti com a cabeça e caminhei até ele, a ansiedade em meu peito crescendo a cada passo. Ele abriu a porta para mim, e antes de entrar, puxou-me para mais perto, envolvendo minha cintura com um braço e me dando um beijo suave na testa. O toque dos lábios dele, quente e acolhedor, fez meu coração bater mais rápido. — Como foi o seu dia? — perguntei enquanto ele se afastava e entrava no carro, virando-se para olhar para mim. — Longo e cansativo, mas agora que você está aqui, tudo parece mais fácil. — Ele sorriu de novo, aquele sorriso único que sempre mexia comigo. Fechei a porta e me acomodei no banco do passageiro, sentindo a mão dele encontrar a minha logo em seguida. O toque dele era reconfortante, suave, mas com um firme desejo de me manter próxima. Ele sempre me tocava, e eu adorava isso. Era a forma dele demonstrar carinho, seu jeito de dizer sem palavras o quanto me queria por perto. Tinha combinado de passar a noite em seu apartamento depois de ele insistir muito. Mas eu precisava passar em casa para tirar esse uniforme e pegar uma muda de roupa. O caminho até meu apartamento foi tranquilo. A cidade parecia ter ficado silenciosa, com a noite se estendendo calmamente à nossa volta. — Você está bem, amore mio? Como foi o trabalho? — ele perguntou depois de um tempo, sua voz suave invadindo meus pensamentos. — Agora estou. — Eu dei um sorriso sincero e, sem pensar muito, segurei a mão dele com mais força, sentindo seus dedos se entrelaçarem aos meus. — Foi tranquilo, tudo está se encaixando. O carro seguiu pela rua, as luzes da cidade refletindo nas janelas. Eu podia sentir o cheiro cítrico do perfume de Domenico, uma fragrância levemente amadeirada que me trazia uma sensação de segurança e conforto. Cada pequeno gesto dele parecia ter o poder de acalmar minha alma. Quando chegamos ao prédio, saímos do carro rapidamente, e eu fui até meu apartamento para trocar de roupa e tomar um banho rápido. Tomei meu banho e vesti um vestido solto, tentando ignorar a ansiedade crescente no peito. Eu não sabia o que esperar, mas sabia que com ele, o que mais importava era ser eu mesma. Quando terminei, peguei um pijama confortável junto com mais uma troca e voltei para a sala. Ao entrar, encontrei Domenico sentado no sofá, me esperando. Ele se levantou imediatamente ao me ver e caminhou até mim com aquele olhar fixo, carregado de desejo e admiração. A sensação de ser observada daquela forma, com tanto carinho e paixão, me deixava sem fôlego. — Você está linda, como sempre — ele disse, e seus lábios se aproximaram do meu rosto, dando-me um beijo suave. Fechei os olhos, permitindo-me aproveitar aquele momento. Ele sempre tinha um jeito de me fazer sentir especial, e eu estava começando a perceber que isso era algo que ele fazia com uma facilidade assustadora. Nós saímos em direção ao carro, e a viagem até o apartamento dele foi silenciosa, mas cheia de significados em cada toque que ele me dava. Ele dirigia com uma calma que contrastava com a energia que eu sentia no peito, e sua mão segurava a minha de forma firme e protetora. Era um gesto simples, mas que me fazia sentir segura e amada. — Está tudo bem, Domenico? — perguntei, tentando perceber se havia algo fora do lugar. Seu rosto estava tranquilo, mas havia algo em sua postura que me fez duvidar disso. Ele respirou fundo e me olhou com um sorriso fraco. — Só um dia difícil no trabalho. Mas isso não importa agora. — Ele sorriu, mas ainda assim, eu percebia a tensão em sua voz. Eu sabia que ele não queria falar sobre isso. Mas eu sentia que a tensão vinha de algo mais. Talvez ele estivesse nervoso por algum motivo, algo que ainda não estava claro para mim. Em vez de questioná-lo mais, deslizava os dedos pela nuca dele, sentindo os músculos ali tensos. — Você pode descansar agora. Estou aqui com você. — Minha voz saiu baixa, mas cheia de ternura. Ele fechou os olhos por um breve momento, e quando os abriu novamente, seu sorriso parecia um pouco mais relaxado. Chegamos ao apartamento dele e Domenico me guiou até o elevador. Ele apertou