Capítulo 11

4037 Palavras
Ele pilotou até o lugar com pressa — algo estava acontecendo e isso o deixou inquieto. Eu estava um pouco nervosa, poderia conhecer um pouco mais do mundo dele, mas não sabia se iria gostar. Ele deixava claro que gostava de corridas clandestinas, coisas como apostas, e obviamente tudo isso vinha envolvido com brigas. Mas o que quer que acontecesse, eu precisaria ficar calma. Uma garota histérica no meio do problema dos outros seria a última coisa que ele iria querer. Estávamos no centro da cidade, em um lugar mais afastado da movimentação. Ele estacionou a moto perto de um bar de motoqueiros e correu por uma rua até chegar a uma área aberta. Tive que tomar cuidado para não tropeçar e cair enquanto o acompanhava. O lugar era uma área enorme, quatro motos estavam paradas uma ao lado da outra com os faróis ligados e vários homens estranhos de jaquetas de couro ao redor. Havia somente um lugar vago. Um garoto estava parado lá no meio, segurando uma bandeira branca enquanto olhava para o mesmo lugar que os caras nas motos. Segui o olhar deles até um canto e percebi uma briga de dois rapazes, ambos pareciam jovens. Eu fiquei para trás enquanto Luke foi até eles. Ele parou a briga dos rapazes se colocando entre eles, e puxou o outro, saindo da roda que tinha se formado. Derek estava parado ao lado dele com o olhar em mim. — A culpa é dele. Aquela corrida não valeu. Eu não vou entregar minha moto a esse i****a. Foi trapaça — disse o garoto que Luke segurava. — Eu te disse que não era para participar das corridas. Disse para ficar fora disso. Agora tem que arcar com as consequências. — Sem essa! — gritou o menino, puxando a jaqueta e livrando-se de Luke. — Ele trapaceou. Eu não vou entregar minha moto. — Não foi trapaça — disse o outro. Ambos estavam machucados. — Você perdeu. Aposta é aposta. Luke encarou o cara enquanto afastava o outro menino. Eu podia ver sangue escorrendo de seu rosto. — Se não foi trapaça acho que você vai aceitar uma corrida. Somente eu e você. Se eu ganhar pego a moto dele de volta. — E se eu ganhar? — perguntou o rapaz, com um sorriso no rosto. — Você fica com a moto dele e a minha. Os outros caras por ali começaram a falar com Luke, tentando fazê-lo desistir, mas ele não deu ouvidos aos outros e veio até onde eu estava. — Espera por mim aqui. Eu já volto. — V-Você não deveria fazer isso. E se esse você perder? Vai ficar sem a sua moto. Não vai mais poder correr. Ele piscou para mim, fazendo um sinal com a cabeça, e Derek parou perto de mim. — Pode deixar. Eu tomo conta dela. Mas eu ainda acho que isso é loucura, cara. Conhecemos o Dony há um bom tempo, e todos sabem que ele realmente trapaceia. Ele vai fazer você perder. — Eu não tenho medo dele. Luke correu até o meio da pista, conversando com um cara cheio de tatuagens espalhadas pelo corpo e piercings no rosto. O homem fez sinal para ele e lhe entregou algo — uma chave, eu acho. Os outros homens se afastaram da pista, desligando os faróis. Ficaram só Luke e o outro rapaz, Dony. Em seguida eles ligaram os faróis e o menino no centro da pista abaixou a bandeira. Vários homens — e até mesmo algumas garotas — estavam em volta do lugar gritando euforicamente. Eu podia escutar a torcida dividida entre os dois. — Eu aposto duzentos em Dony. Luke pode ser bom, mas tenho certeza que Dony vai trapacear — disse um dos caras perto da pista. O outro bateu no ombro dele. — Eu aposto quinhentos no Luke. É certo que ele já ganhou essa. O outro começou a rir como se o outro tivesse contado uma piada. Eu estava começando a ficar nervosa no meio de tantas pessoas. Derek estava parado ao meu lado dividindo o olhar entre a