Cachorro narrando...
Saber que isso que está acontecendo aqui no Morro, afeta demais o Pit, acaba me afetando também, depois que saímos da casa da Tia Célia, viemos para o pico do morro, aqui é o nosso lugar de paz e eu sabia que ele estava precisando sentar e pensar sobre tudo isso, então, eu só me mantive ali, ao lado do mesmo, esperando ele conseguir conversar...
Às horas foram passando e os seus pensamentos estavam longe, a tristeza em seu olhar, deve estar com às lembranças da Mel, a mesma era nova, tinha muito o que viver a vida dela ainda.
Pit: A gente vai acabar com esse desgraça.do, como eu ainda não sei, mas eu tô cansado dessa merda, os moradores não conseguem respirar em paz, não conseguem sair de casa e saber que irão voltar em segurança, isso não é vida.
Cachorro: Concordo, isso não é vida pra ninguém, vamos dar um jeito, fica na paz, vamos dar um jeito. — falo colocando a mão sobre o ombro do mesmo que confirma.
Não temos muito o que fazer, alguns vapores estariam do nosso lado, mas a maioria tem medo do Ganso e do Capelão, e uns, são da mesma vida de merda que eles vivem, suspiro bolado, eu não tô aguentando mais ver a comunidade dessa forma, quero poder ajudar mais os moradores, assim como eu e o Pit já estamos fazendo. Ficamos ali por mais um tempo, até que decidimos meter marcha para casa. Fizemos o toque e o mesmo seguiu caminho, entrei na minha casa e a mesma está um pouco bagunçada.
Comecei a limpar ela e depois fui direto tomar banho, hoje estamos de folga, então é dia de descansar, deitei na cama e acabei dormindo, acordei e já era quase 18h, levantei e fui direto na padaria, peguei uns pães de queijo e um pedaço de pizza caseira, voltei e passei o meu café, sentei-me no sofá e fiquei assistindo uma série que eu comecei a olhar esses dias atrás, eu já estava no tédio, decidi que ia para a Tia Célia, avisei a mesma que confirmou e fui direto para a pizzaria do Oscar.
Assim que cheguei, pedi uma de quatro queijos, porque sei que a Emily ama, peguei de calabresa e também Strogonoff, pedi uma coca bem gelada e depois de uns 40min o meu pedido ficou pronto. Paguei e meti o pé dali indo para a casa da Tia Célia, no caminho passei pelo Capelão, o mesmo estava com a cara fechada, e parecia estar drogado, ele nem me cumprimentou e eu ignorei, cheguei na casa da Tia Célia e logo a Emily abriu a porta, entrei indo para a sala e largando às coisas na mesinha de centro, a Tia Célia estava escolhendo um filme, mas levantou indo buscar os copos.
Eu gosto de passar o meu tempo com as duas, abro um sorriso ao ver a Emily se deliciando com a pizza, enquanto está prestando atenção no filme. Decidi pegar um açaí para nós três e eu sei muito bem o gosto das duas, então não me dei ao trabalho de perguntar, só fiz o pedido e fiquei aguardando, quando o filme estava acabando, os açaí chegaram. Decidimos assistir outro filme, mas não sei em qual momento, acabei dormindo.
Acordei com a Tia Célia levantando do sofá devagar e ela me deu um leve sorriso saindo dali, observei a Emily deitada e me ajeitei ao seu lado, talvez amanhã ela queira o meu pescoço, mas a saudade de dormir com ela e sentir a mesma é tanta, que eu vou aproveitar isso... Abracei ela e fiquei sentindo o cheiro do seu cabelo, não demorou muito para mim adormecer...
Acordamos na manhã seguinte e ela me olhou com os olhos arregalados, mas eu sabia que ela estava aproveitando o momento também, o que me faz questionar, se ela gosta de mim, porque ela insiste em nos afastar? A mesma decidi levantar, mas eu não deixo e a questiono, do porque ela ter mudado comigo, mas ela diz que não mudou, só que ela sabe que mudou sim, por mais que tenhamos parado de ficar, ela não precisava mudar a nossa amizade, e foi exatamente isso que ela fez...
