Capítulo 10

4421 Palavras
Ele só podia estar tirando uma com a minha cara. Era a única explicação que eu conseguia achar. Eu não iria cair nessa, sem chance. Eu não o tinha convidado para sair e nunca faria isso, nem em um milhão de anos. Ele era muito convencido se achava mesmo isso. Acho que ele não entendia que tudo o que eu queria dos garotos era distância. Eu tinha quase certeza que ele estava tirando uma com a minha cara, que outro motivo seria? Eu não conseguia entender o que o havia levado a pensar que eu o tinha convidado para sair, ele realmente tinha que ser muito convencido. Eu desviei o olhar enquanto ele ainda saía e olhei para a quadra. Arielle saiu da quadra e correu até onde eu estava. Ela se sentou ao meu lado, me encarando, em seguida beliscou a minha bochecha. — O que foi que vocês estavam conversando? Você está vermelha? Acho que quem precisa de um beliscão sou eu. Você está da cor de um tomate — Ela gargalhou — Está parecendo um foguinho. Fiz careta pra ela — Engraçadinha! Achei que estivesse chateada comigo. — Eu estou — disse ela cruzando os braços e virando a cara. Eu esperei. — Certo! Talvez eu não esteja. Mas quero saber o que estava conversando com o senhor-você-sabe-quem. — Ele acha que eu o convidei para sair. — O quê? — perguntou ela, espantada. — Como assim? Você fez isso? — Não! Até parece que eu o convidaria para sair… eu fui colocar a mão no banco e sem querer toquei nele. Ele se convenceu dizendo que tinha um fraco pelas ruivas e que aceitava sair comigo. — Eu. Não. Acredito — disse ela pausadamente. — Ele está mesmo interessado em você. Eu desviei o olhar do dela. — É claro que não. Aposto que estava tirando com a minha cara. — E eu aposto que ele está querendo dar uns amassos com você em um daqueles becos da cidade. Parece bem a cara dele fazer isso. Eu a encarei com uma expressão horrorizada no rosto. — Desculpa! Você sabe que eu falo sem pensar. E você vai? — É claro que não. Ele nem sabe onde eu moro… — Mas…? — Mas ele disse que vai descobrir. — Eu disse, não disse? Ele está mesmo querendo sair com você. Se o seu pai descobre… — Ele não vai saber, pois eu não vou a lugar nenhum. A culpa não é minha se ele se convenceu disso. Eu tirei a ideia da cabeça. Era óbvio que aquilo era brincadeira, ele não perderia tempo tentando descobrir onde eu morava, muito menos me seguiria até lá. Era uma atitude ousada demais e eu duvidava muito que ele fosse capaz, quer dizer, nem tanto... Eu passei uma parte da tarde estudando, a outra parte lendo. À noite, comecei a fazer o jantar para o meu pai, ele tinha passado o final de semana comendo fast-food e apostava que ele queria comer alguma coisa mais saudável. Ele trabalha 24 horas por dia e descansa 48 horas, e uma pizza como aquela não conseguiria dar conta de mantê-lo de pé o dia todo. Depois de terminar o jantar, subi para o banheiro e tomei um banho. Já passava das nove horas, eu sabia que toda aquela conversa era apenas brincadeira. Coloquei o meu pijama – uma blusinha com alça e um short, ambos em tom pastel. Peguei um cobertor e um livro e desci para sala. A casa estava silenciosa demais e era assustador ficar por ali sozinha, então sempre que meu pai tinha que chegar tarde, eu ficava na sala com a TV ligada em volume baixo, lendo algum livro. Isso me ajudava a distrair um pouco. Ou pelo menos eu tentava. Ultimamente, por mais que tentasse disfarçar, não conseguia tirar os pensamentos de Luke. Ele tinha aquele ar convencido e decidido e não aceitava não como resposta, além disso, ele parecia saber sempre a hora certa para aparecer e me ajudar. E eu, de alguma forma, gostava disso, mesmo que não devesse. Sem contar que o tempo que passava com ele era até divertido, tirava-me da minha vida pacata e me levava para um mundo animado, o qual eu deveria aproveitar mais. Ele conseguia fazer com que eu quebrasse algumas barreiras, algumas nas quais nem eu mesma imaginava que pudesse, tipo o fato de ter aceitado subir naquela moto e ir com ele até a praia. Não iria dizer que não gostei porque estaria mentindo. Alguns minutos