pista e eu. As motos aceleraram e algumas pessoas começaram a correr, mudando seus lugares na pista para ver melhor. Tudo o que restou para trás foi poeira. Sai de perto de Derek indo onde as outras pessoas estavam. O tal Dony acelerou a moto, ultrapassando Luke, e em seguida derrapou, chutando pelo caminho um monte de areia, que logo se espalhou pela pista, levantando poeira e atrapalhando a visão. A moto de Luke derrapou e quase bateu em um daqueles latões de fogo de beira de estrada. Um tempo depois, todos voltaram aos seus lugares correndo, e era possível escutar o barulho das motos se aproximando. Encarei a pista, tentando ver melhor, mas tudo o que conseguia enxergar era escuridão e dois fracos faróis ao longe. Havia uma faixa branca no meio da estrada, entendi como ali sendo a linha de chegada. As motos começaram a se aproximar e percebi que Dony tinha certa vantagem em Luke; a moto dele estava mais à frente. Os dois aceleraram e as pessoas gritavam eufóricas, pulando e apontando. Quando achei que Dony ia ganhar, Luke acelerou, passando por ele e atravessando a faixa branca. Foi um ato involuntário, mas eu acabei gritando em comemoração junto às outras pessoas. Mais pelo fato de ele estar bem do que pelo fato de ele ter ganhado. Tá, talvez um pouco dos dois. Estava prestes a ir até lá quando Derek me puxou para trás. Eu congelei com seu toque. — Eu estou bem, agora, me solta. — Acho melhor esperar ele vir até aqui— respondeu ele, ainda segurando o meu braço — Eu disse para você me soltar. — Empurrei-o. Luke parou perto de nós. — Está tudo bem aqui? — perguntou ele, desconfiado, encarando Derek. As pessoas ainda gritavam eufóricas. Dony estava do outro lado, com raiva, chutando alguma coisa enquanto os outros caras se preparavam para correr. Derek se afastou de mim, levantando as mãos como forma de dizer que ele não tinha nada a ver com isso. O menino correu até Luke. Ele me observou e em seguida bateu no ombro dele. — Eu sabia que você conseguiria. — Acho que já pode passar os quinhentos. — disse o cara da aposta, enquanto o outro abria a carteira de cara fechada e o entregava algumas notas de cem. Dony parou perto de Luke, o entregando uma chave. Ele jogou em direção ao outro garoto, que parecia só ter uns dezessete anos. O que, se realmente fosse verdade, ele não deveria estar dirigindo. — Na próxima vou deixar você resolver isso. O problema é seu. — Desculpa, Luke. Vocês estão sempre me dizendo para não correr, enquanto vocês fazem isso. Eu gosto da adrenalina. — A diferença é que você é só uma criança, Harry — disse Luke. — Nem deveria estar aqui. — Você também começou cedo. Não tem o direito de me dar ordens. — o garoto fechou a cara e saiu. — Vamos sair daqui. — disse Luke, pegando a moto e chamando Derek. — Você pode guardar a outra moto? Está estacionada na rua de trás, pode usar ela hoje. Eu vou ficar com a sua. Luke jogou uma chave para Derek e ele a pegou antes que caísse no chão. — Ok. Ele trocou de moto o que ficou evidente que pretendia correr mais naquela noite. Ele seguiu até a rua principal e me entregou o capacete. Parecia estar com raiva e eu não queria chateá-lo mais com perguntas. Pela expressão em seu rosto, percebi que ele não tinha gostado nem um pouco da reação do Harry. — Você está bem? Derek não te incomodou, certo? — Não. Eu... estou bem. — Não foi bem o que tinha planejado para hoje. — Ele praticamente pedia desculpas com o olhar. Ele tinha se decepcionado tanto quanto eu quando achei que a noite terminaria daquela forma estranha no boliche. — Você disse que queria me deixar impressionada, e conseguiu. — Confessei, forçando um sorriso. Estava impressionada, assustada