Acabamos nos beijando, e eu estava com tanta saudade dessa desgraçada, ela é perfeita, o nosso beijo se encaixa tão bem... Ela deu um pulo do sofá e eu fiquei na minha, levantei e logo a Tia Célia apareceu com um sorriso no rosto, ela não é boba, deve imaginar o que pode ter acontecido aqui, dei um sorriso para a mesma e dei um beijo em sua testa, fui no banheiro que tem aqui e fiz às minhas higienes rapidinho, a Emily ainda não tinha voltado, e conhecendo a mesma, ela vai enrolar por um bom tempo.
Cachorro: Preciso ir lá, Tia Célia, foi muito boa a nossa noite, obrigada por tudo. — digo dando um beijo em sua bochecha.
Célia: Você não vai tomar café, Rafael? — ela pergunta meio bolada.
Cachorro: Já estou atrasado para o plantão, por isso, agora eu preciso ir. — digo sorrindo e ela confirma e grita um "se cuida".
Cheguei na boca e o Pit chegou logo atrás o mesmo estava meio distante e eu fiquei sem entender, ficamos aguardando e logo o Capelão nos chamou, ele olhou para o Pit dos pés a cabeça e eu fiquei sem entender legal essa merda toda, mas pegamos às drogas e fomos para o beco que costumamos ficar. O Pit se encostou na pedra e ficou com os seus pensamentos longes e isso me deixou meio inquieto, não gosto de ver o mesmo assim.
Cachorro: O que tá pegando? — pergunto para o mesmo que suspira bolado.
Pit: O Capelão quer a Sofia, acredita nessa p.orra? Ontem quando cheguei na casa dela, ele estava lá na porta dela, convidando ela pra sair e pedindo uma chance. — ele diz um pouco estressado.
Cachorro: Você sabia que a Sofia nunca sairia com ele, não sabe?
Pit: Sei, mas tenho medo do que ele possa querer fazer com ela, por ela não sair com ele, você sabe que nenhum deles é certo da cabeça.
Cachorro: Nada vai acontecer com a Sofia, vamos cuidar dela. — digo e ele confirma. — Mas vem cá, o que você estava fazendo lá? — pergunto e o mesmo abre um sorriso.
Pit: Depois do que rolou na Emi, ela me chamou para ir lá. — ele diz e eu serro os olhos para ele. — No início, só comemos pizza e assistimos filme, mas acabou que a gente ficou juntos, mas hoje de manhã ela já surtou dizendo que foi só uma recaída e essa merda não iria se repetir, eu não sei o que eu fiz para ela ter mudado assim comigo, namoral.
Cachorro: Tô na mesma leva, a Emily mudou e eu não faço ideia, hoje de manhã nós nos beijamos, ela parecia gostar tanto, mas logo saiu toda desgovernada, como se tivesse se arrependido, é muito r**m isso. — digo e ele confirma.
Ficamos ali tocando o nosso ponto, até que vejo dois caras que eu nunca vi aqui aparecerem, eles foram em direção a boca e eu o Pit ficamos só de olho, não demorou muito e a nossa atenção foi toda para à Samara, que estava machucada demais.
Samara: Oi meninos, queria um pino. — ela fala e eu e o Pit olhamos para ela.
Pit: O que aconteceu com você? — ele pergunta e ela fica sem jeito.
Samara: Nada, mesmo que eu falasse o que aconteceu, ninguém iria acreditar em uma viciada.
Cachorro: Que papo torto é esse, Samara, o que tá pegando?
Samara: O Tetê. — ela diz e é um dos vapores. — Ele... — ela começa a chorar e eu já penso longe. — Ele me estrup.ou!
Pit: Desgraçado, filho de uma p.uta! Isso não vai ficar assim, beleza?
Cachorro: Aí Samara, podemos conversar depois do meu plantão? — pergunto e ela confirma. — Infelizmente já não temos mais pino, vai pra casa, toma banho e depois eu passo no seu barraco pra te buscar, beleza? — falo e ela confirma saindo dali, passo a mão no rosto bolado! Não acredito nessa merda, então o Tetê é o vapor que tá fazendo essas merdas pelo morro, mas isso não vai ficar assim mesmo.