depois, escutei um barulho do lado de fora e logo em seguida alguém bateu na porta. Levantei para atender. Eu não sabia exatamente o porquê, mas meu coração acelerou só de imaginar quem poderia ser, mas isso não baixou minha guarda ao ter cuidado em abrir a porta. Eu quase tive um infarto quando percebi que minha suspeita estava certa sobre quem estava do outro lado da porta. Luke. Ele estava vestido com uma calça jeans, jaqueta, bota preta com uma camiseta branca. Ele apoiou o corpo na porta quando me viu, encarando-me de cima à baixo. — Desculpe o atraso, tive... alguns problemas. Você não está pronta? — O que você está fazendo aqui? — perguntei, realmente não conseguindo acreditar que ele tinha descoberto. Um misto de surpresa e incredulidade passou pelo meu rosto. — O nosso encontro! Não acredito que já esqueceu. — Não temos um encontro — disse. — Como... Como você encontrou a minha casa? Eu duvido muito que Arielle tenha dito alguma coisa. Ela não faria isso. — Eu dei uma nota de cem reais a um daqueles meninos que ajudam na recepção. Foi fácil convencê-los de que precisava te entregar um trabalho escolar. Eles estão sempre zelando para as boas notas dos alunos — disse ele em tom de deboche. — Apesar de que foi um pouco mais difícil que isso, ele desconfiou que tinha outra coisa por trás, mas isso não o impediu de aceitar o suborno. Ele riu contraindo o canto da boca em um meio sorriso provocante. Eu arqueei uma sobrancelha. Não podia negar sua esperteza. — Você... Você não deveria estar aqui. Se meu pai chegar e o vir aqui……ele…ele… — Quer dizer que ele não está em casa? — Isso parece o ter motivado mais ainda, pois seu sorriso se alargou e ele deu um passo. — Não! Eu estou sozinha…quer dizer…eu... O que você faria se fosse ele que tivesse atendido a porta? Inventaria outra desculpa? — Eu diria que vim buscar a filha dele para sair — disse ele dando um passo à frente. — O que não é uma mentira. Eu automaticamente me afastei. — Ele mataria você. — Eu gosto de correr o risco. — Ninguém vale tanto o risco. — Insisti — Você vale! — Ele falou isso olhando no fundo dos meus olhos, o que fez meus joelhos vacilar, quer dizer, eu sabia que ele estava brincando, mas ele não deveria sair por ai dizendo esse tipo de coisa. Ele deu outro passo à frente e eu afastei novamente. Ele estava chegando perto demais e isso me incomodava. Ele estava com o olhar fixo no meu, e entrou fechando a porta. Me afastei, batendo as costas contra a parede e quase derrubando o quadro. Ele parou a centímetros de mim, pousando o braço na parede, me cercando. — Essa é a sua mãe? Era linda, assim como você é. Agora consigo entender de quem você herdou esse sorriso. Eu me afastei da parede um pouco nervosa, estava tremendo e não conseguia respirar, até que percebi estar prendendo a respiração. Automaticamente, levei a mão ao coração, aliviada. Ele não tinha tentado nada. O retrato na parede era da minha mãe e meu pai juntos. Ela sorria enquanto ele a observava. — Está tudo bem? Você está pálida. — E-Eu... Eu estou bem. — Parece que vai desmaiar. Eu assustei você? — Ele me encarava, avaliando a minha reação. E parecia realmente preocupado, aquele ar de divertimento tinha sumido do rosto dele. Eu ficava nervosa quando as pessoas se aproximavam de mim, não gostava muito disso. E o movimento repentino dele tinha me causado uma impressão errada. Estava começando a me sentir envergonhada por pensar isso dele. — Realmente — disse, ofegando — Você não deveria estar aqui. Meu pai pode... — Não me diga que ele é da polícia… — Não! Ele trabalha como bombeiro. Mas o melhor amigo dele é da polícia. Ele assentiu parecendo impressionado — O que você faria se eu dissesse não? Você praticamente subornou alguém pra sair comigo. Ele ficou sério de repente, me encarando. — Eu aceitaria numa boa. Não sou um b****a, Veronica! Não forço as pessoas a nada. Meu coração deu um pulo quando ele disse meu nome — Desculpa, não quis... não quis te ofender. Ele arqueou uma sobrancelha enquanto saía de perto de mim e ia até a sala. Ele se sentou lá. — O que... — Eu estou