Liz acordou com o som distante de um monitor apitando em intervalos espaçados. O teto era branco demais. As luzes, fortes. O ar, seco. O cheiro, uma mistura de álcool, desinfetante e plástico. Por um segundo, não soube onde estava. Piscou devagar. Tentou virar o rosto. O corpo doía, como se estivesse fora de si. Aos poucos, o vulto de Hariel apareceu ao lado da cama. Sentado numa cadeira, os olhos vermelhos, a mão segurando a dela com força, como se a estivesse impedindo de sair do mundo. — Hariel...? — Ele levantou o rosto na mesma hora. Os olhos brilharam de alívio, mas o sorriso demorou a vir. — Oi, amor. — a voz saiu baixa, embargada. — Graças a Deus... — Onde...? — No hospital. Tu desmaiou no carro. O motorista ajudou muito. A gente veio direto. Tão te monitorando desde que chego