e nervosa. — Tem certeza que está bem? Parece... — Estou! — disse, mas era mentira. Derek tinha me assustado, me puxando daquele jeito. Eu odiava quando as pessoas faziam isso. Deixavam-me nervosa. Ele levantou da moto. — O que ele disse a você? — Nada! — Está mentindo. — Percebi a mandíbula dele se contrair, ele estava ficando com raiva. — Ele não me disse nada. Ele me puxou para que eu esperasse por você onde estava — disse, respirando fundo. — Eu fico nervosa quando as pessoas me tocam. Ele subiu na moto, entregando-me o capacete, e segurei nele. Sabia que estava tremendo, e ele percebeu, mas tentei não me importar muito com isso. — Vou levar você para casa. — Não! Há essa hora meu pai já deve estar em casa, me leva para casa da Arielle. Ele assentiu. — Derek não fez de propósito. Tenho certeza que ele só estava tentando impedir você de ir até a pista. As pessoas ficam agitadas lá e você poderia se machucar. — Eu sei — respondi. Ele pilotou, parando alguns minutos depois já na porta de casa de Arielle. Ele estava com uma expressão séria no rosto, diferente de quando tinha ido me buscar em casa. Ainda devia estar com raiva pelo que tinha acontecido lá na pista, o que afetou bastante seu humor. — Obrigada por hoje — disse. — Foi... interessante. Ele sorriu — Não foi tão divertido quanto eu esperava. Não achei que eles fossem estragar a noite com um problema daquele. — Está brincando? Foi a melhor parte. Eu quase tive um infarto vendo você correr. Por uma fração de segundo achei que não fosse ganhar, mas passou por aquele cara, me surpreendendo, e ganhou. Foi emocionante. Ele sorriu de lado colocando o capacete e deu partida na moto. — Vejo você amanhã — Falou. Liguei para Arielle pedindo para que ela descesse até o portão, não podia entrar, pois Julia acharia estranho me ver ali àquela hora da noite. Minha sorte é que ela ainda não tinha ido dormir. — O que está fazendo aqui? Espera… não me diga que você…. — Eu aceitei sair com ele. — Meu Deus, Verônica! O que deu na sua cabeça?— Ela me encarou de olhos arregalados. — Não grita — disse, colocando a mão em sua boca. — Sua mãe pode escutar. — Eu achei que você não fosse — falou mantendo o olhar no meu. — Eu não ia. Será que pode me dar cobertura essa noite? Meu pai não sabe de nada. — Eu quero saber os detalhes — resmungou ela. — Eu te conto em casa. — Então, espera, tenho que avisar à minha mãe que vou passar a noite na sua casa. Ela desapareceu portão adentro e pude escutar a conversa com Julia, avisando que iria passar a noite na minha casa. A luz do quarto dela, no andar de cima, foi acesa e ela demorou um pouco lá. Depois que Arielle pegou suas coisas, fomos para minha casa. Como previsto, o carro do meu pai já estava parado lá fora, e as luzes de casa estavam acesas. Entramos e ele estava sentado na banqueta da cozinha, comendo. — Humm, que cheiro bom. Isso me deu fome. Acho que escolhi um dia bom para dormir aqui — disse ela, indo até a cozinha, e meu pai nos encarou. — Eu achei que vocês tivessem saído juntas. Vocês não comeram nada no caminho? Ela me encarou, surpresa. — É... Sabe como ela é… — Está tudo bem com você, querida? Está um pouco estranha — disse meu pai, e Arielle caiu na gargalhada. — Desculpa! É... Eu disse isso a ela hoje, por isso que eu ri. — Eu estou bem! — suspirei. — Vou para o quarto. Eu subi, levando as coisas de Arielle enquanto ela ficou na cozinha, jantando com o meu pai. Tirei aquela roupa, coloquei o pijama e voltei para a cozinha para acompanhá-los na comida. O clima estava estranho, pois Arielle insistia em lançar um olhar desconfiado para mim, enquanto meu pai simplesmente nos encarava, dava de ombros e