Quando a luz da manhã derramou um amarelo manso pelo quarto, Liz já estava acordada, deitada de lado, ouvindo o ventilador assobiar no mesmo compasso de sempre. O corpo pesava de um jeito novo, não era cansaço apenas, era aquela mistura de dorzinha puxa-levanta na lombar, peito sensível, pele que parecia mais fina em certos pontos e mais teimosa em outros. Virou-se devagar e, por um instante, encarou o próprio reflexo no espelho do armário: a barriga arredondada, as linhas claras começando a riscar a lateral do quadril, o elástico da camisola deixando uma marquinha embaixo do seio. Não gostou à primeira vista. Fez uma careta discreta, como quem encontra uma foto antiga que não favorece. O pensamento veio rápido, impiedoso e íntimo: "Eu não tô bonita. Tô... diferente." Tentou ajeitar o

