No dia seguinte, Hariel acordou antes do despertador. Ficou alguns segundos deitado, ouvindo o ventilador marcar o compasso do quarto e o respirar lento de Liz ao lado. A luz da manhã entrava em lâminas finas pela cortina, e ele já tinha um plano mapeado na cabeça: liberar o quartinho, pintar de amarelo pastel e deixar tudo seco e seguro antes do fim do dia. Levantou na ponta dos pés, conferiu a água de Liz, ajeitou dois travesseiros sob as panturrilhas dela - recomendação da médica - e deixou um bilhete na mesa de cabeceira: "Se acordar, grita. Tô aqui do lado: missão tinta." No segundo quarto, o "antes" parecia um inventário de carinho: o berço branco centralizado, os três cestos de palha alinhados, a prateleira quase reta, a naninha de estrela, o varão já com a cortina de voil. Hari

