Tom encarava o teto de seu quarto sem parar, as palavras de Malfoy durante o jantar havia o deixado pensativo e mesmo odiando admitir ele sabia que o rapaz tinha razão, Davina jamais o perdoaria. Se ao menos ele se explicasse, as chances desse final ser feliz eram quase zero.
O rapaz suspirou sentindo seu rosto ficar úmido, Riddle estava chorando, chorando pela senhorita Wezen, por não saber o que fazer e não poder voltar atrás de suas escolhas. Se desistisse de seu plano todos o chamariam de “covarde", jamais permitiria tal feito. Ele poderia manipular a garota, teria de fazer se quisesse ficar ao seu lado.
Tentou ignorar esses pensamentos e saiu para sua patrulha noturna, ao menos encontrar alguns alunos perambulando sem autorização o deixaria distraído.
— Você precisa tomar coragem, quando vai contar a ela? — Ouviu uma voz murmurar.
— Eu não posso, Fitz. Ela jamais entenderia.
— Como não? Ela é nossa amiga. — Riddle parou de caminhar e ficou escutando a conversa antes de virar o corredor e advertir os dois.
— Ninguém vai aceitar isso! Acha mesmo que entenderiam? Sua família, seu pai, eles te largariam sem pensar duas vezes.
— Neil. — O garoto suspirou, parecia estar pronto para chorar — Nascemos doentes, podemos mudar isso, mas não aguento mais esconder.
— Eu gosto de garotas, Fitz! Esqueça isso, não seremos bem vistos.
— Eu sei, também gosto delas. Mas o que sentimos um pelo outro, você sabe do que estou falando.
— Ah Fitz. — O amigo acariciou seu rosto tentando o acalmar — Eu queria tanto poder viver em um mundo onde as pessoas não nos tratariam como aberrações.
— Vamos fugir, podemos nos virar sozinhos.
— E depois? — Neil sorriu.
— Viveremos juntos, até o fim.
— Ficaremos juntos até o fim, eu te prometo.
Logo as vozes ficaram em silêncio, Tom resolveu então mostrar que estava ali, mas ficou surpreso com a cena que viu. Neil Lament e Edward Fitzgerald estavam se beijando no meio do corredor sem qualquer pudor. Riddle limpou a garganta chamando a atenção dos rapazes.
— Com licença, vocês deveriam estar aqui? — Fitz sentiu seu rosto queimar, odiava se sentir reprimido.
— Ah. — Neil resolveu fingir que nada havia acontecido — Estávamos indo para a comunal, as escadas moveram-se e estávamos esperando.
— Certo, me acompanhe senhor Fitzgerald. Senhor Lament vá para a comunal.
— Até amanhã Neil. — Fitz esperou o amigo desaparecer no escuro e seguiu Tom que ia em direção aos corredores — O que você viu...
— Não é da minha conta. — Tom o interrompeu.
— Como? — Edward se espantou com a resposta, estava esperando apelidos, esporos ou até mesmo uma surra como já havia visto Malfoy fazer com alguns garotos.
— Você queria que alguém soubesse?
— Não.
— Então não é da minha conta.
— O que você quer?
— Por que acha que quero algo? — Sorriu cínico.
— Todos sempre querem.
— Tem razão, eu quero algo. Mas quando chegar a hora certa você saberá.
— Do que está falando?
— Não se preocupe, senhor Fitzgerald, seu segredo está guardado.
Riddle o deixou em frente as escadas para a comunal da corvinal e caminhou calmamente indo embora como uma cobra, afinal de contas o seu plano havia começado ali mesmo.
A manhã chegou rápido e logo o trio se juntou na sala-precisa para conversarem sobre alguns assuntos pessoais.
— O Edward vem? — Davina se sentou no sofá.
— Não sei — respondeu seco, estava preocupado com o ocorrido da noite passada.
— Achei que haviam se visto ontem a noite. — Winky comentou tentando encurtar sua saia em frente a um grande espelho.
— Não deu muito certo, precisei ficar na comunal.
— Que pena, vamos começar a fazer as runas no final dessa tarde.
— Sorte a sua, o i****a do meu parceiro quer fazer algo que envolva brincadeira, fala sério. — Neil reclamou revirando os olhos.
— Ainda bem que Malfoy é a minha dupla. — Winky comemorou — Acham que o professor Dumbledore vai reparar que está mais curta?
— Acho que ele não fica olhando as saias das garotas, Crockett.
— O que estão planejando fazer? — Davina a encarou animada.
— Estamos pensando em algo para revelar o verdadeiro amor.
— E ele está ajudando ou você está fazendo tudo sozinha?
— Neil! O que te deu? Por que está tão bravo assim? — A ruiva o encarou.
— Nada, só estou cansado. — Logo os dois foram interrompidos com a porta sendo aberta e o moreno passando por ela com seus cabelos totalmente bagunçados.
— Outro que caiu da cama, está tudo bem Fitz? — Davina riu fraco.
