O relógio do prédio marcava 09h58. A sala de reuniões estava pronta — limpa, fria, iluminada por um sol que parecia ensaiado. O café fumegava, os documentos empilhados, o silêncio quase respeitoso. Sofia olhava para a mesa e pensava como era estranho que o medo tivesse cheiro. Cheiro de papel novo, de tinta e de algo prestes a mudar. Lorenzo entrou, ajustando a gravata, mas o olhar era o mesmo: calmo, e profundamente dela. — Nervosa? — ele perguntou. — Só o suficiente pra não esquecer que sou humana. — Ela respirou. — E você? — Só o suficiente pra não esquecer que te amo. O jeito como ele disse não foi confissão. Foi constatação. E o coração dela, mesmo em guerra, entendeu. Helena surgiu logo depois, vestida de autoridade e serenidade. — Patrícia Prado chega em dois minutos. Sem