voltava a atenção para a comida. O resto da noite passei explicando a Arielle as coisas que tinham acontecido no encontro. Ela não pareceu acreditar, assim como eu não acreditaria se fosse com ela. — Quer dizer que você reencontrou Christie e Eddie? Eles ainda estão juntos? Incrível! — Ela disse para repetirmos aquela noite de novo. Disse como se tivesse sido a melhor noite do mundo. — Foi melhor para eles, só se for. Aquele foi o pior dia de todos, não há um dia em que eu não me arrependa por ter chamado aqueles idiotas para sua casa. Era para ser só a noite dos filmes, mas acabou em confusão. — Você não tem culpa; nem eles. Eu também achei que seria legal. — Mas Caleb tinha que bancar o i****a… — ela colocou a mão na boca, me encarando de olhos arregalados. — Desculpa. É que escapa, sabe, eu falo sem pensar. —Você acha que ele pode voltar? Para a cidade, quero dizer. — Eu duvido. Ele sempre deixou claro o quanto odiava essa cidade. Deve estar vivendo feliz em outro lugar. Eu espero mesmo que ele nunca mais volte a pisar aqui. Assim eu esperava também. A noite com Luke tinha sido divertida e deveria ser nisso que eu tinha que pensar. Por mais que eu tenha ficado aflita vendo-o correr naquela pista, não podia negar que tinha sido legal. Ele tinha me explicado como jogava boliche, e pela primeira vez na vida eu tinha conseguido marcar um strike. Além disso, pude conhecer um pouco mais dele, e não só aquela fachada que ele demonstrava ao mundo. Depois de desligar as luzes, fiquei deitada, pensando sobre aquela noite. Luke parecia ser uma pessoa legal, e era só isso. Eu não conseguia pensar nele de outra forma além de amigo, mesmo se eu quisesse só um pouquinho, acreditaria que nunca conseguiria estar pronta para um relacionamento novo. Ele conseguia fazer com que eu me sentisse viva, conseguia fazer meu coração acelerar de novo, o que não acontecia há anos, e eu me sentia feliz com isso, mas sabia que era algo momentâneo. Tinha que ser. Eu acabei adormecendo. Estava em um lugar estranho no centro da cidade, estava chovendo muito e trovoando. Eu olhava para as gotas da chuva pingando na janela fechada do carro. Eu estava no banco de trás do carro parado. De alguma forma eu sabia que estava sonhando. Luke estava ao meu lado, segurando o meu braço, a expressão em seu rosto dizia que esperava a resposta para alguma coisa. Eu desviei o olhar do dele e ele voltou a segurar o meu braço, dessa vez de forma mais brusca. Ele me virou de frente até que pudesse olhá-lo nos olhos. — Luke, para. Esse tipo de brincadeira não tem graça. Eu quero voltar para casa. — Estamos no meio de uma coisa agora, eu não vou levar você para casa — disse ele, avançando e tentando me beijar. Eu o empurrei com força. — Não estamos no meio de nada. A expressão dele mudou de um sorriso para algo mais sério. — Por que você sempre faz isso? Sempre que tento me aproximar de você, você me afasta?! Eu já estou me cansando disso. Eu quero você. Ele tocou meu cabelo como se o avaliasse, e em seguida aproximou-se. Eu comecei a congelar, não queria aquilo, por que ele simplesmente não aceitava? Por que estava fazendo as coisas exatamente como o Caleb...? Ele me segurou com força e começou novamente a tentar me beijar. Eu o empurrava e as mãos dele me apertavam me impossibilitando de mexer. — Luke, para. — Relaxa, eu não vou machucar você. — Já está fazendo isso — retruquei. Ele parou o que estava fazendo e me encarou. Eu congelei, ficando sem ar, parecia que todo o meu corpo estava tremendo por dentro, mas não era isso, era a vontade de chorar. Não era mais Luke que estava ali, era Caleb. Ele continuava o mesmo. O cabelo repicado castanho escuro, o