O portão rangeu como sempre, mas naquele dia parecia mais alto. Mais lento. Hariel entrou na frente, a mochila nas costas, o envelope firme na mão. Liz vinha logo atrás, andando devagar, os ombros curvados e os olhos presos no chão da escada. O sol do meio-dia batia no muro da frente e fazia a casa parecer mais vazia do que o normal. Era como se tudo ali estivesse esperando. A cama não tinha chegado. O tapete da sala ainda estava com as almofadas amassadas da noite anterior, e o colchão no quarto continuava estendido no chão, com o lençol torto e um travesseiro fora do lugar. — Tu vai deitar? — ele perguntou, tirando os tênis ao lado da porta. — Quero. — a voz dela saiu baixa. — Só descansar um pouco. — Tá. Vou ajeitar o colchão. Liz ficou parada na porta do quarto, encostada no baten

