Não sei como irei escapar dessa. Uma bela e salgada bronca, contendo todos os sermões e tudo o que tenho de direito. Mas também, precisei demorar quase um mês para acabar com uma missão que não era tão importante assim.
Jade vem como um furacão. Antes dela se pronunciar, já começo com as minhas desculpas, "uma Escapada de mestre"
— A não! Nem vem com seus pitis. — Minha cabeça está até mais pesada de tanta dor. Queria ter me livrado dela antes mesmo de ter a conhecido.... Mentira!
Lógico que Jade me tira do sério, é chata, mandona, irritante, vive pegando no meu pé... Até tocou no assunto de eu me arrumar mais e me comportar melhor para o meu companheiro não fugir de mim. Querem saber? NÃO LIGO! E daí... Ele que goste de quem realmente sou.
Ou melhor... Que ele tenha muito, mas MUITO medo mesmo de mim, assim saberá com quem estará lidando. Com uma mulher forte e não um "fantoche humano". Li isso num livro que era famoso para os humanos.
— Sabe muito bem o que eu penso né? Nem preciso dizer sobre o quê. — Jade diz sentando ao meu lado cruzando os braços emburrada. Eu ddisse sentando? Estava mais para um motor tremendo terra caindo do meu lado, do que um ser humano sentando.
Me sentia muito dolorida. Eu só queria ir para casa. Espera... A onde deixei a cabeça do Alfa? Meu santo lobo! Eu precisava dele para receber a recompensa com ela.
Pensa... Pensa... Pensa! Vai Jordan! Não é tão difícil assim? Que i****a que sou!
— Amiga? Está bem? — Jade me tira do transe.
— Ah... Sim... Estou ótima. — Só aí que percebi que estou franzindo muito a testa. Quase parecida com a vovó da família Dino.
— Não parece. Ficou branca, mais branca do que o jaleco do senhor tentação que veio te examinar.
— O... O que? — Estava tão fora de mim que até perdi as famosas quedinhas de Jade.
— Vamos. — Fiquei pensativa que nem consegui escutar ela me chamar. Estava mais confusa do que o normal.
— Se quiser ficar e morar aqui... Pra mim tudo bem. — Jade fala sem paciência. Logo bufa. — Você já está de alta senhora lerdeza!
Levei um tapa na testa o que me fez voltar a si. Um si muito estressado por sinal. A olhei querendo apertar certo pescocinho... Ela me encara com o mesmo olhar apertado, depois começamos a rir da situação da forma mais natural possível.
[... ]
Rimos muito. Lembrando do menino repolho da sala de aula. De como ele fedia a boeiro. A estérica da Lohana. Era a nossa noite de cinema. Na verdade era ver séries e filmes em casa mesmo.
Lembro de poucos momentos assim com minha família. As risadas em volta da enorme mesa de jantar. Já se passou tanto tempo desde o sumiço da minha família, que chega a ser normal para mim. Como assim? Tá. Vou explicar...
Eu não choro mais por ser abandonada. Por sempre estar sozinha... Isso é bom! Sou madura, me defendo sozinha. Não sinto mais saudades... Porque foi o destino que os tirou de mim. Foi melhor assim.
Uma pequena lágrima saiu sem permissão.
Odeio isso!
Jade percebeu e me abraçou. Culpei o filme, dizendo que era muito triste. Não queria atormentar ninguém com minhas maluquices... Não agora.
Não contei a vocês bem claramente minha lembrança de quando fugi do meu destino. Sim, o dia que corri para salvar as nossas vidas.
Eu era só a mais velha naquela noite.
Resuminho básico: Saí da casa as pressas amedrontada, me escondi no mato com o Luan. A noite estava fria e gelada, um dos caras puxou Sofia... Puxar? Eles a arrastaram, isso sim. Planejei de solta-la no último momento, tive que matar um deles com minha adaga de caça que ganhei de aniversário.
Quem ganharia uma adaga de aniversário? Pois é... Euzinha aqui! Isso porque eu adorava caçar na minha forma humana mesmo. Isso me deixava mais forte como se fosse um treinamento extra.
***
O sol estava se pondo. As flores dançavam com o vento. Silêncio seria necessário para a concentração. Meu pai me ensinava golpes de auto defesa quando tinha seu tempo livre, era maravilhoso estar ali com ele.
— Se concentra Jordan! — Diz ele me acertando um soco de leve.
— É muito difícil pai! — Sentei no chão emburrada.
— Você quer ser forte como seu pai? — Agachado ao meu lado, sempre foi assim. Com diálogos que me fazia pensar além dos problemas, ele conseguia despertar o melhor de mim, fazer com que ultrapassasse os limites.
— Humrum! — Murmurei quase chorando.
— Vamos, você é mais forte do que isso. — Diz puxando os cotovelos me colocando de pé.
***
O que me incentivou todos esses anos de continuar foi aquela frase: " Você é mais forte do que isso" " Você consegue". Isso tornou meu mantra por todos esses anos.
— Jordan, porque você não arruma um emprego? — Jade diz entupindo a boca de pipoca.
— Está ficando maluca? Se eu já tenho uma facilidade enorme de MATAR uma pessoa qualquer... Quem me garante que vou tolerar alguém mandando em mim? Nem você conseguiu isso! — Falei o óbvio e ela fez uma careta para mim.
— Não consegue ou não quer? — Jade me olhou pelo canto dos olhos. Bufei frustrada, isso era verdade. Já tive oportunidades boas de serviço... Como aquele de matar um babaca de uma super empresa....
— Hahahahaha. — Não estou levando a sério, mas o cara era chato e machista, isso me deu vontade de pendura-lo pelas bolas no último andar do seu prédio.
Huum... Seria uma ótima ideia.
Jade me olha assustada e depois confusa. Acho que foi a cara de pervertida que fiz... Ou devo ter dado uma risada alto demais. Era um filme de terror.
Continuamos assistindo, ainda bem que os meninos foram dormir cedo. O dia foi bem cansativo. Os levei para dar uma volta na minha loba pela manhã, quando cheguei do hospital só imaginei como seria os ver depois de muitos dias sem estar por perto. Por algum motivo Lili queria brincar com elas no campo. Corremos por todos os lados, principalmente tendo o Luan nas costas.
[... ]
— Ahahahaha! Sai daí sua merda! — Falhei com o personagem que ia entrando na casa assombrada. Nunca levei um susto, enquanto eu ria a Jade se tremia toda e dava pulos do meu lado.
— NÃO falei i****a! Ta aí. Agora vai lá dançar com o fantasma! — Jade pulou com o meu super não, ela veio pra cima de mim me desferido tapas. Lógico que foi intencional, gosto de assustar quando estamos assistindo algo.
— Eu te mato! Sua doida! Não estou a fim de morrer tão cedo! — Diz voltando ao seu lugar emburrada, me tomando a bacia de pipocas. Literalmente uma ENORME bacia, porque adoramos pipocas. Passamos a noite assim. Quem sabe eu deixo de lado toda essa história de Caçadora e arrumo um emprego?
Jade e eu sempre fomos inseparáveis na época da escola. A todos os momentos tive alguém para me apoiar, mesmo eu estando no erro. Ela sempre será tudo para mim.