capítulo treze

2416 Palavras
Tom encarava o teto de seu quarto sem parar, as palavras de Malfoy durante o jantar havia o deixado pensativo e mesmo odiando admitir ele sabia que o rapaz tinha razão, Davina jamais o perdoaria. Se ao menos ele se explicasse, as chances desse final ser feliz eram quase zero. O rapaz suspirou sentindo seu rosto ficar úmido, Riddle estava chorando, chorando pela senhorita Wezen, por não saber o que fazer e não poder voltar atrás de suas escolhas. Se desistisse de seu plano todos o chamariam de “covarde", jamais permitiria tal feito. Ele poderia manipular a garota, teria de fazer se quisesse ficar ao seu lado. Tentou ignorar esses pensamentos e saiu para sua patrulha noturna, ao menos encontrar alguns alunos perambulando sem autorização o deixaria distraído. — Você precisa tomar coragem, quando vai contar a ela? — Ouviu uma voz murmurar. — Eu não posso, Fitz. Ela jamais entenderia. — Como não? Ela é nossa amiga. — Riddle parou de caminhar e ficou escutando a conversa antes de virar o corredor e advertir os dois. — Ninguém vai aceitar isso! Acha mesmo que entenderiam? Sua família, seu pai, eles te largariam sem pensar duas vezes. — Neil. — O garoto suspirou, parecia estar pronto para chorar — Nascemos doentes, podemos mudar isso, mas não aguento mais esconder. — Eu gosto de garotas, Fitz! Esqueça isso, não seremos bem vistos. — Eu sei, também gosto delas. Mas o que sentimos um pelo outro, você sabe do que estou falando. — Ah Fitz. — O amigo acariciou seu rosto tentando o acalmar — Eu queria tanto poder viver em um mundo onde as pessoas não nos tratariam como aberrações. — Vamos fugir, podemos nos virar sozinhos. — E depois? — Neil sorriu. — Viveremos juntos, até o fim. — Ficaremos juntos até o fim, eu te prometo. Logo as vozes ficaram em silêncio, Tom resolveu então mostrar que estava ali, mas ficou surpreso com a cena que viu. Neil Lament e Edward Fitzgerald estavam se beijando no meio do corredor sem qualquer pudor. Riddle limpou a garganta chamando a atenção dos rapazes. — Com licença, vocês deveriam estar aqui? — Fitz sentiu seu rosto queimar, odiava se sentir reprimido. — Ah. — Neil resolveu fingir que nada havia acontecido — Estávamos indo para a comunal, as escadas moveram-se e estávamos esperando. — Certo, me acompanhe senhor Fitzgerald. Senhor Lament vá para a comunal. — Até amanhã Neil. — Fitz esperou o amigo desaparecer no escuro e seguiu Tom que ia em direção aos corredores — O que você viu... — Não é da minha conta. — Tom o interrompeu. — Como? — Edward se espantou com a resposta, estava esperando apelidos, esporos ou até mesmo uma surra como já havia visto Malfoy fazer com alguns garotos. — Você queria que alguém soubesse? — Não. — Então não é da minha conta. — O que você quer? — Por que acha que quero algo? — Sorriu cínico. — Todos sempre querem. — Tem razão, eu quero algo. Mas quando chegar a hora certa você saberá. — Do que está falando? — Não se preocupe, senhor Fitzgerald, seu segredo está guardado. Riddle o deixou em frente as escadas para a comunal da corvinal e caminhou calmamente indo embora como uma cobra, afinal de contas o seu plano havia começado ali mesmo. A manhã chegou rápido e logo o trio se juntou na sala-precisa para conversarem sobre alguns assuntos pessoais. — O Edward vem? — Davina se sentou no sofá. — Não sei — respondeu seco, estava preocupado com o ocorrido da noite passada. — Achei que haviam se visto ontem a noite. — Winky comentou tentando encurtar sua saia em frente a um grande espelho. — Não deu muito certo, precisei ficar na comunal. — Que pena, vamos começar a fazer as runas no final dessa tarde. — Sorte a sua, o i****a do meu parceiro quer fazer algo que envolva brincadeira, fala sério. — Neil reclamou revirando os olhos. — Ainda bem que Malfoy é a minha dupla. — Winky comemorou — Acham que o professor Dumbledore vai reparar que está mais curta? — Acho que ele não fica olhando as saias das garotas, Crockett. — O que estão planejando fazer? — Davina a encarou animada. — Estamos pensando em algo para revelar o verdadeiro amor. — E ele está ajudando ou você está fazendo tudo sozinha? — Neil! O que te deu? Por que está tão bravo assim? — A ruiva o encarou. — Nada, só estou cansado. — Logo os dois foram interrompidos com a porta sendo aberta e o moreno passando por ela com seus cabelos totalmente bagunçados. — Outro que caiu da