E Emily aproveitou para revirar seu quarto, depois que o noivo foi embora. Ele prometera visita-la em breve. Beijou-a mais uma vez, fazendo-a ficar tremula, quase tocando as nuvens. Aqueles momentos tinham sido especiais para ela e se sentia mais conectada com ele. Mas, a carta não lhe saia da sua mente. Logo que aquela nevoa da paixão a abandonou, Emily procurou em seu quarto onde poderia estar à carta do seu pai. Ela tentava pensar quem poderia ser Stanley. Era um senhor, um nobre, cavaleiro? Quem ele era? Ela não poderia saber, nem comparar os brasões. Se estivesse com a carta em mãos, poderia ver a carruagem da família Derby e comparar o brasão da carta, mas sem aquilo, não poderia comprovar sua teoria. Seu medo era de que talvez, Stanley fosse algum parente de Adam, ou o pior, que fosse Adam ou Perseu. Ela ficou tremula, somente de pensar naquilo. Se fosse realmente um dos dois, ela queria ficar longe, pois aquele homem havia ameaçado seu pai. E se havia feito isso, não era bom e não seria bom para ela, nem para sua família.
Ela procurou no quarto da sua mãe, também, mas não havia sinal daquela carta. Procurou Mikael pela casa e o encontrou sentado na sala, limpando seu violoncelo com um pano.
- Mika – ela disse.
- Sim? – ele diz, sem interromper sua tarefa de lustrar o instrumento.
- Eu quero, saber...bem eu – ela balbucia – Eu perdi a carta.
- Hum...e do que estamos falando, exatamente? – ele pergunta, desentendido.
- Mikael, pare de me ignorar e largue esse instrumento – ela ralha com ele.
Mikael suspira e deixa o violoncelo ao seu lado no sofá.
- Mais uma vez, peço que me esclareça. Não sei de que assunto fala – ele diz, cordial, mas com uma pitada de ironia.
- Humf... Mika, eu estou lhe avisando, não me provoque – ela adverte, arrancando uma risada dele – Muito bem, eu falo da carta que papai recebeu de Stanley.
Um brilho de reconhecimento passa pelos olhos de Mikael.
- Ah, isso. Mas, por que levantar a questão novamente? Esse Stanley não nos cobrou mais nada, então tudo se resolveu. E fim de história.
- Não, não se resolveu – ela insista – Há algo estranho, Mika. Eu sei que você não pode enxergar o brasão, mas é igual ao da família Derby, eu tenho certeza.
- Mas isso não indica que ele Stanley possa ser próximo aos Derby, minha irmã. Até porque, o sobrenome deles é Harris. Deve ser apenas uma coincidência – ele argumenta – E você não tem o brasão para confirmar.
- Se eu ver ele em algum livro, vou saber reconhece-lo e posso comparar – ela replica.
- Entendo – mas, de fato, não compreendia - Mas afinal, por que está tão interessada, Emily? Não está feliz com o seu noivo?
Ela morde os lábios, impaciente. Estava feliz, estava muito, mas aquela incerteza não lhe abandonava. Queria saber o motivo da desconfiança que o Adam tinha com seu irmão e se Perseu fosse o responsável pela carta, ela iria confronta-lo. E se fosse Adam, ela não sabia mais como enxergar ele. E caso fosse um parente deles, iria querer saber quem era. Desejava saber com quem estava lidando. Além do que, Adam parecia lhe dizer nas entrelinhas, que Perseu era bem pior do que um simples dândi e libertino.
- Mika, eu estou felicíssima – ela responde – Muito mesmo. Mas, compreenda que o meu receio só aumentou por vocês terem tanto medo que eu fique na presença de Perseu. E se for ele que redigiu a carta? E pior, se for Adam?
Mikael passa a mão por seu queixo pensativo.
- Emily, com certeza não é seu noivo – ele responde, tentando racionalizar a insegurança dela – Ele a ama muito, sinto isso. Somente demonstra sua devoção a você. No entanto, no caso de Perseu, eu não duvido, mas também não irei lhe acusar, sem ter qualquer prova, Emily. Apenas esqueça isso. Já deve fazer muito tempo e até o momento nem ao menos tentaram tirar nossa casa, então tudo está resolvido.
A lógica de Mikael era impossível de refutar. Emily se calou, mas não iria desistir tão fácil. No dia seguinte, ela partiu mais uma vez para a livraria. Conversou com senhor Fletcher sobre seu interesse em achar algum livro que falasse sobre a família Stanley.
