Capítulo 15

3483 Palavras
Ao voltar, nunca sentiu tanta emoção na vida quando abriu a porta de metal. Se sentia definitivamente parte dos Feiticeiros Prodígios do Castelo de Ic e nem sabia onde ficava ou que tinha de tão especial. Nem bem chegou ao recinto e Layra o ordenou que voltasse para fora com a Bala, ela ensinaria tudo sobre portais para ele, era perita nisso. Bala era tão pequena, na altura só ganhava de Talita, o que não parecia, provavelmente, por Talita ser mais corpulenta que ela. Ficaram por horas a conversarem sobre o assunto, fizeram uma pausa para comerem alguma coisa até voltarem novamente. Cesar não se cansou, ele estava bastante animado para aprender tudo aquilo e nem teve dificuldade em pronunciar os feitiços corretamente. Como ele já tinha conhecimento das cautelas para praticar feitiços, só lhe restava um bastão mágico e nada poderia lhe deter. No entanto, Layra o emprestou o bastão dela, mas ele não conseguiu fazer um feitiço com ele, tentou com algumas outras — não o de todas — e também falhou. Era possível fazer magia na Terra, não como em Dorbis, mas Cesar não conseguiu nem o mais simples de todos, o portal Spegulo Mondo. — Eu não consigo — disse Cesar depois da décima tentativa de conjurar o tal portal que se apareceria, mas não teria o efeito de levá-lo para o mundo mágico pelo fato de os portais estarem bloqueados em Dorbis. — Não é possível, as coisas que eu ouvi sobre você aqui me fizeram acreditar que você tem muito poder e você não está conseguindo conjurar um feitiço tão fácil — disse Bala desapontada. — Deve estar faltando alguma cautela. Provavelmente, o d****o. — Como assim? Eu d****o fazer magia mais do que nunca. — Eu sei, vocês terráqueos têm fascínio pelo Sobrenatural, por isso são ótimos feiticeiros, mas é tão difícil encontrar um. Cesar, acredito que você está bloqueando o seu d****o. — Explica mais, por favor. Ela sentou-se no gramado e Cesar a copiou. Ficaram um de frente para o outro. — Olha, existe um fenômeno qual chamamos de Bloqueio Mágico. Ele é um problema, pois, qualquer trauma que você sofreu faz com que você bloqueie uma cautela e daí lhe impedirá de fazer feitiços. Existem feitiços tão complexos, mas tão complexos que exigem a quantidade máxima de cautelas. — Quantas são? — Sete. — Nossa! — Mas isso é ensinamento super-avançado e você ainda não está preparado. Esses feitiços são complexos porque é quase impossível não ter um bloqueio para com alguma das sete cautelas e se você bloquear uma, por mais insignificante que pareça, será impossível fazer magia. — Por que estou bloqueando o d****o? — O d****o é um sentimento, Cesar, independente de para o que seja. Pode ser de comida, de viajar, de se vestir como quer, de ser quem é de verdade. Todo mundo tem d****o, é natural, qualquer deslize no d****o que te trouxer trauma, pode te bloquear. — Espera! Esse d****o pode se referir a... — Cesar limpou a garganta, pois, ficou encabulado por falar sobre aquilo. — Namoro? — Principalmente, o ápice do d****o está baseado na paixão ou no amor — Bala o olhou de soslaio. — Está frustrado com alguém? — Bem... — Cesar procurou as palavras, mas pensou demais e não falou nada. — Não quer falar sobre isso? Eu entendo... — disse Bala. — Não! — tranquilizou Cesar. — Não é isso, é que eu estava procurando um modo de explicar. Olha... Eu comecei a namorar quando era mais novo, foi o meu primeiro relacionamento sério e eu a amava demais. Me doava demais. Me entregava cegamente, até que um dia fui viajar, fiquei longe por quase dois anos e quando voltei, descobri que ela me traía. Bala ficou surpresa, até porque o considerava um rapaz muito bonito e os seus olhos cor de girassol o tornava mais belo ainda. Não só ela como também quase todas as doze garotas daquela residência. As garotas não se atreveriam a demonstrar o interesse diretamente por pensarem que ele e a Talita se gostavam e tinham uma química muito forte. Fora ele ser um amor de pessoa. O que levaria uma garota a traí-lo? — Você a desejava mais que tudo e agora está frustrado — condoeu-se Bala. — Eu te entendo perfeitamente, já passei por isso. Não consegui me relacionar com mais ninguém até me resolver com o traidor. Aquilo podia me prejudicar, eu não pude fazer magia, depois, dei a volta por cima e me tornei a melhor em portais do Reino de LagoAnil, em Syanastiah, quem sabe, a melhor do meu Continente. — Parece que estou falando com a pessoa certa. Me diga, Fama, como você se resolveu? — Eu fui até a pessoa e conversei, simples. Estava calma, fiz várias perguntas, ouvi todas as respostas, as desculpas, as justificativas, não perdoei, necessariamente, quem sabe, algum dia, mas não me importei mais com aquilo. Desbloqueei o meu d****o, pois, tinha trancado o meu coração, não tinha superado aquilo, e finalmente pude me relacionar outra vez e fazer magia muito