O moreno suspirou e a apertou contra si, sabia que Davina não seria ingênua se ela estava suspeitando de que havia matado a senhorita Avery, não acreditaria em qualquer mentira que ele inventasse.
— Acha que eu faria isso? — perguntou analisando sua reação.
— Não, claro que não. Mas depois do que descobri sobre essa magia.
— Eu fui à Hogsmeade aquela manhã, posso te mostrar se quiser.
— Ficaria ofendido se eu falar sim?
— Eu te entendo amor, são muitas coisas acontecendo, fecha os olhos. — A garota sequer questionou, apenas obedeceu.
Riddle puxou sua varinha e olhou ao redor, não queria usar seus poderes com a amada, mas era necessária se quisesse ficar ao seu lado, logo murmurou o feitiço.
Davina viu toda a sua manhã naquele domingo, até mesmo quando fez a horcrux. Tom deixou a garota ver alguns poucos pensamentos e memórias que havia criado e então quando ela foi ler o nome escrito por Arian ele simplesmente desapareceu, sem explicação alguma.
— Isso é estranho.
— O quê?
— Saber o que você pensa, Riddle.
— Nunca fez isso antes?
— Na verdade, não.
— Gostou?
— Um pouco. — O moreno sorriu e beijou seu rosto.
— Posso te ensinar a fazer isso com os outros.
— Vou adorar. — Riu fraco.
O casal passou quase todo o final da tarde sentados embaixo da árvore conversando, Tom ficou feliz por Davina não fazer mais perguntas sobre a fuga de Arian.
A noite logo chegou, os planos para depois do jantar não incluíam uma noite amorosa com Davina, hoje Tom Riddle precisava focar em seu plano para a cerimônia de formatura deste ano, não podia falhar.
— Estão todos aqui? — perguntou seco entrando na sala-precisa.
— O Abraxas ainda não chegou, senhor — disse um garoto de cabelos escuros.
— Vamos continuar sem ele, já decidiram quem terá a honra de participar do nosso espetáculo? — Uma garota ergueu a mão — Pode falar.
— Calina Johnson.
— E quem seria essa, senhorita Rosier?
— Ela é uma nascida-trouxa da grifinória, vai ficar na escola para ver o irmão se formar.
— Idade?
— Quinze. — O moreno encarou o grupo sentado em sua frente, ele crescia cada vez mais.
— Quem fará? — Alguns alunos ergueram a mão — Certo, não sejam pegos.
Os dias passavam lentamente, antes que percebessem o casal já estava no trem indo para a Itália. Tom estava sentado lendo mais um de seus livros, enquanto Davina escrevia uma redação sobre dragões.
— Será que falta muito?
— Tem duas horas que estamos aqui.
— Estou ansiosa, quero aproveitar cada segundo dessa viagem.
— Certo, o que quer fazer?
— Eu gosto de te ver ler.
— Podemos continuar assim, então.
— Isso é entediante.
— Certo, vamos andar. — Fechou o livro e levantou-se.
— Mas pediram para ficarmos nas cabines.
— Ah Davina, vai ser divertido. Vamos? — Estendeu a mão.
— Certo, mas se nos pegarem.
Riddle ignorou completamente seu comentário, iria adorar perturbar os trouxas enquanto dormiam em suas cabines. Após caminharem por um tempo, o casal encontrou uma cabine com a porta fechada e um aviso que pedia para não perturbar.
— O que acha que estão fazendo aqui?
— Dormindo?
— Bata na porta, Davina.
— Devem estar cansados.
— Achei que quisesse se divertir. — Bateu na porta com certa brutalidade.
— Tom!
— Shi... está ouvindo algo?
— Não, por quê? — Riddle sorriu e abriu a porta devagar, encarou a cabine que estava vazia e entrou.
— Não deveríamos entrar e se alguém aparecer?
— Fica tranquila, o que acha que tem nessas caixas? — Chutou uma das caixas.
— Quadros?
— Teria algum aviso. — O moreno puxou a varinha e a balançou sobre a caixa.
