Episódio 7

1218 Palavras
Sebastian ergueu os olhos do jornal, sentindo uma pontada de culpa ao ver a decepção e a dor nos olhos da mulher que, tecnicamente, ainda era seu lar. — Escute com atenção, Liz, não é você. Ele mentiu com a certeza gélida de um advogado experiente, que, no fim das contas, não passava disso. — É a carga de trabalho. Ganhamos o caso, sim, mas já tenho três novos para lidar. A minha mente não para de trabalhar, mesmo quando estou com você. Não se preocupe, é só uma fase. Prometo que tudo vai ficar bem. Você ainda é minha esposa, e a única que me deixa tão e*xcitado que me dói. Ele se levantou e lhe deu um beijo rápido e superficial na bochecha antes de ir para o escritório de advocacia, deixando-a sozinha com os seus medos e lágrimas brotando nos seus olhos. Elizabeth ficou sentada, encarando o seu reflexo na cafeteira de prata, sentindo um vazio que não sabia como preencher. Na sua mente, a ideia de que estava perdendo o marido começou a criar raízes profundas, mas longe de paralisá-la, tornou-se o combustível necessário para transformar a sua insegurança numa estratégia de guerra. — Se ele precisa de fogo, eu lhe darei fogo. Pensou resolutamente. Naquela mesma tarde, em vez de ir para seu estúdio de arquitetura, Elizabeth começou a pesquisar na internet lingeries ousadas, brinquedos erót*icos, técnicas de sedução agressivas e qualquer coisa que pudesse trazer de volta o homem que sentia estar escapando por entre os seus dedos, sem perceber que o problema não era sua falta de paixão, mas que Sebastián estava sofrendo num infer*no de outro tipo. Elizabeth começou o seu plano de resgate conjugal com determinação inabalável, como alguém tentando salvar um prédio em chamas com as próprias mãos. Ela passava horas em frente à tela, a luz azul do monitor refletindo nos seus olhos cansados, mas se recusava a desistir. A princípio, navegar em sites como Agent Provocateur e Honey Birdette a deixava enjoada. Ela sempre fora uma mulher de sedas macias, rendas francesas discretas e tons pastel ou preto clássico. Ver modelos que desafiavam os limites entre o público e o privado a fazia se sentir como uma intrusa no seu próprio quarto. Não era vulgar, apenas não era o seu estilo de lingerie. Ela viu o modelo Whitney da Honey Birdette: um design com tiras elásticas que formavam um arnês no torso, com detalhes dourados que brilhavam com a promessa de submissão e poder. Então, ela se deteve em peças de látex preto brilhante, quase líquido, que pareciam uma segunda pele feita para o pecado. Ela se sentiu pequena, quase ridí*cula, se perguntando se realmente era esse tipo de mulher. — É nisso que me transformei? Ela pensou com um lampejo de amargura. — Uma mulher que precisa comprar uma nova identidade só para que o marido a olhe? No entanto, o desespero era mais forte que a modéstia. Ela precisava de algo para quebrar o transe de Sebastian, algo que não pudesse ser ignorado. Finalmente, os seus olhos pousaram numa roupa que não era apenas lingerie; era uma declaração de guerra contra a indiferença do marido, e se isso não o inflamasse, ela repensaria o casamento. O conjunto de três peças em vermelho carmesim tinha uma tonalidade tão profunda que lembrava sangue recém-derramado na neve. O sutiã era uma obra de engenharia eróti*ca. A renda era fina como uma teia de aranha, mas os aros de metal sustentavam os seus sei*os com firmeza desafiadora. O detalhe mais ousado era o design sem bojo: a renda envolvia a base e as laterais dos sei*os, mas deixava os mam*ilos completamente livres e expostos, emoldurados apenas por um delicado acabamento de seda que os fazia se destacar como joias proibidas. Ela imaginou Sebastian devorando-os com a boca. A cinta-liga, uma peça larga que abraçava a sua cintura fina, criando uma silhueta de ampulheta exagerada. Tinha seis tiras elásticas com presilhas de ouro 18 quilates que desciam pelos seus quadris, apertando a cada movimento. O contraste do vermelho vibrante com a palidez quase translúcida da sua pele era eletrizante. As meias de seda preta transparente, tão finas que pareciam uma sombra nas suas pernas, terminavam numa cinta-liga de renda floral que se misturava perfeitamente com o vermelho da cinta-liga. Enquanto caminhava, o farfalhar da seda entre a suas coxas produzia um sussurro que lhe causava arrepios. Era a roupa perfeita para um casamento em crise. Quando se viu no espelho pela primeira vez vestindo aquela roupa, Elizabeth não reconheceu a mulher que a encarava. Ela não era a arquiteta perfeita nem a esposa devotada; era uma estranha perigosa, faminta e feroz. Por um segundo, recuperou a esperança. Nenhum homem, nem mesmo um Sebastian mergulhado na apatia, resistiria a tal espetáculo. Movida por esse desejo urgente de recuperar o que havia perdido, naquela noite ela transformou o banheiro principal num santuário erót*ico, projetado para não deixar espaço para indiferença. Acendeu velas perfumadas com sândalo e patchouli, encheu a banheira com água quente até que o vapor saturasse o ambiente e abriu uma garrafa de Moët & Chandon para acompanhar um pequeno pão com queijo e presunto curado. Quando Sebastian chegou, o ar estava diferente. Havia uma vibração invisível que o arrepiou. Não era apenas o silêncio habitual do luxo; era uma quietude tensa, quase elétrica, como a calmaria antes da tempestade. As luzes da cidade filtravam-se pelas janelas do chão ao teto, banhando os móveis de design num brilho frio que contrastava fortemente com o calor sufocante que Elizabeth havia gerado lá dentro. Sebastian entrou, e o eco dos seus passos no piso de madeira ressoou com uma intensidade incomum. Ele jogou as chaves no aparador da entrada, mas não ouviu o habitual "Olá, Sebas?" vindo da cozinha. — Elizabeth? Chamou, mas sua própria voz soava estranha, abafada pela atmosfera opressiva. Caminhou em direção ao quarto principal, percebendo que o aroma persistente do escritório, o estresse do processo e o rastro do perfume de Victoria na sua lapela pareciam se chocar contra uma aura de sândalo e patchouli que emanava do final do corredor. O seu coração deu um salto. Ao chegar à porta da suíte, viu que a única luz vinha do banheiro principal: um brilho âmbar bruxuleante que projetava as sombras dos móveis na parede. Parou em frente à porta entreaberta. O vapor escapou pela fresta como um convite silencioso e úmido. Sebastian sentiu um nó de expectativa e culpa apertar a sua garganta. Empurrou a porta devagar, e o calor atingiu o seu rosto como uma carícia suave. Ali, à luz bruxuleante das velas refletida nos espelhos embaçados, Elizabeth o esperava. Ela não era a mulher que ele deixara naquela manhã, nem a futura mãe de seus filhos. Ela estava ao lado da banheira transbordando, e o carmesim da sua lingerie era a única coisa que parecia ter cor naquele mundo de vapor branco. Os olhos de Sebastian se arregalaram imediatamente. ‍​‌‌​​‌​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​‌‌​​‌​​‌​​​‌​​​‌​​‌​‌​‌‌‍
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