olhar e o sorriso fofo, até mesmo a forma que ele me olhava. Tudo isso mudou para uma expressão mais maléfica, mais sombria. — Temos que continuar o que começamos — ele se aproximou. — E uma dica: Você não vai fugir de mim. Nunca. Ele me segurou com força e tocou o meu rosto, eu afastei a mão dele, mas ele foi mais rápido, segurou o meu rosto e me beijou com força enquanto eu tentava me soltar. Então ele me jogou no banco do carro, fazendo com que eu me deitasse, e ficou por cima de mim. — Caleb, para. Eu tentava gritar, mas não conseguia, parecia que estava sendo sufocada, minha voz não saia, eu não tinha força para impedi-lo, eu não conseguiria, assim como não consegui da última vez. Eu mordi os lábios dele e ele me encarou com uma expressão diabólica no rosto enquanto me dava um t**a e forçava seu corpo contra o meu. — Eii, V. Acorda! — gritou alguém. O cenário mudou drasticamente e eu acordei assustada e com o coração disparado. Arielle estava parada ao meu lado com uma expressão horrorizada no rosto enquanto meu pai estava parado à porta, me encarando. Os dois pareciam tão assustados quanto eu. — Você está bem? Estava gritando... — disse ela. — E-eu... — comecei, mas não consegui terminar. Olhei para os pulsos e as roupas, ambos estavam normais, não havia nenhuma marca. Tinha sido realmente um sonho. Minha respiração estava irregular e meu coração acelerado, eu estava até mesmo suando. Respirei fundo antes de dizer alguma coisa. — Eu estou bem. Só... Tive um pesadelo. Meu pai me encarou, ainda parado na porta. Parecia que ele lutava contra a vontade de entrar no quarto e me dar um abraço, em seguida ele assentiu com a cabeça e saiu, relutante. — Tem certeza que está bem? Parecia até que estava tendo um sonho e*****o, aposto que foi com Luke. Eu ri nervosamente. — Não! Era... O Caleb. — Ah... Era um pouco mais de cinco horas da manhã, eu não consegui voltar a dormir, o que consequentemente me fez levantar mais cedo da cama para a escola; assim eu teria um pouco de tempo para tomar café da manhã adequadamente e até ficar um tempo na cozinha com o meu pai antes de ele sair. No horário da escola, acordei Arielle para irmos. Ela tinha voltado a dormir e eu precisava acordá-la mais cedo, porque assim ela teria o tempo necessário para se arrumar e não nos atrasaríamos. Já na escola, caminhei para a sala de aula enquanto passava por Luke. Ele me encarou, piscou para mim e seguiu até o seu lugar. Neste momento vieram à minha mente as imagens do sonho. Era estranho sonhar com Luke daquela forma. Tão diabólico. Não achava nem um pouco que ele se parecesse com a pessoa no sonho. Era uma confusão de realidades. Raquel entrou com Lucianna enquanto nos observava sorrindo, eu a ignorei enquanto tentava me manter concentrada,. A professora tinha acabado de chegar. — Espero que estejam prontos, pois hoje o dia será animado — dizia a professora Lenne enquanto anotava algo na lousa. — Como vocês se comportaram na última aula, com exceção de algumas pessoas... — dizia ela enquanto olhava para Drake e Arielle — Voltaremos à sala de química. Quero deixar claro que vocês foram muito bem na redação e no experimento químico, todos tiraram nota boa. Estou até orgulhosa de vocês. — Também, não era para menos. Vocês nos matam com tanto trabalho. Se não tirássemos uma nota boa, ou seriamos muito burros ou idiotas — disse Raquel. Eu a encarei, perplexa. Não sabia que ela conseguia dizer algo a essa altura. Ela estava certa, os professores estavam passando muitos trabalhos e todos estavam se esforçando, se não conseguíssemos tirar uma nota boa, só podia ser por burrice ou algo mais que idiotice. — Acho que é a primeira vez