A madrugada cedeu sem drama. A cidade abriu os olhos em tons pálidos e o 17º andar já passava por checagens como se fosse um navio prestes a zarpar: luzes, sensores, crachás, uma espécie de liturgia moderna que substituía velas por cabos. Sofia acordou cedo com o corpo ainda quente do toque de Lorenzo. O beijo não foi o ponto final; foi um ponto e vírgula que prometia continuação. No elevador, o silêncio entre eles não era vazio. Havia um mapa de afeto desenhado por quem se conhece em etapas pequenas: olhar, respiração, mão que encontra a outra sem pedir provimento. Eles chegaram ao 17º com a equipe reduzida — Caetano, Vera, Arthur e dois policiais à paisana. Júlia ficou de plantão na copa do 30º, pronta para acionar “missão pastel de vento” caso algo escapasse. — Só uma coisa — disse Lo

