61 - Hariel

1487 Palavras

O 497 balançava mais do que de costume. Hariel estava em pé, mão esquerda agarrada no ferro frio, a outra dentro do bolso, protegendo a foto do ultrassom como se fosse uma joia. Não olhava a paisagem; olhava pra dentro. E por dentro estava um vendaval. Tum-tum. Tum-tum. O som voltava em ondas. Ele fechava os olhos e via a manchinha branca no mar cinza da tela. Seis semanas. Um ponto de luz. Um começo. Quando desceu no ponto da agência, o cheiro de asfalto quente e pastel de feira misturado subiu direto ao nariz. Pensou em Liz. Deixara ela deitada, a foto impressa na mesinha, cara de exausta e feliz ao mesmo tempo. Tinha prometido voltar com coxinha e brigadeiro. Promessas importantes, daquelas que seguram o dia. Entrou no prédio. Portaria fria, elevador espelhado, sua cara pálida refle

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