que você diz algo útil — disse Ariel. — Vou confessar, estou impressionada. — É claro que ficaria. Sabe muito bem que sou mais esperta que você. E bonita também. A classe começou a rir, como sempre. — Já percebi que vocês estão animados! Agora, vamos voltar à aula. O mesmo grupo da última vez. As regras vocês já sabem… Não… — Eu acho que a senhora pode pular essa parte — começou Arielle, enquanto se levantava — Todo mundo já está cansado de ouvir as regras daquela sala. Eu até já decorei. — Então, gostaria de nos dizer? — retrucou a professora. — Não! Eu passo. Ela abriu um sorriso forçado e a professora ignorou, pulando a parte das regras. — Eu espero que dessa vez não haja problemas com Arielle e Drake. É bom que estejam em paz — disse a professora enquanto todos saiam para trocar de sala. Arielle andava à minha frente, conversando alguma coisa com Drake. Eu achei que eles fossem começar a brigar, mas dessa vez estavam conversando civilizadamente. Luke estava ao meu lado, começava a achar que ele estava esperando que eu dissesse alguma coisa, mas eu não tinha nada para dizer, então permaneci em silêncio. — Acredito que eu mereça uma segunda chance— disse ele. — Dessa vez, sem intromissões. — Do que exatamente você está falando? É sobre a noite anterior? — perguntei e ele sorriu. — Às vezes surge algo como aquilo. E... Eu realmente quero conhecer você melhor. Não estava brincando quando disse isso, Verônica. Droga, porque ele fazia meu nome soar tão especial? Eu teria congelado se estivesse olhando para ele naquele minuto, mas preferi continuar caminhando até a outra sala com a turma. — Eu não... não estou pronta para esse tipo de coisa. — Não estou pedindo você em namoro. Estou dizendo que quero te conhecer, sem qualquer tipo de pressão. Eu o encarei, tentando achar algum rastro de humor na voz ou na expressão dele, mas não parecia que ele estava brincando. — Você quer me conhecer? — perguntei atônita. — Por quê? — Eu já disse. Achei você interessante e não é só isso, tem algo em você muito especial. Além disso, ontem não foi bem o que eu planejei. Harry tem mania de se meter em encrenca às vezes, e eu tenho que resolver tudo. — Eu não sei, eu... — Não vou fazer nada que você não queira. Que m*l tem em apenas nos conhecermos? Não vou forçar a barra e vou esperar o seu tempo, se é o que você quer. — Ele respirou fundo. — Não vou pressionar você a nada que não queira, nem mesmo a subir na minha moto. Seremos apenas duas pessoas normais se conhecendo. — Normais é a última coisa que somos. — Eu ri. Eu não sabia como responder àquela pergunta, de alguma forma era para eu estar evitando ele, não confiava nas pessoas a minha volta há muito tempo — ainda mais estranhos — e Luke deveria ser exatamente o tipo de pessoa que eu deveria evitar. Tinha sido ingênua demais e deixado que as pessoas me machucassem, eu tinha criado um domo à minha volta depois disso, e não podia deixar que alguma pessoa passasse por ele. Eu devia estar me protegendo, mas não conseguia ver Luke como uma ameaça. Talvez estivesse sendo ingênua de novo, mas eu queria fazer algo diferente, queria poder entender a dor dele, pois sabia que ele também tinha passado por algo difícil, e além de tudo isso, era apenas conhecê-lo. Como amigos. Desde que a personalidade dele não mudasse no final, que m*l teria? Conhecer a ele e ao seu mundo não significava que tínhamos alguma coisa. Eu, eu sabia como me defender e, se alguma coisa saísse do controle, eu poderia desistir. Dessa vez não seria tão ingênua como tinha sido antes. — Eu aceito, então! — disse, e ele sorriu, piscando novamente para mim.
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