esperando você se arrumar. Não tenha pressa, eu posso esperar. — Ele piscou pra mim — Até agora você não disse não. Eu o encarei, perplexa. Não acreditava que ele estava mesmo fazendo aquilo, se o meu pai chegasse e o visse ali, sentado na sala na maior naturalidade, ele acabaria brigando com a gente e, sem dúvida nenhuma Luke estaria mais encrencado do que eu. — Espera aqui — disse, apontando para a sala e indo para o quarto. Tranquei a porta enquanto procurava uma roupa para por, àquela hora ele já devia estar chegando e não podia encontrar Luke ali. Eu não achava que ele fosse sair a não ser que eu aceitasse acompanhá-lo. Precisávamos sair antes que meu pai chegasse, eu deixaria um bilhete dizendo que tinha saído com Arielle ou coisa assim. Escolhi uma calça jeans cinza e uma blusa preta rendada na borda. Como estava fazendo um pouco de frio, coloquei um casaco, o coturno, peguei meu celular e saí. Na cozinha, escrevi um bilhete e deixei em cima do balcão. — Você está bonita — observou Luke. — Obrigada! — Falei, desviando o olhar — Agora…. precisamos sair daqui antes que meu pai chegue. Ele não pode ver você. Ele arqueou uma sobrancelha, parecendo pensativo, e então saiu. Eu a tranquei e parei enquanto ele subia na moto e me entregava o capacete. Era a Harley Devidson, eu notei que ele usava mais essa moto quando não pretendia correr, quando era mais para impressionar, possivelmente ele não pretendia correr essa noite. — Então, mudou a moto?! Nada de corridas hoje? — Não estou pensando em correr hoje. Além disso, não quero assustar você, quero te deixar impressionada. Eu sorri. — Você sabia da história do rapaz que teve a ideia de adicionar um motor à sua bicicleta para se locomover melhor? Também diziam que o motor foi feito com lata de conservas, o que, claro, causou uma falha. De surpresas desagradáveis os dois amigos conseguiram construir sua primeira máquina. Eles se chamavam Arthur Davidson e William S. Harley. Por isso Harley Devidson, mas claro que teve muita história antes disso. Ele ficou parado, me encarando com uma expressão de surpresa. — Então você entende sobre motos? — Claro que não. — Eu ri — Eu apenas li em algum site. Uns dois anos atrás eu tinha o sonho de pilotar uma maquina dessas. Via os rapazes andando com elas no centro da cidade e ficava deslumbrada, elas são lindas demais. Hoje em dia já não tenho mais tanta coragem. — Quem sabe um dia, se você tiver muita sorte, eu deixe você pilotar. — Só se você for muito louco e não tiver amor à sua moto. Eu sorri mais uma vez enquanto colocava o capacete, Luke deu partida na moto e saímos dali. Ele dirigiu até a cidade, eu não sabia para onde ele pretendia nos levar, mas não queria perguntar, preferia ser surpreendida. Se bem que, vindo dele, qualquer coisa seria uma surpresa. Alguns minutos depois ele estacionou em frente à casa do Boliche. Era praticamente o único lugar da cidade onde as pessoas poderiam jogar boliche, se quisessem. Era um lugar grande e divertido, lembrava de ter ido ali uma vez com Arielle e alguns colegas de classe no ano passado. Caleb também estava junto... Eu e Arielle éramos as únicas que não sabiam jogar, o que possivelmente fez com que pagássemos alguns micos, mas tinha sido divertido. — Essa é sua ideia de diversão? — perguntei enquanto descia da moto. — Não exatamente. Mas acho que podemos conseguir alguma coisa. — Eu… Não sei jogar. Só tentei uma vez quando vim aqui e foi um desastre — expus e ele sorriu. — Posso te ensinar. — Achei que sua ideia fosse me deixar impressionada e não constrangida. — Mas eu ainda nem comecei — revelou enquanto descia da moto. Seguimos até a entrada e, alguns minutos depois, já estávamos na área de boliche. O lugar me trazia algumas lembranças, mas eu não podia estragar a noite pensando em coisas que deviam ser esquecidas. Caleb era passado, ele nunca mais voltaria. Sentei em um dos bancos para esperar, quando vi uma pessoa. Eram Christie e Eddie, antigos colegas de classe do primeiro ano. Eles eram da mesma classe que eu e Arielle no ano passado, esse ano eles deviam estar