- Vou precisar encomendar o livro, senhorita Emily – ele explica – Eu realmente não tenho esse livro sobre as famílias aristocráticas. Precisarei de mais tempo.
Ela assente. Seriam duas semanas, mas esperaria. Queria ter certeza de que estava errada. Enquanto isso iria procurar a carta. E o baile se aproximava cada vez mais e Emily estava exultante. Adam iria leva-la e ele lhe comprara um vestido de acordo com a época. Era branco, com caimento até os pés, com um cinto na cintura, decorado com perolas. E na parte do b***o, também era decorado com perolas que envolvia seu pescoço, como se fosse uma gargantilha. Ela usaria sandálias gregas, com tira de couro que envolvia suas panturrilhas. Ela se sentia feliz por ver-se no espelho do seu quarto.
- Está lindíssima, minha filha – Flora diz, com um sorriso nos lábios – Quem me dera ter essa juventude e frescor.
- Mãe, a senhora é jovem também e poderia vir conosco.
- Ah, querida, eu prefiro ficar, se não se importar – Flora desconversa.
- Tudo bem, tudo bem. Eu prometo não demorar, também. Nunca fui a um evento assim e não sei o que esperar – Emily diz, beijando a face de sua mãe.
E Emily parte ao lado de Mikael e Adam. Todos trajados com roupas gregas. Eles descem da carruagem, em Mayfair e adentram a mansão suntuosa de lady Scarbrough. O salão de baile estava decorado com cortinas de seda, de cor clara, espalhadas pelo salão e pelas paredes. Havia bustos de homens e mulheres, com traços impressionantes e belos, além de uma estatua de corpo inteiro de um grego, quase nu, demonstrando sua virilidade. Alguns olhavam com espanto aquilo, mas quase ninguém no salão parecia incomodado. Todos sabiam das excentricidades de lady Scarbrough.
E eles foram anunciados, o que causou certo alvoroço. Todos queriam conhecer a noiva de um dos filhos de lorde Derby. Emily já era conhecida por sua reputação escandalosa, em tocar em orquestras, saraus, bailes e no momento, por ser noiva de Adam Harris e trabalhando para Perseu Harris. Mais conhecido como Tristan. Todos admiravam a beleza clássica de Emily e seu modo ao deslizar no salão. Era elegante. O que lhe causava inveja nas damas e admiração dos cavaleiros.
Adam a apresentou a alguns conhecidos, principalmente colegas da universidade. Catedráticos que compunham o corpo docente da área de filosofia, história, geografia e biologia. Eles se encantaram pelo refino de Emily, mas se se ativeram a assuntos da área deles. William, logo em seguida, entrou no salão de baile, de braço dado com Amélia. E também estavam fantasiados a caráter. Amélia optou por ser Cleópatra e William, Júlio Cesar. Ele logo a tirou de perto do noivo, dizendo que iria desfilar com sua amiga pelo salão. Na verdade, ele não queria ficar a sós com lady Scarbrough, que parecia querer toca-lo em lugares impróprios. O que o deixava desconfortável.
- E onde está a anfitriã? – pergunta Emily, de braços dados com William, e Amélia ao seu lado.
William faz uma careta.
- Não sei, mas prefiro não vê-la, se for possível isso – ele responde, em tom baixo.
Emily o fita, curiosa.
- Ele está fugindo dela, Emy – explica Amélia, tentando conter o riso – Ela está tentando flertar com ele a tempos.
- Não diga isso, Amélia – William repreende sua irmã. – Cuidado com o que diz aqui. Imagine se isso chega aos ouvidos de lorde Scarbrough, ele pode me desafiar a um duelo.
- Duvido, ele está velho, decrépito e s***o – ela diz, rindo.
Mikael se aproxima do grupo, uma taça de vinho. Estava muito elegante e belo trajado chiton branco, com um manto azul sobre seu ombro esquerdo.
- Senhorita Amelia, aceitaria dançar comigo a próxima dança? – ele pergunta.
Amélia ruboriza o que não passa despercebido por Emily. William, parecia tão distante, que nem ao menos notou.
- Aceito – ela diz, sem fita-lo nos olhos.