— O que é?
— Vestidos. — Puxou um vestido vermelho para fora da caixa e sorriu olhando a morena — Experimenta?
— Eu não vou vestir isso, vai que é de alguém que morreu.
— Por favor, vai ficar lindo. — Mexeu mais um pouco na caixa e tirou um preto de manga curta.
— Nossa.
— Vai provar?
— Certo, mas fica de vigia. — Após alguns minutos, a garota o chamou de volta para dentro da cabine e sorriu mostrando o vestido.
— Uau!
— Gostou?
— Ficou incrível.
— Acha que estão vendendo?
— Acredito que sim. — Leu um papel que estava colado na caixa — Não abra, peças para exposição em Milão.
— Milão? — Sorriu.
— Sim, você está tendo a honra de ser a primeira cliente de quem quer que seja. — Sorriu fechando a caixa novamente.
— Me ajuda a tirar? Não vai ser nada divertido alguém chegar agora.
— Deveria ficar com ele para você.
— É roubo, não seja bobo.
— Claro que não. — Aproximou-se e arrumou o cabelo da garota — Ele ficou incrível em você, tem vários desses aqui, ninguém vai sentir falta.
— Mas é errado.
— Por que acha isso? — Acariciou seu rosto.
— Porque alguém trabalhou nessa peça, é óbvio.
— Juro que ninguém vai sentir falta.
— Não posso fazer isso.
— Eu posso, está tão linda assim, esse decote. — Deslizou a mão até seu b***o e sorriu.
Antes que Davina pudesse responder a provocação do namorado, a porta da cabine foi aberta, revelando um homem alto bem mais velho do que aparentava.
— O que vocês estão fazendo aqui? Não sabem ler?
— Desculpe senhor, apenas confundimos a cabine. — Davina murmurou escondendo seu outro vestido que estava sob um dos assentos.
— Você abriu a caixa? — O homem caminhou até os caixotes e Tom puxou Davina com seu vestido para fora da cabine — Voltem aqui! Devolvam o meu vestido!
— Aonde estamos indo? — Davina perguntou com certa dificuldade enquanto corria.
— Despistando.
— Estou ficando cansada!
— Vamos, entra aqui. — Abriu uma porta e entrou com a garota que estava ofegante.
— Onde acha que estamos?
— Armário das bebidas. — Sorriu clareando com a varinha.
— Isso é loucura, vamos voltar e devolver o vestido.
— Não ouse! Acha mesmo que aquele cara vai deixar por isso?
— Eu sei, mas a ideia é curtir as férias e não ser presa.
— Eu vou nos tirar daqui, logo os guardas começarão a passar pelas cabines.
— Como vamos sair sem nos pegarem?
— Já aparatou antes?
Após muita discussão, Riddle acabou convencendo a garota a ficar com o vestido. Os dois já estavam indo deitar quando escutaram algumas batidas na porta.
— E agora?
— Fica calma, abre um pouco a sua blusa e haja naturalmente — disse enquanto deixava toda a sua camisa aberta.
— Boa noite, posso ajudá-lo? — Sorriu cínico para o guarda.
— Desculpe o incômodo, senhor. Uma peça muito importante de um estilista foi roubada durante essa noite, ele diz não saber identificar o casal. Precisamos dar uma olhada na cabine.
— Claro, sem problemas. — Deu passagem para o homem entrar.
— Com licença. — O guarda olhou meticulosamente cada parte da cabine principal, até entrar no quarto e se deparar com Davina, que estava com um coque e os s***s quase à mostra.
— Está tudo bem?
— Ah senhora, me desculpe! — Virou-se voltando para a parte exterior da cabine — Me desculpe por atrapalhar vocês, se suspeitar de algo pode me avisar, certo?
— Ah claro, senhor. Obrigado. — O homem apenas acenou com a cabeça e sorriu malicioso deixando o local. Riddle trancou a porta e voltou para o quarto — Ah, agora entendi do que ele estava falando.
— Como?
— O guarda acha que estamos transando. — Riu fraco jogando-se na cama.