o botão e se aproximou de mim, colocando suas mãos firmemente em minha cintura. Eu podia sentir o calor dele se espalhando por mim, como se fosse uma fonte de calor constante. — Você está tão linda hoje… Sou cada vez mais apaixonado por você. — Ele murmurou, e seus olhos estavam cheios de adoração. Meu coração disparou, e meu sorriso apareceu automaticamente. — Eu também sinto o mesmo por você, Domenico. As portas do elevador se abriram, e antes que eu pudesse sair, ele segurou minha mão com mais força. Quando saímos, o ambiente estava completamente diferente do que eu esperava. O que eu vi me fez parar no lugar, completamente maravilhada. O apartamento estava iluminado por velas, e um caminho de pequenas chamas brilhava à minha frente, levando até a janela. As flores estavam espalhadas por toda parte: no chão, sobre os móveis, em todos os cantos que eu olhava. O aroma delas era doce, suave, quase como um sonho. — O que é tudo isso? — minha voz saiu embargada, sentindo as lágrimas começando a acumular em meus olhos. Ele sorriu, e seu rosto estava radiante, iluminado pelas velas que estavam ao redor. Ele segurava um buquê maior, com flores de cores vibrantes, e me entregou com um gesto suave. — Eu quis te mostrar o quanto você significa para mim. — Ele deu um passo para trás, e com a calma de quem sabia exatamente o que estava fazendo, tirou algo do bolso. O que ele tirou fez meu coração parar por um segundo. Era uma pequena caixa. Quando ele se ajoelhou diante de mim, eu quase perdi a respiração. A caixa se abriu, revelando um conjunto de alianças. Eu quase não conseguia acreditar no que estava vendo, e as lágrimas começaram a cair sem que eu pudesse impedir. Domenico me olhou com um brilho nos olhos e respirou fundo. — Nunca pensei que um dia encontraria uma luz para guiar meu caminho, alguém que trouxesse cor à minha vida cinza, alguém que me fizesse ver o sol em dias nublados. Ele fez uma pausa, e pude ver o quanto estava emocionado, mas também tão seguro do que estava dizendo. — Iris, você me transformou. Me fez sentir coisas que eu nunca imaginei que existissem. E é por isso que, neste momento, eu preciso te perguntar… você aceita namorar comigo? Minhas lágrimas caíam mais intensamente agora, e meu coração estava prestes a explodir. Eu estava tremendo, completamente tomada por uma mistura de felicidade, surpresa e emoção. — Sim! — quase gritei, minha voz falhando de tanto emoção. Domenico se levantou rapidamente e me envolveu em um abraço apertado. Eu podia sentir seu coração batendo tão forte quanto o meu, e, por um momento, o mundo parecia ter parado. Tudo o que importava era ele, aquele momento, aquele sentimento que agora compartilhávamos. Ele afastou-se um pouco, pegou minha mão e com delicadeza, colocou a aliança em meu dedo. Eu olhei para o anel, maravilhada com sua simplicidade e beleza. Domenico beijou minha mão, com uma ternura que me fez sentir como se estivesse flutuando. — Esse anel é um símbolo do meu amor por você, e eu prometo que, enquanto eu existir, você sempre estará segura. Eu farei de tudo para te fazer feliz e para te mostrar que você é a pessoa mais importante da minha vida. — Eu fechei os olhos, sentindo minhas lágrimas caírem ainda mais rápido. — Eu te amo. — Eu já me sinto assim… Eu te amo, Domenico. Ele sorriu, e tirou o buquê das minhas mãos, colocando-o sobre o sofá. Então, com um movimento suave, me puxou para mais perto, pela cintura, e me beijou. O beijo começou suave, exploratório, como se quiséssemos saborear aquele momento. Mas, aos poucos, ele foi se intensificando, com os dois querendo mais, querendo expressar tudo o que sentiam. O beijo se transformou em uma explosão de sentimentos, e eu sabia, naquele momento, que o mundo ao nosso redor poderia desaparecer. O que importava era o amor que compartilhávamos, aquela conexão única que ninguém mais poderia compreender. E ali, nos braços de Domenico, eu soube que nada mais importava. Eu estava exatamente onde deveria estar.
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