cama, está tudo bem Fitz? — Davina riu fraco. — Ah! Por que não estaria? — Não arrumou seu cabelo hoje. — Estava com pressa. — Encarou o amigo e sorriu — Do que estão falando? — Sentou-se entre os sonserinos. — O trabalho de runas antigas — disse Davina. — Não me lembre disso, já basta o almoço maravilhoso que vou ter no domingo. — Fitz, acha que está muito curta? — Senhorita Crockett rodopiou mostrando sua saia que estava acima do joelho. — Uma meretriz. — O rapaz sorriu. — Bobo! Viu Neil? Deveria ter um bom humor igual ao Fitz. — O que houve? — Fitz perguntou mesmo sabendo a resposta. — Ele está a manhã inteira com a cara fechada. — Crockett reclamou. — O que farão nas férias? — Davina tentou mudar o assunto. — Treinar para o quadribol. — Se tudo der certo estarei noiva do Abraxas, imaginem só senhor e senhora Malfoy! Winky Malfoy. Super combina. — Você é biruta. — Todos riram com o comentário do sonserino. — Está com inveja, porque de nós quatro você é o único que não namora. — Como? — Eu não namoro, Winky. — Fitz a encarou confuso. — Pensei que estivesse com a Rosele. — Somos amigos. — Deveria tentar algo, aposto que ela gosta de você. — Estou bem assim. — O Malfoy sabe que vocês estão namorando, Winky? — Davina riu fraco. — Só está se gabando porque está com o Riddle. — Como? — Os garotos disseram em conjunto. — É bobagem. — A morena corou. — Claro que não, vocês já até se beijaram. — Winky! — É sério? — Neil a encarou. — Sim, mas não é nada demais. — Não gosto dele, Riddle é um grande mentiroso — reclamou. — Por que diz isso? — Davina, você acredita mesmo naquele papel de bom moço? Fala sério, eu sei muito bem quem é Tom Riddle. — O que ele te fez? Absolutamente nada. — Ele é um cretino, Davina! Está se aproveitando de você. — Como ousa falar isso do Riddle? Ele é uma pessoa incrível, nunca faria nada a ninguém. — Não? Eu o vi na noite em que Murta Warren foi encontrada morta no banheiro e ninguém sequer mencionou o nome dele. — Não vou ficar aqui ouvindo as suas mentiras. — Por que eu mentiria? Você merece coisa melhor Davina. Não um mestiço cínico. — Vá se danar, Neil. Davina saiu da sala-precisa deixando o rapaz falando sozinho, todos estavam espantados com a breve discussão que tiveram e com as alegações do rapaz. — Por que fez isso com ela? — Winky o encarou. — É melhor dizer a verdade antes que ele a machuque, você estava lá naquela noite. Sabe o que vimos. — Eu não sei ao certo o que vimos, Lament. Ele só estava no mesmo andar que nós, não significa que tenha matado a Warren. — Claro! Ninguém vai acreditar em mim. O pobre e inocente Riddle jamais machucaria ninguém. Mas o Hagrid me contou a verdade. — Hagrid é uma criança, ele assassinou outras crianças com uma criatura medonha! Por que ele falaria a verdade? — Já chega vocês dois! — Fitzgerald gritou os assustando — Essa briga é ridícula. — Eu vou procurar a Wezen. — Winky saiu da sala os deixando para trás. — Neil! Combinamos manter isso em segredo. — Estou cansado de segredos, Edward. Acha mesmo que Riddle não vai usar o que viu ontem à noite contra nós? É ingênuo da sua parte pensar que não. — Eu tentei explicar para ele, mas ele disse que não era da sua conta, e que não contaria para ninguém. — O que ele pediu em troca? — Nada. — Diga a verdade. — Estou dizendo a verdade, confia em mim. Estamos seguros. (...) Senhorita Wezen passou o dia inteiro evitando os amigos, mesmo Winky a perseguindo pelos corredores do castelo ela conseguiu fugir da ruiva. Só voltou a falar com Fitzgerald por conta do projeto de runas antigas. — Você está bem? — O moreno a encarou enquanto faziam os desenhos. — Não quero falar sobre isso, Fitz. — Eu entendo, mas o Neil não falou por maldade, ele está em um dia r**m. — Não tenho nada a ver com os problemas dele, Tom nunca machucaria ninguém. Ainda mais crianças indefesas. — Eu concordo, mas ele disse com a cabeça quente, podem conversar depois. — Olha Fitz, você é um amor. Mas por hora não quero saber do Neil. — Tudo bem. — Suspirou — Posso te fazer uma pergunta? — Claro. — Pode ir na reunião da minha família comigo? — Não acha que vai ser estranho? — Somos amigos e a Winky não quer ir, disse que o Malfoy vai interpretar errado. — Ela é maluca. — A morena riu. — Então, você aceita? — Preciso ir com algo formal? — Não, mas se quiser usar um vestido azul vou ficar feliz. — Eu aceito, mas vai ficar me devendo