O som dos saltos de Victoria contra o chão do corredor era tão firme e rítmico quanto a pulsação de Sebastian enquanto caminhava ao seu lado. Eles tinham acabado de entrar no escritório, a adrenalina correndo nas veias depois de vencerem uma audiência difícil, e com aquela sensação inebriante de vitória que só os triunfos jurídicos podem proporcionar. Sentiam-se no topo do mundo, ambos igualmente.
Buscando refúgio de olhares curiosos, trancaram-se no escritório de Sebastian sem dizer uma palavra, deixando para trás o murmúrio dos outros associados. O ar entre eles ainda vibrava, denso e carregado com a energia residual do tribunal.
— Você foi incrível lá dentro, Sebastian. Disse Victoria, jogando a bolsa no sofá de couro com uma elegância despreocupada e desfilando como uma leoa. — Adoro essa sua confiança, a maneira como você lida com os juízes, como os encurrala até que eles lhe deem o que você quer — é quase viciante vê-lo em ação.
Sebastian sorriu, sentindo o orgulho subir à cabeça como uma bebida forte. Ele gostava que a sua esposa, Elizabeth, o admirasse, mas os elogios de Victoria tinham um toque diferente, um que o fazia sentir-se não apenas respeitado, mas perigosamente poderoso e e******o até a alma.
— Você também não fica atrás. Ele respondeu, desabotoando o primeiro botão da camisa enquanto sentia a gola apertar mais do que o normal. — Você é uma mulher forte, Victoria. Estou impressionado com a forma como esconde um lado tão selvagem por baixo desses ternos caros.
Como se a suas palavras fossem um convite, Victoria soltou uma risada suave. Era um carinho audível, e ela deu mais um passo à frente, invadindo o seu espaço pessoal com absoluta confiança. Victoria m*l o tocou, mas não porque não quisesse.
— Nós definitivamente formamos uma dupla imbatível, Sebastian, em todos os sentidos. Disse ela, passando o dedo pelo peito dele. — Os melhores resultados são alcançados quando ambas as partes sabem exatamente quais botões apertar para obter uma resposta.
— É por isso que não quero que você vá embora ainda. Ele sugeriu, baixando a voz até quase sussurrar, sem nunca desviar o olhar dos seus suaves olhos cinzentos. — Vamos almoçar aqui mesmo no escritório, para não perdermos tempo e podermos analisar o próximo caso.
Ela concordou sem hesitar. Ambos tiraram os paletós, ficando apenas de camisa e blusa. Aquela informalidade, num ambiente tão solene, parecia uma pequena e deliciosa transgressão. O almoço chegou logo depois, e a conversa começou a fluir com risos e comentários que sempre acabavam numa zona cinzenta, entre a paquera e o respeito profissional.
— Às vezes, os casos mais difíceis são os mais prazerosos, não é? Comentou Victoria, pegando uma uva e levando-a aos lábios com uma lentidão deliberada. — Quanto mais o adversário resiste, mais você quer quebrá-lo até que ele implore.
Sebastian ergueu uma sobrancelha e a observou chupar e morder a fruta.
— Depende das armas que você usa. Respondeu Sebastian, mantendo o olhar fixo nela enquanto tomava um gole de vinho. — Algumas estratégias podem ser bem invasivas, Victoria.
— Eu gosto de invasão. Ela respondeu, inclinando-se sobre a mesa enquanto brincava com a borda da taça, revelando a barra do corpete de renda. — Gosto quando um homem sabe reivindicar o seu território sem pedir permissão. Por exemplo, este vinho está delicioso, mas será que o seu paladar é melhor do que o da safra anterior?
Sebastian sentiu uma faísca de desejo percorrer o seu corpo.
— Você poderia descobrir, mas receio que, se começar a provar, não vai querer parar. Ele respondeu, sem se sentir culpado ou infiel.
— É o risco que estou disposta a correr. Ela sussurrou, roçando o pé nele sem querer por baixo da mesa. Ela roçou a perna dele delicadamente e sensualmente. — Será que Elizabeth te satisfaz assim, com essa fome, ou será que ela só te oferece porções de cortesia? Um homem com o seu apetite não deveria se contentar com migalhas, não quando existem mulheres capazes de lhe oferecer um banquete completo.
Victoria sustentou o olhar dele, mantendo o desafio, enquanto o farfalhar dos pés sob a mesa se transformava numa declaração de guerra. O tempo parecia ter parado em meio ao tilintar dos talheres e ao calor crescente que os envolvia. Quando terminaram de comer, a tensão era quase insuportável. Victoria fez menção de se levantar, mas seus olhos, carregados de uma promessa sombria, diziam o contrário, assim como os seus ma*milos rígidos e eretos.
— Preciso ir ao escritório. Tenho mil e-mails que exigem a minha atenção imediata.
Sebastian não queria que ela fosse embora. Sentia-se tão à vontade com ela que não queria que ela se despedisse quando a conversa estava tomando rumos tão requintados. Mais um minuto, mais um olhar, mais uma paquera.
— Fique mais um pouco. Pediu Sebastian, a voz um sussurro buscando a sua cumplicidade. — Preciso da sua opinião profissional sobre um caso de divórcio que está me incomodando.
Victoria concordou com um sorriso cúmplice que prometia mais do que dizia. Aproximou-se da escrivaninha e inclinou-se sobre ela, perto o suficiente para que o aroma do seu perfume — uma mistura de madeiras e especiarias orientais — impregnasse o ar de Sebastian. Ele começou a explicar os detalhes, mas ela parecia estar analisando algo completamente diferente: ele.
