Capítulo 5

1138 Palavras
LUCAS Narrando Assim que ajeito minhas coisas, volto pra casa do Gabriel. Ele tava ajudando a tia, então já colei junto pra terminar mais rápido. Missão dada é missão cumprida. Acabamos tudo e fomos pro quarto. As meninas tinham acabado de chegar do salão e, mano… ficaram lindas. Produção nível tapete vermelho. Descemos pra jantar antes de nos arrumar de vez. A tia é absurda na cozinha, zero defeitos. A conversa? Totalmente aleatória. Com eles é assim, um assunto mais nada a ver que o outro e todo mundo rindo. Terminamos, limpamos tudo e subimos. As meninas foram se arrumar, eu e Gabriel também. E antes que alguém pense: “Ah, a mãe controla tudo, ele nem sabe se arrumar.” Mais sei sim. O gato aqui se garante. Ela pode mandar em muita coisa, mas no meu estilo não. Cabelinho na régua, alinhado. Tomei banho, coloquei uma calça comprida, blusa branca, tênis branco da Adidas, corrente de prata e o relógio que minha mãe me deu. Passei perfume. Tem que sair cheiroso e apresentável, né? Gabriel já tava pronto: calça preta, blusa preta da Lacoste, sapato preto, corrente. Lucas: Vai pra um velório, é? Todo de preto? Gabriel: Chama atenção das gatinhas. Comecei a rir. As meninas apareceram. Mini vestidos. Uma de vermelho com decote e f***a na coxa. A outra de branco, também com f***a. Gabriel: c*****o, tá faltando pano nesses vestidos. Lucas: E vocês reclamando de calor? Isso aí cobre o quê? Isabella: Vão tomar no cu. Victoria: A gente tá gata, né? Fala aí. Gabriel: Duas sem-vergonha. Elas deram um tapa nele. Lucas: Vocês estão lindas. Agora vamos. Saímos e fomos no meu carro. Gabriel colocou a localização no GPS. Quando vi que era no morro, só olhei pra ele. Se minha mãe descobre isso, eu tô morto. Como eu não bebo, ia voltar dirigindo. Pelo menos essa desculpa eu tenho. No caminho, as meninas colocaram música da MC Pipokinha. Sem comentários. Meu cérebro pediu arrego. Chegamos na entrada do morro. Vários homens armados. Mandaram abaixar o vidro. X : E aí, playboy. Se tiver convite, entra com o carro. Se não, deixa aqui e sobe a pé. Ele olhou tudo dentro do carro. Olhei pra Gabriel. Ele que entende dessas paradas. Gabriel: Fala aí, parceiro. Não conhece mais não? Gabriel da 9. Falou com i********e. Claramente já veio ali outras vezes. X : E aí, cuzão. Nem reconheci, tá cada dia mais feio. Gabriel: O pai aqui é gato, tio. Tenho convite. X : Já é. Pode subir. Fizeram um toque e seguimos. Lucas: Toca aqui, Gabriel da 9. Falei rindo. Gabriel: Qual foi, menor? O pai aqui é conhecido. Fomos subindo. De longe já dava pra ouvir o som. As meninas começaram a ficar agitadas. Estacionamos um pouco longe e fomos andando. Aqui é diferente de tudo que eu já vi. Gente armada, pessoas sentadas na porta de casa bebendo, rindo. Na minha cabeça, morro era outra coisa. Mas aqui… parecia todo mundo feliz. Dei um sorriso pra umas senhorinhas que acenaram pra mim. Entramos no baile. O som alto pra c*****o. “Claro, Lucas. É um baile.” Fomos pra um canto menos cheio. Gabriel já pegou bebida. As meninas começaram a dançar até o chão. Eu fiquei observando. Todo mundo dançando, bebendo, fumando. Vários camarotes. Mas um chamou minha atenção. Uma menina branquinha, linda, dançando. Vestido preto com f***a mostrando