Bianca narrando... Nunca fui santa. Nunca fui dessas que sonha com buquê, vestido branco e final feliz. Amor, pra mim, sempre foi uma palavra bonita usada por gente burra. Eu? Sempre fui prática. Se não vinha com status, grana ou vantagem, nem perdia meu tempo. Sempre joguei com homens como quem joga pôquer. Paulo? Um tonto com dinheiro. Renato? Útil, bruto, influente. E o Cachorro... ele era o prêmio. Dono do Morro. O cara que todo mundo temia e respeitava. Era poder andando em carne e osso. E eu queria isso. Eu queria ele. Não pelo que ele era por dentro — que ali devia ter só veneno e vazio — mas por tudo que ele representava. A gente nunca teve “nós”. Ele nunca me prometeu nada. Mas também nunca disse que eu era descartável. A gente se entendia no olhar, na cama, no silêncio. Eu sab