— Ah! Por que não estaria?
— Não arrumou seu cabelo hoje.
— Estava com pressa. — Encarou o amigo e sorriu — Do que estão falando? — Sentou-se entre os sonserinos.
— O trabalho de runas antigas — disse Davina.
— Não me lembre disso, já basta o almoço maravilhoso que vou ter no domingo.
— Fitz, acha que está muito curta? — Senhorita Crockett rodopiou mostrando sua saia que estava acima do joelho.
— Uma meretriz. — O rapaz sorriu.
— Bobo! Viu Neil? Deveria ter um bom humor igual ao Fitz.
— O que houve? — Fitz perguntou mesmo sabendo a resposta.
— Ele está a manhã inteira com a cara fechada. — Crockett reclamou.
— O que farão nas férias? — Davina tentou mudar o assunto.
— Treinar para o quadribol.
— Se tudo der certo estarei noiva do Abraxas, imaginem só senhor e senhora Malfoy! Winky Malfoy. Super combina.
— Você é biruta. — Todos riram com o comentário do sonserino.
— Está com inveja, porque de nós quatro você é o único que não namora.
— Como?
— Eu não namoro, Winky. — Fitz a encarou confuso.
— Pensei que estivesse com a Rosele.
— Somos amigos.
— Deveria tentar algo, aposto que ela gosta de você.
— Estou bem assim.
— O Malfoy sabe que vocês estão namorando, Winky? — Davina riu fraco.
— Só está se gabando porque está com o Riddle.
— Como? — Os garotos disseram em conjunto.
— É bobagem. — A morena corou.
— Claro que não, vocês já até se beijaram.
— Winky!
— É sério? — Neil a encarou.
— Sim, mas não é nada demais.
— Não gosto dele, Riddle é um grande mentiroso — reclamou.
— Por que diz isso?
— Davina, você acredita mesmo naquele papel de bom moço? Fala sério, eu sei muito bem quem é Tom Riddle.
— O que ele te fez? Absolutamente nada.
— Ele é um cretino, Davina! Está se aproveitando de você.
— Como ousa falar isso do Riddle? Ele é uma pessoa incrível, nunca faria nada a ninguém.
— Não? Eu o vi na noite em que Murta Warren foi encontrada morta no banheiro e ninguém sequer mencionou o nome dele.
— Não vou ficar aqui ouvindo as suas mentiras.
— Por que eu mentiria? Você merece coisa melhor Davina. Não um mestiço cínico.
— Vá se danar, Neil.
Davina saiu da sala-precisa deixando o rapaz falando sozinho, todos estavam espantados com a breve discussão que tiveram e com as alegações do rapaz.
— Por que fez isso com ela? — Winky o encarou.
— É melhor dizer a verdade antes que ele a machuque, você estava lá naquela noite. Sabe o que vimos.
— Eu não sei ao certo o que vimos, Lament. Ele só estava no mesmo andar que nós, não significa que tenha matado a Warren.
— Claro! Ninguém vai acreditar em mim. O pobre e inocente Riddle jamais machucaria ninguém. Mas o Hagrid me contou a verdade.
— Hagrid é uma criança, ele assassinou outras crianças com uma criatura medonha! Por que ele falaria a verdade?
— Já chega vocês dois! — Fitzgerald gritou os assustando — Essa briga é ridícula.
— Eu vou procurar a Wezen. — Winky saiu da sala os deixando para trás.
— Neil! Combinamos manter isso em segredo.
— Estou cansado de segredos, Edward. Acha mesmo que Riddle não vai usar o que viu ontem à noite contra nós? É ingênuo da sua parte pensar que não.
— Eu tentei explicar para ele, mas ele disse que não era da sua conta, e que não contaria para ninguém.
— O que ele pediu em troca?
— Nada.
— Diga a verdade.
— Estou dizendo a verdade, confia em mim. Estamos seguros.
(...)
Senhorita Wezen passou o dia inteiro evitando os amigos, mesmo Winky a perseguindo pelos corredores do castelo ela conseguiu fugir da ruiva. Só voltou a falar com Fitzgerald por conta do projeto de runas antigas.
— Você está bem? — O moreno a encarou enquanto faziam os desenhos.
— Não quero falar sobre isso, Fitz.
— Eu entendo, mas o Neil não falou por maldade, ele está em um dia r**m.
— Não tenho nada a ver com os problemas dele, Tom nunca machucaria ninguém. Ainda mais crianças indefesas.
— Eu concordo, mas ele disse com a cabeça quente, podem conversar depois.
— Olha Fitz, você é um amor. Mas por hora não quero saber do Neil.
— Tudo bem. — Suspirou — Posso te fazer uma pergunta?
— Claro.
— Pode ir na reunião da minha família comigo?
— Não acha que vai ser estranho?
— Somos amigos e a Winky não quer ir, disse que o Malfoy vai interpretar errado.
— Ela é maluca. — A morena riu.
— Então, você aceita?
— Preciso ir com algo formal?