estudando em outra escola. — V? Você por aqui? Que bom te ver. — Christie acenou e sorriu. Ela estava com o braço entrelaçado ao de Eddie, eles eram namorados antes, e pelo que parecia ainda continuavam sendo. Ela parou perto de mim e Luke, olhando para ele como se tentasse adivinhar, ou lembrar quem ele era. Eddie acenou com a cabeça, uma forma rápida de dizer um Oi. — Olá! Christie, Eddie. — Nossa! É tão estranho ver você aqui. Não te vejo desde… Desde aquele dia em que fomos à sua casa. Você e Arielle costumavam estudar à tarde, então parece que transferiram para a manhã depois daquele dia. Aconteceu alguma coisa? Soube que Caleb foi embora da cidade. — É... Ele... ele… Foi. Eu acho. — Não vai nos apresentar seu amigo? — perguntou Eddie olhando para Luke de forma estranha. — Esse é o Luke... um... amigo. E essa é Christie e Eddie. Estudávamos juntos no ano passado. — É… Um prazer conhecê-lo — disse ela. — Estávamos de saída agora, mas foi muito bom reencontrar você. Precisamos repetir aquela noite qualquer dia desses. Foi muito divertido. Eu não podia dizer o mesmo. Odiava pensar naquele dia. Ela puxou Eddie pelo braço e eles saíram conversando alguma coisa. Luke me encarou. — Vou querer saber quem é Caleb? — Não! Eu não quero falar sobre ele. Essa foi a única coisa que você puxou da conversa? — E a parte de você me chamar de amigo. — Algum problema? Eu não sabia exatamente o que dizer. Nós nos conhecemos há alguns dias, eu não sei nada sobre você e você não sabe nada sobre mim. Tecnicamente somos dois estranhos. Você costuma sair com estranhos? — Geralmente sim, a diferença é que eu te acho interessante e… Diferente, quero te conhecer de verdade, e é sempre assim que começa. Apenas estranhos. Mas eu posso resolver essa parte. Contarei tudo o que quiser saber. — Sem enrolação ou mentiras? — sugeri. — Exatamente. Mas eu também quero te conhecer, então o mesmo vale para você. Ele preparou-se para começar a jogar enquanto eu tentava me concentrar. Luke estava sendo legal sugerindo aquilo, e não seria r**m poder conhecê-lo um pouco mais, isso deixaria a parte de ser somente estranhos para trás. Eu sabia que havia mais nele do que ele demonstrava; as pessoas que menos demonstram são as que mais sentem. Todo aquele ar de bad boy que ele formava e que deixava uma impressão r**m nas pessoas era somente fachada. As pessoas costumavam se defender de diferentes formas quando queriam afastar alguém. Era assim comigo. Eu sabia que tudo aquilo era somente uma casca, ele deixava que as pessoas pensassem nele como se ele fosse uma pessoa r**m, um baderneiro, encrenqueiro ou coisa do tipo, mas tudo aquilo era para esconder quem ele realmente era ou a dor que sentia. E eu sabia que existia algo bom dentro dele. Eu sofri com coisas do passado, e no olhar dele conseguia perceber o mesmo. Não éramos tão diferentes, afinal. — Então. Eu acho que você pode começar do início. — Luke Macdonell. Fiz 19 anos no dia 15 de Maio. Gosto de corridas. Não tenho comida preferida, mas particularmente prefiro as apimentadas. Gosto de rock, eletrônica e arrisco outros gêneros de vez em quando. Geralmente prefiro filmes de ação, mas dependendo do estilo, posso acabar assistindo outro tipo. — Espera! Você tem 19? E ainda está no segundo? — Saí da escola quando tinha dezessete. Não pretendia voltar. Mas... Por causa de um problema, preciso terminar a escola para conseguir o certificado de conclusão. Então… — Quer dizer que não está na escola por vontade própria — conclui enquanto ele acabava de marcar um strike. — Sua vez — disse ele, se sentando à minha frente enquanto eu levantava. Como sabia que iria errar, apenas peguei a bola e joguei, ela desviou do percurso antes de chegar na metade, não tinha conseguido acertar nenhum pino. — Eu disse que não sabia jogar — justifiquei, logo me sentando, e ele sorriu — Comparando com a sua vida cheia de adrenalina, a minha é incrivelmente chata. Mas eu gosto, só para deixar claro. Bom... Verônica Sinckler, fiz 17 no dia 12 de abril. Prefiro passar meu tempo lendo, odeio multidões e com isso quero