Liz ajeitou o notebook no colo, empilhando duas almofadas para tentar melhorar a postura. A tela iluminava o quarto com aquele branco azulado cansativo, e a voz do professor, transmitida pelo fone, ecoava como se viesse de dentro de uma caixa. Faculdade remota. Era para ser prática, para ajudar a conciliar a gravidez e o repouso, mas às vezes parecia uma cela delicadamente decorada. O cursor piscava na barra do Google Docs, onde ela devia escrever um resumo do artigo da semana. Mas a mente estava em outro lugar: no barulho da rua que ela ouvia pela janela entreaberta, no cheiro de feijão que vinha da cozinha do vizinho, na lembrança de quando atravessava o portão com a mochila nas costas, rindo com Julia e Luiza no caminho. Saudade do corpo em movimento. O professor falava sobre metodolo