— Não, mas se quiser usar um vestido azul vou ficar feliz.
— Eu aceito, mas vai ficar me devendo essa.
— Nota máxima no último trabalho de runas antigas não é o suficiente?
— Não mesmo. — Sorriu.
— Obrigado, Davina.
— Pelo que?
— Acredite, você vai causar uma ótima impressão.
— Estou fingindo ser sua amante?
— O que? Não!
— Precisa ver a sua cara. — A morena gargalhou.
— Só estou evitando problemas futuros.
— Tipo?
— Saberá quando for a hora certa.
— Quanto mistério.
Logo os colegas terminaram o que estavam fazendo, mesmo que para o projeto estar perfeito ainda levariam dias de trabalho. A noite o jantar seguia calmo, Davina sentou-se longe do amigo que a encarava sem parar, como ela podia se entregar à alguém como Tom Riddle? Isso era um desastre.
Rapidamente terminou seu jantar e foi embora para sua comunal, o dia havia sido exaustivo e a última coisa que queria agora era ouvir as desculpas esfarrapadas do sonserino.
— Boa noite, senhorita Wezen. — A garota olhou ao redor e encarou o sonserino que a analisava a cada segundo.
— Boa noite, Riddle.
— Está tudo bem? Parece um pouco abatida. — Caminharam juntos pelo corredor.
— Sim, só algumas desventuras durante o dia. Como você está?
— Bem, alguém está te incomodando?
— Não se preocupe com isso, é bobagem. — Sorriu fraco.
— O problema é que eu me preocupo. — A segurou próximo de si — Me conte tudo.
Davina suspirou, não queria causar problemas para seu amigo, tinha medo de que isso pudesse abalar a relação que esperava que tivessem um dia. Em poucos minutos os dois estavam na comunal da sonserina conversando sobre o ocorrido.
— O que ele te disse?
— Foi bobagem, já falei.
— Sabe que vou descobrir, não sabe?
— Podemos falar sobre outra coisa? O que achou da aula de dcat hoje? Gosta de vampiros?
— Sim, mas acho um pouco exagerado, são apenas criaturas estranhas.
— Não gostaria de viver para sempre? — Apoiou-se em seu peito enquanto Riddle acariciava seu cabelo.
— Você gostaria?
— Seria um pouco triste ver todos morrerem, mas adoraria conhecer o futuro. — Riddle sorriu.
— Gostaria de passar a eternidade ao meu lado?
— Seria muito bom, mas isso é loucura, não? A única coisa possível para isso seria a pedra filosofal.
— Tem razão. — Beijou sua bochecha — Adoraria passar a eternidade ao seu lado.
Os dois conversaram por um bom tempo até os alunos começarem a chegar para se recolherem. Tom estava contente com a descoberta que fez durante a noite, parecia que Davina não veria problema em separar sua alma, se não fosse por um mínimo detalhe, m***r alguém.
Logo o final de semana chegou, Riddle estava lendo um livro deitado em sua cama enquanto Davina fazia um trabalho sobre vampiros.
— O que está olhando? — perguntou encarando o amigo.
— Você fica linda estudando.
— Obrigado.
— Eu estava lendo alguns livros na sessão reservada. — Abaixou seu livro — Li sobre uma magia antiga, pelo o que descobri você pode se tornar quase imortal, mas não precisa necessariamente se tornar um vampiro.
— Como? — A garota parou de escrever.
— Bom, você liga a sua alma a um objeto, é bem simples.
— Como funciona? — O rapaz explicou da maneira mais simples e delicada possível que pode sem contar a parte terrível dessa magia.
— E por fim é isso, você pode retornar no futuro.
— Isso parece ser impossível, é preciso de uma magia muito forte, Tom.
— Certamente, mas poderíamos tentar algum dia. O que me diz? — Sorriu.
— Posso pensar sobre isso?
— Claro. — Sorriu confiante — Para que trouxe esses vestidos?
— Bom, o Edward me convidou para almoçar com a família dele amanhã, dar um apoio moral, entende?
— Por que não me avisou?
— Achei que não fosse importante.
— Não é confortável saber que a minha namorada está almoçando com outro cara e sua família — murmurou.
— Namorada? — Sorriu — Pensei que estávamos indo com muita pressa.
— Achei que queria namorar comigo. — Levantou-se.
— Nunca me perguntou.
— Então, senhorita Wezen. — A puxou para perto a fazendo dançar — Você quer ser a minha namorada?
— Senhor Riddle. — Sorriu brincando — Eu aceito ser a sua namorada. — O abraçou.
— Agora é oficial, meu amor. — A beijou lentamente.
— Está tudo bem eu ir almoçar com a família Fitzgerald?
— Sim, Edward não é um perigo para mim. Fique à vontade querida.
Os dois continuaram brincando e dançando sem parar, estavam felizes por poderem ficar juntos sem impasses ou interrupções. Riddle ainda mais, finalmente podia dizer que se sentia completo.