essa. — Nota máxima no último trabalho de runas antigas não é o suficiente? — Não mesmo. — Sorriu. — Obrigado, Davina. — Pelo que? — Acredite, você vai causar uma ótima impressão. — Estou fingindo ser sua amante? — O que? Não! — Precisa ver a sua cara. — A morena gargalhou. — Só estou evitando problemas futuros. — Tipo? — Saberá quando for a hora certa. — Quanto mistério. Logo os colegas terminaram o que estavam fazendo, mesmo que para o projeto estar perfeito ainda levariam dias de trabalho. A noite o jantar seguia calmo, Davina sentou-se longe do amigo que a encarava sem parar, como ela podia se entregar à alguém como Tom Riddle? Isso era um desastre. Rapidamente terminou seu jantar e foi embora para sua comunal, o dia havia sido exaustivo e a última coisa que queria agora era ouvir as desculpas esfarrapadas do sonserino. — Boa noite, senhorita Wezen. — A garota olhou ao redor e encarou o sonserino que a analisava a cada segundo. — Boa noite, Riddle. — Está tudo bem? Parece um pouco abatida. — Caminharam juntos pelo corredor. — Sim, só algumas desventuras durante o dia. Como você está? — Bem, alguém está te incomodando? — Não se preocupe com isso, é bobagem. — Sorriu fraco. — O problema é que eu me preocupo. — A segurou próximo de si — Me conte tudo. Davina suspirou, não queria causar problemas para seu amigo, tinha medo de que isso pudesse abalar a relação que esperava que tivessem um dia. Em poucos minutos os dois estavam na comunal da sonserina conversando sobre o ocorrido. — O que ele te disse? — Foi bobagem, já falei. — Sabe que vou descobrir, não sabe? — Podemos falar sobre outra coisa? O que achou da aula de dcat hoje? Gosta de vampiros? — Sim, mas acho um pouco exagerado, são apenas criaturas estranhas. — Não gostaria de viver para sempre? — Apoiou-se em seu peito enquanto Riddle acariciava seu cabelo. — Você gostaria? — Seria um pouco triste ver todos morrerem, mas adoraria conhecer o futuro. — Riddle sorriu. — Gostaria de passar a eternidade ao meu lado? — Seria muito bom, mas isso é loucura, não? A única coisa possível para isso seria a pedra filosofal. — Tem razão. — Beijou sua bochecha — Adoraria passar a eternidade ao seu lado. Os dois conversaram por um bom tempo até os alunos começarem a chegar para se recolherem. Tom estava contente com a descoberta que fez durante a noite, parecia que Davina não veria problema em separar sua alma, se não fosse por um mínimo detalhe, m***r alguém. Logo o final de semana chegou, Riddle estava lendo um livro deitado em sua cama enquanto Davina fazia um trabalho sobre vampiros. — O que está olhando? — perguntou encarando o amigo. — Você fica linda estudando. — Obrigado. — Eu estava lendo alguns livros na sessão reservada. — Abaixou seu livro — Li sobre uma magia antiga, pelo o que descobri você pode se tornar quase imortal, mas não precisa necessariamente se tornar um vampiro. — Como? — A garota parou de escrever. — Bom, você liga a sua alma a um objeto, é bem simples. — Como funciona? — O rapaz explicou da maneira mais simples e delicada possível que pode sem contar a parte terrível dessa magia. — E por fim é isso, você pode retornar no futuro. — Isso parece ser impossível, é preciso de uma magia muito forte, Tom. — Certamente, mas poderíamos tentar algum dia. O que me diz? — Sorriu. — Posso pensar sobre isso? — Claro. — Sorriu confiante — Para que trouxe esses vestidos? — Bom, o Edward me convidou para almoçar com a família dele amanhã, dar um apoio moral, entende? — Por que não me avisou? — Achei que não fosse importante. — Não é confortável saber que a minha namorada está almoçando com outro cara e sua família — murmurou. — Namorada? — Sorriu — Pensei que estávamos indo com muita pressa. — Achei que queria namorar comigo. — Levantou-se. — Nunca me perguntou. — Então, senhorita Wezen. — A puxou para perto a fazendo dançar — Você quer ser a minha namorada? — Senhor Riddle. — Sorriu brincando — Eu aceito ser a sua namorada. — O abraçou. — Agora é oficial, meu amor. — A beijou lentamente. — Está tudo bem eu ir almoçar com a família Fitzgerald? — Sim, Edward não é um perigo para mim. Fique à vontade querida. Os dois continuaram brincando e dançando sem parar, estavam felizes por poderem ficar juntos sem impasses ou interrupções. Riddle ainda mais, finalmente podia dizer que se sentia completo.
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