Mikael se afasta e volta para conversar com Adam e seus colegas acadêmicos. Amélia já vinha alimentando uma admiração por Mikael, mas não sabia se era correspondida. Eles sempre se encontravam no teatro de Perseu, contudo, suas conversas eram em torno do tema da música. Nada, além disso. O que a deixava frustrada. E as músicas que tocavam no salão eram com arpa, flauta, violino e violoncelo. Algumas eram as tradicionais valsas, minuetos, contradanças, mas também havia uma, inspirada na Grécia, Syrtos Kalamatianos, Os Kalamatianos pertencem às “danças” que tem trava medida 7/8 e dançavam em círculo, com uma direção para o direito de homens e mulheres. A dança se originou a partir da Grécia continental e deve o seu nome às palavras da canção que se tornou conhecido. A música “o lenço de Kalamata” (Μαντίλι Καλαματιανό) fala sobre um amante que dá um lenço de tecido de Kalamata para a sua amada, pra época um grande gesto de carinho.
E Mikael reclamou sua dança, uma valsa. William levou Emily para dançar também, e Adam os observava de longe, sem parar sua conversava. Ele confiava em William, sentia que o cavaleiro não iria fazer nada de errado com sua noiva. Mas, não conseguia controlar o ciúme. Era algo irracional, ele sabia. Os outros sentimentos, como ira, inveja, raiva, dor, eram fáceis de administrar. Era somente necessário disciplinar sua mente. Mas, o ciúme, ele tentava racionalizar dentro de si, mas não conseguia controlar.
E Mikael girava Amélia pelo salão, a fazendo rir e corar.
- Realmente, essa noite está sendo muito interessante – ele diz, perto do ouvido dela – Nunca pude dançar em um salão como esse que me descreve. Realmente deve ser muito bonita a decoração.
- Sim, senhor Mikael – ela diz, sentindo a mão dele envolvendo sua cintura e sua mão, de forma carinhosa. Ela não sabia se estava a imaginar coisas, mas sentia que talvez fosse correspondida em seus sentimentos – Se pudesse ver, veria todos de toga, chifon, como o senhor está. E eu estou de Cleópatra. O mais irônico é meu irmão escolher ser Júlio Cesar – Mikael ri - Aliás, quem escolheu suas roupas?
- Emily – ele responde – Ela não me fez parecer ridículo?
- Não, senhor – Amélia responde, admirando ele – Está perfeito.
- Ah, menos m*l – ele diz, sorrindo – Emily gostava de pregar peças comigo. Fazia-me vestir peças estranhas. Minha mãe que precisava me alertar – Amélia deixa escapar um riso – Eu fui perdendo a visão gradativamente, durante os anos. Quando era criança, conseguia ver tudo, mas a partir dos treze anos, já não via quase nada. E hoje tudo é escuridão para mim, senhorita Amélia. Pelo menos, tive tempo de deslumbrar muitas coisas belas nesse mundo. Queria poder ver teu rosto, que com certeza, deve ser encantador.
Amélia cora, sentindo sua respiração acelerar. Mikael a fitava, como se a pudesse ver, mas ela sabia que não.
- Eu sinto muito, senhor – ela diz, comovida – Eu não sabia da sua história. Como é se sentir assim? Sem pode enxergar o mundo a sua volta?
- Um pouco solitário – ele responde – Algo que me faz refletir mais e ser introspectivo. Eu tive a benção de saber como é o mundo e sua beleza. E agora, sou obrigado a interpretar a subjetividade de todos que estão a minha volta. Cada um tem uma maneira e um olhar único sobre os objetivos que estão a sua volta, entende? E eu preciso extrair essas informações e usar minha imaginação para interpretar o que está a minha volta. Mas, uma vantagem é poder sentir o mundo com outros sentidos. Eu tenho audição, olfato, paladar e tato mais bem desenvolvido. Eu sei o que deve estar pensando: que sou um desocupado por conseguir ter essas impressões? Um pouco – os dois riram juntos – Mas, como só tenho a música como companhia, preciso experienciar o mundo a minha volta. O ócio produtivo me é mais interessante.
- Então o senhor é muito inteligente – ela observa, admirada - Não deveria se envergonhar por ter tempo. Se não tem a visão para ver o que está a sua volta, deve sim desenvolver outras habilidades inatas – ela suspira – É uma pena, mas sinto inveja do senhor.
Ele arqueia a sobrancelha, a fazendo girar mais uma vez no salão.
- E por que diz isso? – ele pergunta, quando eles voltam a circular pelo salão.
- Pelo fato de o senhor ter liberdade – ela responde, triste – Liberdade para ser o que quiser ser. Enquanto eu já tenho um papel definido. Casar, ter uma família e cuidar dos meus filhos e marido. Apesar de minha família aceitar que toco música, meus pais estão convictos e me criaram para ser uma esposa. Até mesmo estão fazendo alianças para me casar com um homem com títulos. Mas, para minha sorte, a maioria está arruinado, o que eles não querem na família.
