Episódio 6

1134 Palavras
Ele pegou as chaves do carro e o casaco e saiu do quarto sem olhar para trás. A modelo ficou sozinha, nua entre lençóis que não pareciam mais luxuosos, mas sim frios. O Bentley preto cruzou a cidade elegantemente. Willian não colocou música. Apenas ouviu o motor e os seus próprios pensamentos. Tinha sido um bom se*xo. Ninguém podia ne*gar, mas, como sempre, quando acabou, tudo o que restou foi aquele vazio pressionando o seu peito. Por mais bonita que fosse a mulher, por mais ardente que tivesse sido a noite, no dia seguinte, tudo parecia nada. Ele chegou à mansão Hawthorne pouco antes das nove. O sol brilhava nos jardins impecavelmente cuidados da sua mãe. Ele entrou na sala de jantar com passos firmes e a expressão de alguém que nunca demonstra o que sente. Seu irmão, London, lia o jornal enquanto tomava café e passava manteiga na torrada. — Nossa, você claramente teve uma noite agitada. Ele comentou sarcasticamente, sem olhar para cima. — Você foi com Barbie Crowley? Willian se serviu de suco de laranja e respondeu friamente: não. Eu fui com a morena de cabelo curto. London abaixou o jornal, surpreso. — Por*ra. Achei que a loira tinha te pegado. Willian sentou-se em frente a ele, sem tocar no suco. — Allegra não é mulher para uma tra*nsa de uma noite. — Ah, não? — Pelo que vi dela ontem à noite, ela é ideal para uma esposa. Mas a juventude dela me incomoda. Prefiro esperar. London soltou uma risada irônica. — E enquanto você espera, você tra*nsa com metade da cidade? Willian ergueu uma sobrancelha. — Você sabe que eu não durmo com qualquer uma. — Eu também sei que você não se repete. London apontou. — Como você vai fazer isso quando se casar? O magnata recostou-se na cadeira, pensativo. — Acho que quando eu encontrar a pessoa certa... ela não vai me deixar com vontade de fugir na manhã seguinte. London assentiu, surpreso ao ver o irmão falando honestamente. — E você acha que... Allegra... pode ser a pessoa certa? O advogado não respondeu imediatamente. Ele encarou o copo de suco como se buscasse respostas no líquido. — Não sei. Há algo nela que me intriga, mas também há um ar de superficialidade que não tenho certeza se quero por perto. — Todas as mulheres da nossa classe social são assim: ingênuas, superficiais e mimadas. — Adicione traidoras, — Willian, pare... — Parar o quê? — Ninguém é perfeito. Você deveria parar de ser tão radical em julgar pessoas que m*al conhece. Willian deu um sorriso irônico. — Esse é o problema... Eu nunca mudo de ideia. As primeiras impressões são as que contam para mim. O resto são desculpas esfarrapadas. — Espero que essa sua posição não lhe cause problemas dos quais se arrependerá no futuro. — Eu nunca me arrependo de nada. Ele declarou. ✿·━━━━━━━※━━━━━━━━·✿ Allegra Crowley entrou no escritório do pai no dia seguinte como se nada tivesse acontecido. O seu cabelo molhado ainda pingava da nuca, e o seu pijama de seda lhe caía como se não se importasse com quem a visse. Ela nem bateu, acostumada a fazer o que bem entende na vida. Apenas abriu a porta e entrou. Havia uma atmosfera tensa lá dentro. Sua mãe estava de braços cruzados, com aquela expressão pétrea que só usava quando algo estava prestes a explodir. O avô estava sentado em posição de sentido, em silêncio, com a bengala entre as pernas e a testa franzida. E seu pai estava em pé diante da janela, de costas para eles, com os ombros tensos e o maxilar cerrado. — Bom dia, mãe, pai, vovô. Entoou Allegra com a sua voz melodiosa de moça rica. — O que houve? Quem morreu? Ninguém respondeu. Albert se virou. Caminhou na sua direção sem dizer uma palavra. Allegra engoliu em seco, mas permaneceu no lugar, pois não era a primeira vez que seu pai agia assim... embora nunca o tivesse visto com aquele olhar. E então, sem aviso, ele a esbofeteou, derrubando-a no chão. O impacto a deixou sem fôlego, com as bochechas vermelhas e os olhos arregalados de choque. — Albert! Gritou Vera, correndo em direção à filha. — Você está louco! O empresário inclinou-se e esbofeteou a filha novamente. A loira permaneceu no chão, com os olhos cheios de raiva. Ela nunca acreditara que seu pai ousaria fazer uma coisa dessas. — Filho, pare com isso! Rugiu o avô, com a voz de um trovão. — Você não pode fazer isso com a sua filha! Albert não estava ouvindo. Estava ocupado demais olhando para a filha como se ela fosse a pior das suas vergonhas. — Você vai para Londres. Ele declara. — Esta semana, não quero você nem mais um dia sob o meu teto. — O quê? Não! Pai, você não pode fazer isso comigo! Ela gritou, levantando-se com dificuldade. — Eu sou sua filha! — Você é o meu fardo. Ele cuspiu. — Tenho tentado corrigi-la há anos, e tudo o que você sabe fazer é manchar o nome Crowley. Você humilha criados, ridiculariza amigos, machuca a sua prima a ponto de prendê-la como um animal. O que há de errado com você, Allegra?! — Isso tudo é mentira! Eles estão manipulando você! Ela gritou, desesperada. — Eles querem ver você se voltar contra mim! — Você é o único manipulador e egoísta aqui! — Você está acreditando em mentiras! Não foi assim com a Emely! — Ah, não? Então por que ela estava inconsciente e trancada? Por mágica? — Mamãe, diga alguma coisa ao papai! Ela gritou, buscando o olhar da mãe. Vera não disse nada. Apenas olhou para o chão, como se não estivesse ali. — Você vai para Londres com a sua mãe. Lá você terá um psicólogo para curar esse veneno dentro de você e terminará os seus estudos longe daqui. — Não, por favor! Allegra ajoelhou-se, tremendo. — Papai, não faça isso! Eu... eu posso mudar! — Não quero mais te ver. Ponto final. — Por favor! Esta é a minha casa! Gritou o avô. Albert olhou para ela, como se ela fosse pó. — Não enquanto eu estiver pagando por ela. O avô agarrou a bengala com força. Vera finalmente se agachou ao lado da filha e colocou o braço em volta dos seus ombros. — Isso é um pesadelo. Murmurou Allegra, com lágrimas escorrendo pelo rosto. Albert já estava saindo quando parou de repente. — Não, filha. Isso é consequência do seu egoísmo e da sua m*aldade. E ele foi embora. Allegra ficou ali, no chão, agarrada à mãe como se fosse a última pessoa no mundo. E pela primeira vez na vida... ela entendeu que não conseguiria escapar impune.
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