Capítulo 23 – Ecos do Vento

1057 Palavras

O meio-dia chegou devagar. Do lado de fora, o sol polia os vidros do prédio como se tentasse apagar as noites anteriores; do lado de dentro, tudo soava ensaiado: passos, vozes, teclados. O café na recepção transformara-se em ritual de reconstrução — cheiro de pão de queijo, riso controlado, esperança ainda com cinto de segurança. Sofia e Lorenzo chegaram juntos, sem precisar andar de mãos dadas para que o mundo soubesse. O jeito como se olhavam já denunciava: eram dois sobreviventes que aprenderam a respirar no mesmo ritmo. Helena coordenava o pequeno evento com precisão de cirurgiã. — Rotina é nossa melhor manchete — dizia, distribuindo xícaras. — Se o inimigo quer espetáculo, a gente entrega cotidiano. Vera, como sempre, controlava o invisível: registros, prazos, relatórios. Caetano c

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