Ela ri e Mikael a acompanha.
- Não é muito jovem para isso, senhorita? Para pensar em casamento? – ele indaga.
- Na verdade, não muito. Já tenho dezenove anos, Mikael. Minha mãe se casou com dezessete anos, no seu primeiro debute. Tive três temporadas e não me casei. E quase não tenho pretendentes, porque falo o que penso e toco música, o que nenhum cavaleiro parece apreciar.
- Entendo – ele diz – Mas, é tolice um cavaleiro pensar que uma dama não pode pensar. Eu acho isso de fato uma injustiça com seu s**o. Por mim, pode falar o quanto desejar, senhorita Amélia. Aprecio seu intelecto.
Aquilo fez o coração dela se aquecer. Como gostava de Mikael. Estava profundamente apaixonada por ele, mas nem poderia sonhar em se casar com um músico, sem a reprovação dos seus pais. E se ele a pedisse em casamento, não sabia se aceitaria ou não.
Enquanto isso, do outro lado do salão, William dançava com Emily e os dois trocavam impressões sobre o baile.
- Eu não sei o que essa dama tem em sua mente – William comentar – Emily, ela parece querer me encurralar. Veja seu olhar para mim.
Emily olha de relance, vendo que lady Scarbrough fitava William, com lascívia, sentada no seu divã de cor creme, mas afastada. Estava com outras matronas e parecia muito interessada em seu amigo. Emily controlou o riso. Tinha pena de William. Doroth Hamilton, a famosa lady Scarbrough, era uma mulher bonita, apesar de estar madura. Tinha cabelos claros, olhos verdes e um corpo formoso. Era cinco anos mais que William, que já tinha seus trinta e cinco anos. E como ele era um cavaleiro bonito e vem conservado, ter era muito notado por todas as damas, mais principalmente, as mais velhas.
- Eu não sei o que fazer – ele diz – Emily, eu preciso confessar algo. E muito sério.
Emily assente.
- Podemos conversar mais afastados, quando a música terminar – ela diz.
E quando a música termina, eles ficam perto da mesa de bebidas. Logo, William não poderia se esquivar mais daquela dama. Teria que apresentar Emily a ela. E William toma de uma vez uma taça de champanhe, quando o garçom oferece com sua bandeja de prata.
- O que foi, por Deus, William – Emily pergunta, em tom baixo. Estava preocupada com seu amigo.
- Emily, o que vou dizer, não deve ser dito a ninguém...por favor – ele diz, em tom agoniado.
- Claro, não vou dizer nada – Emily diz.
- Só, prometa, por favor – ele pede.
- Tudo bem, eu prometo.
- Muito bem...é essa dama que me persegue, já tentou me encurralar de qualquer maneira. E um dia me viu em uma situação deveras constrangedora – ele explica. Estava vermelho até o pescoço. Emily nunca vira William desconfortável – Eu...bem, resumidamente, não tenho preferências por mulheres – Emily arregala os olhos – Não vai me julgar, vai?
- Não, não. De maneira alguma, e que bem, eu pensei...- Emily fica desconcertada. Ela não era tola nesse quesito, mas nunca havia desconfiado da sexualidade do amigo.
- Bem, eu não posso me expor, Emily – ele comenta – A figura do meu pai é muito conhecida...e bem se ele soubesse, provavelmente me trancafiaria em um sanatório.
Emily aperta a mão de William, condoída. Ele lhe oferece um sorriso fraco.
- E bem, estava em uma festa, que não é para qualquer pessoa, e nem para você – ele comenta – E isso que vou lhe falar, pode choca-la. Perseu também estava lá. E bem, as pessoas se envolvem de uma maneira que não devem fazer antes do casamento, Emily.
Ela assente. Sabia da castidade que deveria manter. Mas, nem ao menos sabia com certeza, o que de fato uma mulher casada fazia. Apenas vira em ilustrações de livros que encontrou escondido no quarto de sua mãe. E aquilo para ela era estranho. Mas, não se horrorizou, apenas não achava que deveria ser confortável ter relações intimas.
- E bem, essa dama também estava lá e eu estava com um cavaleiro em questão...bem um diplomata – ele explica, envergonhado – E ela viu tudo. E exigia minhas atenções, Emily. Pense como foi r**m para mim, pois não queria ser exposto, nem esse cavaleiro. E tive que ceder a ela. E desde então, ela não para de me perseguir. Eu sinceramente, não a aprecio. Gosto de damas, tanto quanto cavaleiros, mas, bem...
