Dom narrando... Me chamam de Douglas, mas sou conhecido como Dom, mas não é vulgo de respeito, nem de poder. É só apelido que grudou e ficou. Fui crescendo por aí, sozinho, empurrado de um canto pro outro, aprendendo na marra que o mundo não é gentil com quem não tem ninguém. A solidão foi minha única companhia por muito tempo. E talvez por isso eu tenha me tornado esse tipo de cara: calado, sempre no canto, atento. Enquanto os outros falavam demais, eu só observava. Aprendi que silêncio, às vezes, fala mais alto que palavra. Entrei pro corre não por querer, mas por necessidade. Quando o médico me deu o diagnóstico, eu nem soube direito o que sentir. Era uma daquelas doenças que você só ouve falar, mas nunca acha que vai acontecer com você. E aconteceu comigo. O tratamento era caro, os