— Em uma única noite, me transformei em ladra e uma meretriz. — Deitou-se ao seu lado.
— Ladra? Não e muito menos meretriz. — Inclinou-se em cima de seu corpo — Nós dois sabemos que eu sou o único que toca neste corpo. — Sorriu dando leves beijos em seu pescoço.
— Não me provoque, Riddle.
— Por que? — murmurou deslizando sua mão para dentro da blusa da garota.
— Porque sabemos como funciona, você me provoca, eu acabo cedendo e no final não fazemos nada.
— Nós podemos fazer. — Apertou seu seio — Só me prometa que será sempre minha.
— Eu já prometi.
— Não só assim! Eu quero você sempre ao meu lado, entende?
— Cinco meses de namoro e você já quer casar?
— Não agora, depois da nossa formatura no próximo ano. O que me diz?
— Isso é loucura.
— Eu sei que somos novos e blá blá blá, mas não me vejo com outra pessoa além de você.
— Eu aceito, por agora. Mas quero um pedido decente.
— Tudo o que quiser.
— Vai ser estranho.
— O que?
— Imagine só, Davina Segnus Riddle.
— Eu gosto de Wezen.
— Também. — Sorriu o encarando — Eu te amo tanto — O rapaz se aproximou de seu pescoço e murmurou.
— Eu também amo você, senhorita Wezen.
A garota não fez um mínimo esforço para esconder sua felicidade, nunca imaginou que Tom Riddle diria essas palavras em voz alta. Após isso, finalmente o casal entregou-se aos seus desejos que estavam sendo reprimidos há um bom tempo.
A manhã logo chegou e com ela, o desembarque. Depois de um dia exaustivo de viagem, o casal ia aproveitar as férias na Itália.
— Tem certeza de que esse é o hotel? — Riddle encarou Davina que estava boquiaberta com o prédio à sua frente.
— É o que diz aqui.
— Pague o taxista, vou pegar nossas malas.
Em poucos minutos o casal já estava na recepção dando entrada no quarto, Davina sabia que seus pais comemorariam a segunda lua de mel nessa viagem, só não sabia que ela seria tão luxuosa.
— Devo admitir, seus pais tem um ótimo gosto — comentou entrando no quarto.
— Até demais. — Riu fraco — Olha essa vista!
— Isso é demais. — Sorriu encarando toda a visão da Itália lá do alto, as casas pareciam bem menores do que realmente eram, a piscina chamava muita atenção por conta do calor que estava fazendo.
— O que vai querer fazer primeiro?
— Com certeza, ir na piscina.
— Ótimo.
(...)
As férias não poderiam estar melhores, o casal dormia e acordava no horário que bem entendiam. Bebiam e participavam das festas, que sempre terminavam em s**o, nos momentos livres aproveitavam para conhecer a cidade. Não poderia estar mais perfeito.
— Você recebeu uma carta, estava na recepção.
— De quem?
— Segnus Wezen.
— Papai?
— A não ser que conheça outro, sim.
— Será que aconteceu algo?
— Abra a carta, querida.
“França, 23 de julho de 1944
Querida Davina, como você está? Espero que esteja bem. Tem aproveitado as férias? Não vou enrolar muito, sua mãe e eu conversamos e decidimos passar alguns dias com você e seu namorado na Itália, afinal de contas já deveríamos ter sido apresentados formalmente.
Estaremos chegando por volta do dia vinte e cinco, se tudo der certo. Estamos ansiosos para vê-la novamente, cuide-se.
— Segnus Wezen."
— O que houve?
— Meus pais estão vindo passar alguns dias conosco, eles querem te conhecer.
— Isso é r**m?
— Está pronto para isso? Meu pai não costuma ser tão amigável, ainda mais com o cara que dorme com a filha dele.
— Devemos pedir outro quarto?
— Não, eu resolvo isso.
— Eles não vão ficar felizes com a notícia de que estamos dividindo o mesmo quarto.
— Não se preocupe, eu resolvo isso.
...