A madrugada parecia mais longa do que todas as anteriores. O som constante das máquinas, o brilho frio das telas e o peso do silêncio formavam um cenário de guerra — não a guerra do mundo, mas a que Sofia travava dentro de si. O Projeto Vida pulsava em códigos. E o coração dela, em incerteza. Lorenzo ainda estava ali, ao lado, ajudando, tentando consertar o que podia. Mas desde a revelação — desde aquela palavra impossível, traição —, o ar entre eles era feito de vidro: frágil, cortante, prestes a se partir. No amanhecer, Sofia saiu da base sozinha. Precisava respirar, longe do som do sistema, longe dele. O vento era frio, e a cidade ainda acordava quando ela parou diante de uma praça antiga. Crianças corriam, pombos disputavam farelos, e a vida seguia, ignorando os dramas que mov

