Por Lirabela
Tudo aconteceu muito rápido. Ouvi sons de r***o e senti um calor sobre minha pele. Era sangue escorrendo, e não era meu. Abri meus olhos assustada e tudo o que vi ao meu redor eram cinco corpos ensanguentados. Um deles era meu pai que tinha recebido todos os golpes que se dirigiam a mim, pois, em vez de ter tentado desviar ou bloquear os que podia, preferiu suportar todos ao mesmo tempo para acabar com todos os inimigos de uma só vez. Não, ainda faltava um!
— Kiroshi... é o lendário Kiroshi. Não posso acreditar! — O cara das agulhas caiu no chão assustado e em choque. Mais quatro aliados dele haviam caído, derrotados com um único golpe pelo meu pai e a lâmina esmeralda, uma espada rara e poderosa forjada com seiva de uma árvore que já não existe mais. Não havia outra espada igual, e além de extrema resistência, a lâmina esmeralda tinha a capacidade de neutralizar qualquer tipo de energia.
— Não, papai! — Libertei-me das cordas e o segurei. Ele caiu no meu braço, espirrando sangue e eu verti em lágrimas. — Me perdoe, pai! Me perdoe!
— Minha menina... — Ele estava reunindo forças para dizer as últimas palavras. — Tenho tanta coisa para te contar. Sua mãe... — Tossiu.
— Pai, não vá, por favor! Preciso de você!
— Já é tarde. — Esticou a mão para tocar meu rosto e olhou profundamente para mim. — Mais atenção, minha Lirabela e, haja o que houver, não conte sua origem a ninguém, até o momento certo. Lute com todas as forças e proteja o que é importante para você e... — Ele tornou a tossir, dessa vez com sangue. Ele estava agonizando.
— Me perdoe, pai. Me perdoe! — Era tudo culpa minha. Eu estava desesperada sem saber o que fazer. Lágrimas cobriam completamente minha visão e tremores incontroláveis tomaram meu corpo.
— Você não estava errada em defender o nosso território. Eu que errei em não ter lhe ajudado desde o começo. — Ele estava perdendo a voz. Eu m*l podia escutá-lo. — Me prometa uma coisa. Siga seu coração e não perca aquilo que é importante para você. Não desampare o Valente e tenha coragem. Amo você...
Após dizer isso, sua mão caiu e seu coração parou de bater. Eu jamais tinha enfrentado tanta dor na minha vida. Se eu o tivesse obedecido, nada disso teria acontecido e ele ainda estaria vivo. Se eu tivesse só ficado escondida...
Sou apenas uma criança, precisava dele, precisava do meu pai! Soltei o Observador por um breve instante, peguei a espada esmeralda do chão, levantei-me e caminhei em direção ao último caçador.
— É tudo culpa de vocês! — Eu nunca tinha sentido tanta raiva. Meus sentimentos estavam fora de controle e rosnei alto, com tanta raiva que não me sentia mais eu. Agora compreendia o monstro que meu pai citara tantas vezes em suas histórias. Eu simplesmente não queria me conter...
Em pânico, ele ainda tentou correr, mas rapidamente o alcancei e o matei, proferindo um golpe direto no coração. Isso não ajudou a parar minha dor, ao contrário, parecia machucar mais. Um monstro dentro de mim havia despertado e eu me tornara uma assassina. O preço disso foi demasiadamente alto e perdi a única pessoa em minha vida, e que me amava de forma incondicional... meu pai!