dizer nada de shows, nada de festas… — Nada de diversão. Entendi — disse ele, piscando para mim enquanto ia jogar. — Eu convivo bem com a minha fobia-social, muito obrigada. — Sorri. — Também não tenho nenhum tipo de comida preferida. Sobre música… Acho que sou bastante eclética. Gosto de rock, pop, eletrônica, o que vier. Apesar de ter um apego especial pelas músicas de rock. Elas tem bastante sentimento e de alguma forma, me toca. Filmes eu assisto qualquer gênero, mas prefiro fantasia, comédia ou ficção… tudo depende. Ele jogou novamente, marcando outro strike. Pela habilidade, sabia que aquilo não era nem um pouco sorte de principiante. Achei que seria o momento perfeito para perguntar sobre a garota no cinema, eu não a tinha visto outro dia além daquele. — Quem era a menina no cinema aquele dia? — É uma meia-irmã. Por parte de pai. Ele apareceu com ela recentemente. — E por isso... — É complicado achar que por dezenove anos seu pai só amou uma mulher, então de repente ele aparece com uma filha de quinze anos de uma estranha. — Deve ser r**m. Mas ela ainda é sua irmã. — Diria que eu sou bastante reservado, não gosto quando as pessoas começam a bagunçar minha vida. Me deixa muito confuso, e, geralmente corro para não ficar confuso. Se tinha uma pessoa que entendia sobre ser reservada, possivelmente essa pessoa era eu. Ele sentou-se à minha frente, novamente mantendo o olhar fixo no meu. — Quem exatamente foi Caleb? — perguntou. Se eu tivesse bebendo alguma coisa, provavelmente teria engasgado. A pergunta foi repentina e eu fui pega de surpresa. Eu sabia que ele entendia que eu não queria falar sobre, mas dizer quem Caleb foi para mim talvez fosse um pouco diferente. E ele estava mantendo o olhar fixo no meu exatamente para evitar que eu desviasse. Isso provaria o tamanho do meu constrangimento. — Ele... Ele foi... por um tempo um amigo, depois as coisas mudaram e… — Vocês começaram a namorar. — Ele completou o raciocínio. — É! Quase… isso — falei, e levantei. — Eu achei que quem ganhava continuava a partida, porque está passando a vez? — Eu duvido que você ganhe mesmo se quiser. Estou fazendo uma boa ação. — Então me trouxe aqui só para provar o quanto é bom no boliche? — Eu sorri. — E me fazer ficar constrangida? — Não! Trouxe você aqui porque achei que seria uma boa ideia. Além disso, eu não achava que você não soubesse jogar. Isso foi um bônus. Eu ignorei o sorriso provocador que ele me lançou. — Estou surpresa! Achei que a sua escolha fosse ser algo mais… Diferente. — Tipo...? — Sei lá. Um... Show de rock, algum tipo muito estranho de festa, uma das suas corridas clandestinas, até mesmo um… beco. — Eu posso considerar a última se você quiser. Sem pressão, sabe? — Ele piscou. Eu sorri, desviando o olhar dele. Arielle tinha dito alguma coisa assim. — Pode compartilhar o pensamento se quiser. — Nada. É bobeira. Quer dizer... Minha amiga disse que você parece ser o tipo de cara que gosta de dar uns amassos em becos. É isso o que eu estava pensando. — Sinceramente, nunca tentei em um beco, mas por você eu posso considerar... Ainda mais com você me pedindo desse jeito. — Engraçadinho! — Eu tento, mas perco o foco quando olho seu sorriso, Moranguinho. Alguma coisa novamente mexeu dentro de mim, era normal sentir tantas borboletas no estomago assim? Era fome, certo? Porque elas insistiam em dançar no meu estomago quando ele me dizia coisas desse tipo? Mesmo sendo brincadeira e mesmo eu devendo ignorar, eu não conseguia. Era involuntário. Até mesmo o que saiu da minha boca a seguir: — Moranguinho? Sério? — Eu ri — Essa é nova pra mim. — Confessa! Você adora quando eu te chamo assim. — Ele provocou enquanto passava a mão pelos cabelos. Um movimento muito sexy. Eu ri envergonhada, era verdade — É verdade. Você é a única pessoa que me chama assim — faz soar sexy e provocante — Já me chamaram de muita coisa: cabelo de fogo, foguinho, ferrugem e até mesmo Laranjinha. Mas essa é nova. — É porque combina com você. Além disso, morango é minha fruta preferida, me faz pensar em você, e de alguma forma as duas são