Capítulo 05

1624 Palavras
Por Lirabela   Os próximos minutos seriam decisivos para que o Observador conseguisse escapar. Minha mente estava concentrada nos movimentos que ele fazia no ar e a forma como ele era perseguido era surreal. Agulhas metálicas eram lançadas contra ele constantemente, obrigando-o a mudar a rota no ar. Tudo o que ele podia fazer no momento era se esquivar lateralmente. “Vamos, Observador. Você consegue!”. Meu coração estava disparado, querendo ajudá-lo. Olhei para os dois caçadores desacordados e depois me liguei novamente à visão de meu elo. Definitivamente, ele era minha prioridade! Sem olhar para trás, comecei a correr em direção aos caçadores. “Venha em minha direção!”, ordenei a Observador, que seguia em direção oposta. Quanto mais tempo eu perdia correndo, mais chances havia de ele ser atingido. Observador começou a fazer uma curva no ar e foi nesse instante que uma adaga lançada na frente dele refletiu a luz do sol diretamente em seus olhos, ofuscando sua visão por milésimos de segundo. Dor! Eu podia sentir que a asa direita dele havia sido transpassada por uma agulha e doía muito. “Não desista, por favor!”. Eu queria chorar, pois nunca tinha me sentido tão impotente. Seria muito mais fácil se estivessem perseguindo a mim, mas escolheram justo ele, meu amigo. Não... ele era mais que meu amigo, era parte de mim. Aumentei a concentração de energia em torno das pernas para saltar mais rápido e alto. Isso poderia levar a algum deslocamento, mas minha saúde é o que menos me importava agora. Eu só queria segurar Observador antes da queda eminente dele. Apesar do ferimento, ele continuou se esquivando dos ataques e penetrou por entre as copas das árvores, sobrevoando entre os galhos. Os ataques pararam, já que ele tinha saído da linha de visão, só que agora ele também não podia vê-los. Eu sentia o coração dele batendo e podia sentir sua energia cada vez mais perto. Dois minutos, foi o tempo aproximado até que eu pudesse ver o Observador e esticar o braço para que ele pousasse. Depois abracei ele, protegendo-o com meu corpo e comecei a correr o mais rápido que pude em direção à f***a. Se Valente estivesse aqui agora, rapidamente despistaríamos aqueles brutamontes. “Cuidado!”, disse-me Observador enquanto a única coisa em que eu estava focada era em fugir e colocá-lo em um lugar seguro. Aumentando o impulso apenas de um lado, produzi uma rotação com meu corpo para me desviar de uma adaga e depois saltei para trás. Um dos caçadores estava, agora, de frente para mim. — Você é rápida! Foi muito difícil cercá-la, mas me diga... quem é você? — A voz dele não tinha sarcasmo ou qualquer sentimento expressivo. Talvez eu conseguisse um diálogo. — Lirabela, herdeira de Naim. — Engoli em seco quando ele estalou o pescoço depois do que eu disse. Fiquei esperando palavras ofensivas, mas, ao invés disso, baixou a adaga e começou a se aproximar de uma forma bastante suspeita. Abracei Observador com mais força e andei alguns passos para trás, relutante. — Ora, ora! Não tenha medo, jovem. Apenas me entregue a águia e tudo ficará bem para você. — Nesse instante, o restante dos caçadores chegou ao local, me cercando de todos os lados. — O que está acontecendo, Reron? — A mulher que se pronunciou tinha cabelos negros que iam até os ombros que contrastavam com os olhos castanho claros. A voz dela era um pouco mais grossa que a minha e carregava na mão uma espada com lâmina fina. — Apenas um encontro com duas raridades, Yarin. — A voz dele estava muito tranquila. Em seguida, o olhar dele se focou em mim e tornou a querer se aproximar, dessa vez mais lentamente. — Me diga, Lirabela, como Kiroshi está? Eu definitivamente não iria responder a isso. Os outros arregalaram os olhos e senti uma energia r**m emanando. Deles eu poderia esperar qualquer coisa, então não estranharia se quisessem extrair informações para achar meu pai. — Seus colegas te deduraram, Reron. Está claro que não estão aqui para conversar, então não lhe direi nada. — E considerou a possibilidade que lhe dei de passar o animal para mim? — Observador é meu elo e fiel companheiro. Prefiro morrer a abandoná-lo. — Vamos, Reron, ela já disse o que quer. Vamos acabar logo com isso! — A voz dessa mulher já estava me irritando. Segurando Observador com um braço, fiz um rápido movimento. Sacando a espada e concentrando energia, saltei proferindo o golpe contra o ar. Uma lâmina cortante de vento se formou em semicírculo contra eles, não sobrando muita alternativa além de se desviarem e aproveitei-me do movimento para tentar furar o bloqueio. Imediatamente retomaram posição e me bloquearam. Não importa o quão rápida eu fosse, não