Episódio 5

1166 Palavras
✿·━━━━━━━━※━━━━━━━━━·✿ Uma vez no carro, a loira tirou o celular da bolsa com as mãos trêmulas. O nome "Mamãe" apareceu na tela iluminada. Ela respirou fundo e atendeu. — Alô, mamãe? A voz do outro lado explodiu como uma bomba. — Que dia*bos você fez com aquela garota idi*ota? Gritou Vera Crowley, sua mãe, uma ex-modelo dos anos 90, agora socialite e especialista em casamentos fracassados ​​e humilhação pública. — O que você fez com aquela garota id*iota?! A loira virou o rosto para a janela, como se o seu reflexo pudesse defendê-la. — Eu não fiz nada com ela. Ela mentiu em voz baixa, quase inocente. — Não minta para mim, droga! Berrou Vera. — Você fez alguma coisa com aquela garota id*iota! Seu pai a encontrou morrendo no armário e está no hospital com ela! Ele já me ligou para me xi*ngar, para gritar que você tentou machucá-la! De novo! Você sabe muito bem que ele não acredita na história da queda do cavalo. Ele sempre suspeitou que foi você. O coração de Allegra disparou. Não de culpa, mas de medo. Ela estava com muito medo do pai. — Mamãe... eu não fiz nada. Ela repetiu, forçando um tom de vítima. — MENTIROSA! Gritou Vera. — Minta para o seu avô patético, ele se deixa manipular pela sua cara de princesa... mas não minta para mim! Não para mim, Allegra! Eu te dei à luz! — Mamãe... me ajuda com o papai. Por favor. Ela implorou num sussurro quase inaudível. Vera soltou uma risada seca, tão oca que gelou a garganta da filha. — Ajudar você? Você? Depois de me fazer parecer uma mãe pior de novo? Não, Allegra. Desta vez não. Seu pai me culpa por toda a sua estup*idez. — Mamãe, por favor... — Não vou te ajudar com nada. Disse ela, com a voz afiada como uma lâmina de barbear. — Resolva você. E desligou. A tela do telefone ficou preta. Allegra olhou para ela como se alguém tivesse acabado de morrer. Ela bateu o telefone no joelho, uma, duas vezes. O seu coração estava num nó e a raiva pulsava na sua garganta. Ela não conseguia respirar. Ela não conseguia pensar. Emely... Emely... M*aldita vagab*unda que deveria ter morrido ao lado dos pais. ✿·━━━━━━━━※━━━━━━━━·✿ Emely Rogers abriu os olhos. Levou vários segundos para perceber onde estava, piscou várias vezes, confusa. Então veio a queimação na garganta, a leve dor de cabeça, o desconforto de ter o braço perfurado pela intravenosa. E então ela o viu. Sentado ao lado dela, franzindo a testa e com as mãos entrelaçadas, estava Albert Crowley. O seu tio. — T-tio... Ela murmurou com a voz rouca. Albert ergueu os olhos imediatamente, como se estivesse esperando por aquele sussurro. — Estou aqui, filha. Ele inclinou-se na sua direção, segurando a sua mão com firmeza. — Como você está se sentindo? Emely demorou um momento para responder. — M-m-minha cabeça dói... o-o-o-o que aconteceu? Albert endireitou-se, mas seu rosto permaneceu sério. — É isso que eu quero saber. Os médicos disseram que a sua pressão subiu... e que você desmaiou. Ele a estudou atentamente, como se tentasse ler além das palavras. — Eu não entendo o que você estava fazendo trancada. — Eu... Emely engoliu em seco e então, como um raio, ela lembrou-se. O confinamento, o riso de Allegra, a música abafando os seus gritos, as suas esperanças de uma dança destruídas. — Emely? Insistiu seu tio. — O que aconteceu? Ela baixou o olhar, culpada. — E-E-E... eu não me lembro. Albert soltou a mão dela e levantou-se abruptamente. Ele deu alguns passos, com as mãos na cintura, como se tentasse acalmar uma raiva interior. — É isso que me decepciona em você, filha. Sua personalidade sem graça, sua insistência em se diminuir, em deixar que os outros a machuquem. — N-ninguém me machucou... — Pare de mentir para mim! Ele berrou de repente, virando-se para ela. — Allegra te trancou, não foi? — N-n-não. Ela hesitou. — E-eu não me lembro... — Eu não sou idi*ota, filha! Ela gemeu de dor. — E você sabe que eu não gosto que mintam para mim. Mentir não é bom, Emely. Eu sempre pedi para você ser honesta comigo. Ela fechou os olhos com força, lágrimas se acumulando sob as pálpebras. O seu coração batia tão forte que ela achou que ia explodir do peito. Tio Albert nunca tinha levantado a voz daquele jeito. Nunca. — S-s-sim, foi e-e-ela. ElA finalmente sussurrou. — M-mas... p-por favor, n-não faça... — A sua doçura, sua gentileza... não são culpa sua. E se ela não aguenta, o problema é dela. Emely se agarrou ao abraço dele com os olhos fechados, inalando o aroma de colônia e lar que o seu tio sempre carregava consigo. Depois de alguns segundos, ele se afastou um pouco. — T-t-tio... — Sim? — E-e-eu... m-mudei de ideia. — Sobre o quê? Ela olhou para cima, com os olhos ainda brilhando. — E-e-eu q-quero f-f-fazer uma cirurgia no meu pé. O empresário a encarou em silêncio. Não porque não entendesse. Mas, porque não conseguia expressar a emoção que o dominava. — E-eu não q-q-quero mais a-a-adiar. Ela acrescentou suavemente, como se dizer isso em voz alta estivesse superando algo dentro dela. — Você não tem medo? — E-eu não quero ter medo. Albert sentiu aquela mistura de emoções que um pai sente quando sua filha dá o primeiro passo em direção à liberdade, mesmo não sendo a sua filha. — Depois de todo esse tempo, estou feliz que você tenha tomado essa decisão. Ela assentiu, apertando a mão dele. — M-m-eu também, tio. Ele se inclinou e beijou a testa dela. — Prometo que encontrarei o melhor especialista. E desta vez, a garota sorriu, com lágrimas escorrendo pelo rosto. ✿·━━━━━━━━※━━━━━━━━·✿ Os lençóis de linho egípcio ainda estavam amarrotados, testemunhas silenciosas de uma noite de prazer, mas Willian Hawthorne já estava de pé. O seu torso nu, esculpido como uma estátua grega, movia-se com precisão enquanto ele colocava o relógio e abotoava a camisa. A mulher na cama, uma modelo de passarela com pernas infinitas e cabelos escuros, o observava com um sorriso sedutor. — Gostei das suas tatuagens. Diz ela. — Onde você as fez? — Na escola militar. Ele responde secamente. — Eu adoro... poderíamos ter um programa matinal. Disse ela, espreguiçando-se provocativamente. Willian nem se virou. Colocou o relógio, ajustou o colarinho e respondeu: eu não repito mulheres. Ela franziu os lábios, surpresa. — Como é? — Foi uma boa noite. Admitiu ele sem emoção. — Mas é só isso. Eu não repito mulheres. Nunca. — Nossa... Que cavalheiro! Willian olhou para ela pela primeira vez desde que acordou. Os seus olhos estavam frios, imutáveis, como aço. — Estou sendo. Deixei bem claro para você ontem à noite os termos sob os quais tra*nsaríamos.
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