— É um caso típico. Comentou Victoria, traçando com a ponta do dedo a borda de madeira da escrivaninha, desenhando uma linha imaginária na sua direção. — As esposas são sempre as mesmas. Acomodam-se a uma rotina, negligenciam os maridos, desistem de se esforçar e depois choram quando os maridos procuram em outro lugar o que elas não têm em casa. Esquecem que um contrato, como um casamento, exige manutenção constante e muita paixão.
— É um caso típico. Comentou Victoria, traçando com a ponta do dedo a borda de madeira da escrivaninha, como se estivesse traçando uma linha imaginária na sua direção.
Sebastian permaneceu em silêncio, sentindo aquelas palavras como dardos disparados diretamente contra a sua realidade com Elizabeth. Buscando escapar da própria consciência, perguntou:
— Você acha que as esposas são as culpadas? Fixou o olhar no dela, buscando justificativa para a traição que já se desenrolava na sua mente. — Você acha que elas apagam a chama?
— Acho que um homem como você precisa de um fogo constante, não de uma brasa moribunda que só solta fumaça. Ela respondeu secamente, com o rosto a centímetros do dele. — Se elas não sabem como manter a chama acesa, não podem reclamar de outra pessoa trazer a gasolina. Eu sempre carrego um galão extra, caso você queira brincar com fogo de verdade.
Sebastian sentiu um calor repentino se espalhar pelo peito até o pê*nis. O jeito como Victoria o olhava era um desafio aberto, um convite descarado que ele estava prestes a aceitar.
— Às vezes. Ele sussurrou. — O perigo da gasolina é que tudo pode acabar queimando rápido demais.
Victoria não se moveu. Pelo contrário, ela inclinou-se um pouco mais sobre a mesa, diminuindo a distância até que os seus rostos estivessem a meros centímetros de distância. Sebastian podia sentir o calor irradiando da sua pele e ver o brilho de vitória nos seus olhos. Ela olhou para seus lábios e depois de volta para seus olhos, mantendo o desafio.
A tensão era tão densa que o ar no escritório parecia ter desaparecido. Sebastian estendeu a mão, m*al roçando a cintura de Victoria, e quando ela entreabriu os lábios, prestes a selar aquela promessa silenciosa com um beijo, o clique metálico e agudo do interfone cortou o ar.
O encanto quebrou-se como vidro atingido por uma pedra. Sebastián deu um pulo, afastando-se abruptamente, enquanto Victoria se levantava lentamente, soltando um suspiro frustrado e impaciente. Ele pigarreou, tentando recuperar a compostura, e apertou o botão do aparelho com os dedos levemente trêmulos.
— Diga-me, Clara. Disse ele, com a voz um pouco mais rouca que o normal.
— Senhor, desculpe interromper. respondeu à secretária. — Mas sua esposa está na linha dois. Ela disse que não conseguiu falar com o senhor pelo celular e parece um pouco preocupada.
Sebastian soltou um suspiro que nem sabia que estava prendendo, enfiou a mão no bolso e tirou o celular. A tela mostrava várias chamadas perdidas de Elizabeth, e ele lembrou-se então de que o havia deixado no silencioso para a audiência e esquecido de ativar o som. Ele olhou para Victoria, que agora o observava com uma sobrancelha arqueada e um sorriso cínico, e então atendeu a chamada como se não estivesse beijando Victoria desesperadamente naquele momento.
— Oi, Liz. Disse ele, forçando um tom natural. — Desculpe, querida, o julgamento se estendeu e eu esqueci de ativar o som do meu celular.
— Sebastian! Ainda bem. A voz de Elizabeth soou doce e aliviada do outro lado da linha, como se um peso tivesse sido tirado dos seus ombros. — Eu estava começando a achar que algo tinha acontecido com você. Liguei para te lembrar que temos o nosso jantar especial hoje à noite. Você se lembra, não é? Não quero que o trabalho roube a sua noite.
Sebastián sentiu o olhar de Victoria fixo nele, analisando cada palavra. Ele engoliu em seco e voltou para a ligação.
— Claro, Elizabeth. Eu jamais esqueceria um encontro com você. Respondeu, embora os seus olhos permanecessem fixos na mulher à sua frente e no jeito como ela deslizava o dedo pelo decote. — Estou terminando algumas coisas e te vejo em casa daqui a uma hora.
Quando desligou, o silêncio no escritório ficou pesado. Sebastián desviou o olhar de Victoria por um segundo enquanto pegava o paletó no encosto da cadeira. Ele precisava ir, mesmo que uma grande parte dele quisesse ficar e terminar o que havia começado.
— Preciso ir. Disse, tentando soar profissional e casual, minimizando algo que estava se tornando cada vez mais importante. — É um jantar que eu tinha combinado com a Elizabeth.
Ele vestiu o paletó e caminhou em direção à porta, sentindo como se estivesse fugindo de algo que ainda o chamava, mas antes de sair, parou e olhou para Victoria, que ainda estava encostada na mesa, com a postura relaxada, porém imponente. Victoria virou-se para encará-lo, e o ar lhe faltou na garganta.
— Não me espere. Ele acrescentou, pigarreando e voltando-se para a porta. — Não voltarei ao escritório hoje. Estou ocupado esta noite."
Victoria umedeceu os lábios lentamente, mantendo aquele sorriso travesso que lhe dizia que sabia exatamente o que ele estava sentindo e como o seu coração disparava só de vê-la.
— Vá, Sebastian, e aproveite o jantar em família. Ela respondeu com uma voz suave, mas determinada. — Mas não se engane; sempre estarei esperando por você. Eu sei disso, porque uma parte de mim sabe que, mais cedo ou mais tarde, você vai precisar de uma fogueira de verdade.