conseguiria fugir, pois eles estavam em maior número, cobrindo muito bem a área. Eram claramente peritos em cerco. Acho que eu não tinha escolha, precisaria reduzir os números se quisesse sair dessa situação viva. Segurando Observador em uma mão e com a espada na outra, avancei primeiramente em Reron, pois estava na direção que eu queria ir. Ele apenas sorriu e sacou do bolso outra adaga, para ter uma em cada mão. Não seria um combate justo, visto que os outros se moveram para lutar com Reron, dois deles com espadas e um com agulhas à distância. A lâmina de minha espada se chocou contra as duas adagas de Reron, e começamos um duelo. Cerca de doze golpes rápidos entre lâminas foram dados antes que chegasse Yarin e o outro cara da espada. Comecei a duelar com os três ao mesmo tempo, usando uma só mão e tendo que proteger Observador ao mesmo tempo, o que dificultava as coisas. O cara das agulhas ficou parado no mesmo lugar, aguardando uma oportunidade para agir e cobrindo o único ângulo em que eu poderia usar para saltar para fora da zona de combate. “Mais rápido”, era o que eu repetia a mim mesma enquanto tentava me esquivar dos ataques ao mesmo tempo em que girava minha lâmina. Em uma das esquivas, agachei-me concentrando meu manto de força na perna, proferindo um forte chute contra Yarin, que foi lançada para longe e, em seguida, consegui curvar a lâmina de forma que atingisse o outro cara, transpassando seu estômago e danificando diversos órgãos vizinhos no momento da retirada. Com dois adversários suprimidos, consegui uma brecha para deslizar no chão e, em seguida, saltar para trás de uma árvore, impedindo as agulhas de me atingirem. — Veja o que fez com Jelidrax. Você vai pagar com sua vida por isso! — Reron estava em fúria, vendo seu amigo ensanguentado, agonizando no chão. Não foi minha intenção aplicar um golpe tão letal... eu não era uma assassina. — Vocês não estão me dando outra alternativa. Ou vocês, ou eu e o Observador! Um leve movimento meu os atrairia a uma perseguição, e um leve movimento que eles fizessem me levaria a uma fuga ou mesmo a um novo embate. Ambos os lados estavam parados planejando. Jelidrax não conseguia usar o manto de força para tentar acelerar a recuperação dele, e nem adiantaria. Deixando-se entregar, fechou os olhos e morreu. Yarin não se conteve e foi chorando abraçá-lo. O que eu tinha feito? — Não! — Sua voz não era de pesar, mas de ódio. Um desejo por sangue e vingança encheu o coração de Yarin. — O que estamos esperando, Reron? Se você não for, eu vou! Atirando-se em minha direção, com a lâmina de sua espada brilhando de vermelho, saiu perfurando tudo o que estava na frente. Quando saltei para me desviar, tive que usar minha espada para bloquear as agulhas e continuar me esquivando até um novo ponto de segurança. Felizmente a energia aura do manto só permanecia no objeto enquanto estivesse em contato com o usuário da arma. Assim, as agulhas perdiam força suficiente para não ultrapassar objetos mais sólidos. De qualquer forma, bons reflexos eram fundamentais para escapar das agulhas, uma vez que o manto de força era usado para lançá-las com mais força e velocidade. Observador estava um pouco disperso e sonolento. Eu precisava levá-lo para casa e tratar da asa dele o quanto antes. Sentir ele assim reduzia minha concentração. “Descanse, você já fez o suficiente, meu amigo”. Dizer-lhe isso através da conexão de nossas energias não adiantou porque ele ainda queria me ajudar e lutar ao meu lado, cobrindo a visão de todos os ângulos. Eu jamais tinha passado por isso, e nem ele. Apesar disso, conseguíamos continuar como um só nos apoiando e nos preocupando, e uma amizade assim eu não encontraria em nenhum outro lugar. Com um a menos deveria ser mais fácil. Firmei os pés no chão esperando Yarin me alcançar com a espada, e comecei uma luta solo com ela. O que não percebi é que isso foi uma distração para que eu fosse pega nos pés, por uma daquelas cordas cortantes. A corda, revestida com a energia do manto de força e brilhando em um tom de vermelho forte, começou a envolver minha cintura e me prender cada vez mais. Eu dificilmente conseguiria quebrá-la. — É o seu fim! — Gritou Yarin, rindo junto com os outros caçadores. Eu estava estirada no chão abraçando Observador. Todos os meus inimigos se posicionaram para me m***r ao mesmo tempo e de todos os ângulos. Não havia como correr, e mesmo que eu conseguisse liberar minha espada de alguma forma, não haveria como me defender de todos os ataques. “Perdão”, foi o que consegui dizer ao Observador em pensamento antes de fechar os meus olhos para receber os golpes.
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