Hariel chegou cedo à agência, com o corpo ainda carregando o cheiro de tinta fresca do quartinho amarelo pastel. No elevador, o reflexo no aço escovado devolveu um rosto firme e um cansaço bonito, o de quem vinha dividindo o fôlego entre trabalho e casa, pitch e pré-natal, prazos e o som do tum-tum gravado no celular. Helena o esperava na sala envidraçada com uma xícara de café e um tablet. Ao lado, Camila, do RH, folheava um papel grampeado com clipe cor de cobre. A mesa tinha a frugalidade das decisões grandes: duas canetas, um copo d'água, o contrato virado de cabeça pra ele. — Senta, Hariel. — Helena abriu o sorriso de quem gosta do que está prestes a dizer. — Bora ser rápidos como você gosta. O piloto RJ que você puxou na última semana não só foi aprovado pelo board como virou linha

