O sofá da sala tava quente de sol e cheio de gente. Liz se afundava no canto, as pernas encolhidas, uma almofada improvisada no colo e a colher mergulhada no pudim gelado que Hariel trouxera da lanchonete. O creme doce derretia na boca, mas o que aquecia de verdade era o clima na sala: risos baixos, conversas sobre fraldas, palpites de nomes que variavam entre o absurdo e o sentimental. Malu sentou-se no braço do sofá, perto da filha, e não parava de passar a mão no cabelo dela. — Tu quer mais cobertura de caramelo? — perguntou, pela terceira vez. — Mãe, pelo amor de Deus... eu nem terminei esse pedaço. — Mas grávida tem que comer bem. Vai criar um bebê fortão. Já pensou nascer franzino por falta de doce? — Eu posso comer depois. Ainda tô enjoada, lembra? — E eu posso guardar o potin