uma tatuagem na coxa. Braços cheios de tatuagem. Cabelo batendo na b***a. E que b***a. Fiquei olhando até um homem chegar perto dela. Ela saiu da grade. Voltei a atenção pras meninas. Gabriel m*l chegou e já tinha cinco mexendo com ele. As meninas ficaram com ciúme na hora. Eu disfarçava, mas sempre olhava pro camarote. Ela não aparecia. Só duas meninas lá. Gabriel já tinha avisado: aqui todo cuidado é pouco. Não posso ficar olhando qualquer uma. Mas aquela menina… Não tinha como não olhar. Comecei a ficar angustiado. Saí pra dar uma volta por trás do baile. E lá estava ela. Olhando a vista. Fumando. Que vista. Que menina. Me aproximei. Ela me olhou. Olhar lindo. Intenso. X : Quem é tu? Voz meio alterada. Doce e agressiva ao mesmo tempo. Lucas: Foi m*l. Só vim pegar um ar. Lá dentro tá muito barulhento. Resposta i****a. É um baile, né? Ela deve ter me achado burro. Ela ofereceu o baseado. Recusei. Não uso isso. Às vezes eu me acho infantil demais. Ela terminou de fumar. X : Curte a vista aí, playboy. E nós. Eu só sorri. Um sorriso i****a. Ela saiu. Fiquei parado, pensando. Que menina perfeita. Entrei de novo. As meninas já estavam meio bêbadas. Disfarcei e olhei pro camarote. Ela tava lá. Linda. Mas provavelmente tinha dono. Victoria me abraçou. Abracei de volta. Olhei de novo e ela já não tava mais lá. Começou a ficar chato. Minha cabeça só nela. Resolvi beber. Gabriel: c*****o, agora sim. Ele comemorou porque eu bebi. Do nada, a música parou. Palmas. Todo mundo olhando pro palco. Olhei. Ela subiu com cinco homens. Um deles começou a falar. Disse que ela tava fazendo 18 anos. Loba. Gabriel falou que e o vulgo dela. Mas quando ele anunciou que ela era a nova Dona do morro… eu gelei. Tiros pro alto. Gritos. Os homens abraçaram ela. Então ela é filha do dono. E agora é a Dona. Ela pegou o microfone. A voz… doce demais. Eu não posso estar mexido por essa mina. Não ela. Gabriel: Linda pra c*****o, né? Lucas: Demais. Linda e perfeita. Falei sem pensar. Gabriel: Tá caidinho. Mas essa aí nunca vai ser tua. Nem lance. Fiquei quieto. Depois, um amigo do Gabriel chegou. Era um dos caras que estavam com ela. Conversa vai, conversa vem, ele chamou a gente pro camarote. Tava interessado na Victoria, e ela tava doida pra ir. Subimos. Ela tava sentada mexendo no celular. Quando me viu, fechou a cara. Victor: Esse aqui é o Gabriel, parceiro meu. Apresentou. Loba: Prazer, Loba. Fica à vontade. Sorriu. Que sorriso. Gabriel: Prazer. E parabéns. Essas são Isabella e Victoria, minhas irmãs. E esse é Lucas, meu amigo. As meninas cumprimentaram. Eu só falei: Lucas: Oi. Loba: Fiquem à vontade, meninas. Sentou de novo. Os caras são tranquilos. Mas eu não conseguia parar de olhar pra ela. Até mexendo no celular ela parecia perfeita. Mas eu nunca vou poder chegar perto. Ela é Dona do morro. Eu sou só o filhinho da mamãe. Chamaram pra cantar parabéns. Fiquei na grade, só olhando. Ela sorrindo pras fotos, feliz. Ela assoprou as velas. Todo mundo foi abraçar. Fiquei com vergonha. Mas fui. Esperei todo mundo ir. Cheguei perto. Lucas: Parabéns pelo aniversário… e pelo morro também. Ela sorriu. Loba: Valeu, playboy. É nós. Saí de perto. Peguei mais um copão. E, olha… até que é gostoso.
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