- Eu entendi, William – Emily diz, rindo – Você está entre a cruz e a espada.
- Exato, exato – ele diz, envergonhado. – Me perdoe falar tão francamente, Emily. É que confie em você. Acho que confiaria minha vida a você – ele fala – Eu não sei, mas parece que você é especial, sabe. Como se pudesse confiar todos meus segredos.
Emily sabia disso. Sabia que quem vinha até ela, lhe falava tudo, sem ter medo. E Emily, através das experiências dos outros, conseguia entender melhor o mundo e seus aspectos. Ela era guardiã do lado sombrio da humanidade. Se assim, pudesse ser classificado.
- Está tudo bem, William. Somos amigos. Sabe que amo você e muito – ela diz, sorrindo.
- Eu também a amo muito, minha pequena – ele diz, comovido – É uma pessoa boa, Emily. De verdade. E por isso, vou lhe dar um conselho, como seu amigo: tenha cuidado com Harris, por favor. Ele não é o homem que transparece no teatro. Ele faz coisas bem piores, até para mim. E não vou mentir, não sou um santo, Emily. Longe disso, mas respeito às mulheres ao redor e não cobiço ninguém. Mas, Perseu, quando cisma com algo ou alguém que não está ao seu alcance, é implacável na sua busca. E você, querida, é o que ele deseja no momento.
Emily assentiu. E tentou entender o que seu amigo dizia. Ele queria ajuda-la e vendo por aquele aspecto, Emily entendia que os dois estavam em uma festa de nobres libertinos, fazendo todo o tipo de orgias. Ela não era tão tola, para não saber que isso existia. Iria ficar mais atenta a Perseu. E isso, porque, estava envolvida com a personalidade dele. E não queria sentir aquele sentimento incomodo. E Adam se mostrava pouco apaixonado, mais racional e distante. Não deixava de mostrar seu lado ciumento. Ela sentia nele mais um amigo querido, do que propriamente um noivo. E algo despertava dentro dela, uma sede de ter afeto e amor. Temia fazer algo errado. E para tornar o quadro mais dramático, temia a si mesma e suas atitudes.
Depois daquela conversa sincera, entre amigos, Emily volta para perto do noivo. Adam estava frio e distante. Em nada parecia aquele cavaleiro doce e gentil. E ela não compreendia isso. Até que viu alguém no salão, que não desejava ver nunca mais. Lorde Severn. Ele não estava a caráter, mas isso não parecia incomodar a anfitriã. A mesma cumprimentou o lorde, que era bem mais velho, com cabelos grisalhos e andava com o apoio de uma bengala. Eles conversavam e Emily resolveu se esconder no toalete. Andou apressada, pelos corredores. Já havia cumprimento a lady Scarbrough e não ficar precisava por perto. Iria evitar seu avô a todo custo. E havia se perdido nos corredores daquela mansão enorme e majestosa. Via vários quadros renascentistas, realistas e surrealistas espalhados. O local era de parecia uma galeria. E para compor o quadro, Perseu estava cochichando no ouvido de uma dama, de cabelos ruivos.
Ele viu Emily, estática no final do corredor, com os olhos arregalados.
- Querida, se puder me dar licença – ele diz a senhorita Chartres – Preciso conversar com alguém.
- Aquela dama? O que aquela mulher tem de tão especial, Perseu? – ela pergunta, com a voz doce, mas por dentro fervia de raiva – Não ficara comigo essa noite? Não tem me visitado mais. Estou me sentindo sozinha...
- Por favor, Adelaide. Se porte como uma dama. Essa mulher, como você disse, é importante sim. É minha cunhada – ele responde, ríspido – Nos veremos depois.
Ele se afasta, indo ao encalço de Emily. Queria falar com ela, não sabia que desculpa iria dar. E nem sabia por que queria lhe oferecer suas desculpas. Era um homem livre e faria o que bem entender, mas ela lhe causava isso. Maldito remorso!, pensou.
E Emily se afastava, com vergonha por presenciar aquela cena. Havia o visto tocar os s***s da dama e beijar o pescoço dela. Aquilo era algo que não queria presenciar. Entrou em uma porta aberta e a fechou. Viu que estava em uma biblioteca enorme. Sentou na poltrona, perto da janela e respirou fundo. Podia ver os convidados no jardim. Sentia-se segura ali. Longe de Severn e Perseu. Contudo, sua paz durou pouco. A porta se abriu.