irresistíveis. Okay. A conversa estava tomando outro rumo ao qual eu não deveria seguir. Não se quisesse me proteger de tempestades mais tarde. — Você está flertando comigo, Luke? — Está funcionando? — Se teve que perguntar isso então acho que não. — Retruquei Ele colocou a mão no coração, teatralmente. — Aii. Essa doeu. Eu sabia que ele estava brincando, toda a coisa do flerte, mas de certa forma isso me deixou nervosa e fez meu rosto corar. Eu não gostava da imagem que estava formando na minha mente, era incrivelmente assustadora. Concentrei no jogo, eu realmente não sabia como jogar, nem mesmo conseguia ter sorte, a única coisa que estava conseguindo com aquilo era ficar mais constrangida do que já estava. Ele aproximou-se de mim, tocando minha mão, eu novamente congelei, ignorando o arrepio que percorreu meu corpo. Ele tocou meu braço, arrumando o meu mau jeito, e em seguida pôs a mão na minha cintura. Eu precisei me lembrar de respirar. Não podia surtar ali, não com ele, ainda mais quando ele estava só me ajudando. Nada demais. Local público, pessoas olhando. Não era nada demais. — Certo! Entendi! — disse e ele afastou-se, parando ao meu lado. Concentrei somente lá, lembrando-me das dicas que ele havia dado, e joguei. A bola girou infinitamente em linha reta até atingir todos os pinos. Tinha sido um Strike. — Eu não acredito. Consegui! Eu consegui, Luke! — comemorei dando pulinhos e abraçando ele. — Graças a você, claro. Exatamente naquele momento percebi meu erro e me afastei rapidamente. — D-desculpe, eu... me empolguei. — Eu sabia que conseguiria — falou ele, e eu como sempre desviei do olhar dele. — Só estava usando o braço de forma errada. De alguma forma ele pareceu mais constrangido que eu e por sorte um barulho nos fez sair dessa bolha de constrangimento. Escutei o barulho de um celular tocando. Sabia que não era o meu, pois tocava uma música de rock que eu não conhecia. Luke. Ele pegou o celular e logo ficou sério, o que quer que estivesse acontecendo, ele não estava gostando. — d***a! Eu sinto muito, mas acho que vamos ter que continuar isso outro dia — ele me olhou enquanto desligava. — Aconteceu alguma coisa? — Exatamente. É algo sério, eu não posso adiar. Eu me senti desapontada e percebi o mesmo no rosto dele. Mesmo que não devesse, eu estava me divertindo, e não iria negar isso. Queria que a noite continuasse assim, mas não podia impedi-lo de resolver os próprios problemas. — Então tá… Estávamos saindo dali e quase chegando na moto quando o celular dele tocou de novo. Ele pareceu mais nervoso ainda. — Diga a ele para esperar, eu já estou chegando. — Houve um silêncio. — Não, Derek, não deixe que ele faça isso. Ele desligou novamente, parecia estar confuso e eu não sabia o que fazer. O que quer que estivesse acontecendo lá, eles precisavam do Luke. Isso eu consegui entender. Ele parecia estar com um pouco de pressa e eu sabia o que olhar no rosto dele dizia. Ele não teria tempo de me levar até em casa e voltar antes que alguma coisa acontecesse. — Eu posso chamar um táxi. É melhor você ir, eu sei me virar sozinha. — Não vou deixar você voltar sozinha. Que tipo de cara eu seria se saísse com uma garota e a abandonasse no meio de um encontro? — Eu não sei. Mas seja o que for, acho que eles precisam de você mais do que eu. Eu vou ficar bem. Ele me observou por um minuto, como se estivesse avaliando as opções, e em seguida me entregou um capacete. — Você vem comigo. Seja o que for que você ver essa noite, precisa ficar calma. Ignore tudo o que ver. — Eu já sei que você é um criminoso procurado. Não me assustaria com isso — brinquei. Ele sorriu. Já deveria ser mais de onze horas da noite e meu pai devia ter chegado em casa.Com certeza estava preocupado, eu precisava ligar para Arielle antes que ela fizesse alguma coisa e ligasse para minha casa. Se isso acontecesse, não saberia como explicar ao meu pai que eu não estava com ela e sim com um rapaz. Eu peguei o capacete e subi na moto. Ligaria para ela assim que chegássemos ao tal lugar.
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