bem. — Parece que os meus olhos se abriram, muita coisa faz sentido — Cesar se aproximou de Bala e a abraçou. — Muito obrigado, você me salvou agora. — Oh! — exclamou Bala a retribuir o abraço. — Você é muito fofo. Ele a soltou e se sentou novamente. — Bala, pode me dizer o seu nome verdadeiro? Fiquei curioso. — É Ysizabala, não é muito bonito para vocês terrestres, Talita já me falou... — Está brincando? Eu achei lindo. Bala sorriu e os seus olhos brilharam porque sabia que Cesar estava a ser sincero. Ao terminar a aula, na faixa das nove horas da noite, Cesar foi embora para casa para se arrumar para ir ao velório do pai do seu amigo Eusébio. Amanhã, teria que responder algumas perguntas para Ysizabala a fim de se certificar de que aprendeu direito, até agora, a única que usou esse método. Também, pela tarde, teria que começarem o processo de recrutamento. Apenas ele podia enxergar um feiticeiro. Quem tinha esse trabalho, dentre todas as integrantes, era a Asqueva, ela possuía vários dons, e um deles era sentir a presença da magia, principalmente, a das trevas, pois, não era fácil para ninguém identificar uma feiticeira ou feiticeiro se não for por meio de rituais de encantamento ou por meio de dons. Sobretudo, o dom de Cesar era mais eficiente que qualquer outro, ele conseguia enxergar qualquer tipo de feiticeiro. *** Mesmo a rua estar iluminada, Cesar ficou com medo de esperar por Talita do lado de fora, faltava vinte minutos para às dez horas da noite e apenas alguns cachorros estavam a transitar. Ele decidiu abrir a porta do muro, mas alguém do lado de dentro a abriu antes. Era a Talita, usava um vestido preto, uma pequena bolsa preta e seus óculos pendiam na gola da roupa. — Para que esses óculos escuros uma hora dessas? — questionou Cesar com tom de graça. — Deixa de ser ignorante, Cesar, as pessoas usam óculos escuros em velórios para esconderem as olheiras — respondeu Talita no mesmo tom. — Você não tem olheiras. — Me deixa ser fashion, menino chato. Ele riu, sabia que o movido era mero capricho. Os dois começaram a seguir caminho até ouvirem o ranger de um portão a se abrir e uma voz a chamar pelo rapaz. Era o Leandro. — Leandro, o que foi? — perguntou Cesar já a imaginar o que ocorria, pois, o seu irmão estava bem arrumado, próprio para um enterro. — Ainda bem que você não foi ainda. Olha, o nosso pai pediu para alguém te acompanhar — respondeu o garoto. — Não precisa, irmão. — Mas eu quero ir. — Por quê? É um enterro. — Eu sei, mas não quero ficar em casa, está um tédio lá dentro e você sabe que eu conheço o Eusébio. — Você vai para um velório por que está entediado? — Deixa ele vir, Cesar, você está muito chato hoje — falou Talita. — Fora que ele já está arrumado. No final, Leandro acabou os acompanhado para a casa de Eusébio, na verdade, Cesar queria um momento a sós com Talita, mas ela parecia tão ingênua, e de fato era um pouco, porém, a sua inteligência poderia surpreender a de qualquer pessoa que ele conhecia. Depois de vinte minutos a andar, encontraram um pessoal no caminho, conheciam o Cesar, o cumprimentaram e entraram todos e todas juntos na casa, foram recebidos pelo próprio Eusébio que não parecia está tão abalado quanto alguns outros familiares. — Vem entrando, pessoal — saudou Eusébio, sua saudação com o Cesar foi a mais calorosa. — Ô, meu irmão, ainda bem que vocês vieram — ele pegou na mão direita de Talita como um cavalheiro galante e a beijou. — Você veio — ele soltou a mão da garota, não podia demonstrar tamanho carinho por ela naquele momento, de qualquer maneira, não conseguiu esconder dos outros o seu interesse e Cesar não se permitiu demonstrar ciúmes, apesar de ter se irritado muito com aquela atitude, ali não era lugar e nem hora. — Olha, sentem-se, fiquem à v*****e, se quiserem comer alguma coisa é só me pedir. Talita havia entendido que Eusébio flertava com ela na cara de p*u e segurou no braço de Cesar para mostrar que estava bem acompanhada, isso deixou o Cesar mais confortável, no entanto, Eusébio ficou bastante desconfortável e saiu a deixá-los sozinhos. Ficaram a perambular pela casa, era grande e estava repleta de pessoas vestidas de preto, conversavam, comiam, choravam, mas tudo no mais elegante sussurro, o corpo do finado estava no caixão na sala, encostado numa parede onde havia um quadro dele. Fagner, o pai de Eusébio era um homem de classe média, n***o, de meia idade, porém, bem conservado, e vivia viajando para trabalho. Ele gostava tanto do Cesar que chegou a pedi-lo para ir morar com ele caso as coisas na sua casa não estivessem indo tão bem. Cesar, Talita e Leandro observavam o corpo de Fagner no caixão qual estava sozinho e ignorado. Em alguns minutos um padre chegaria para dizer algumas palavras, pois, Fagner era um católico devoto, até que alguém se aproximou, era a mulher dele qual Cesar chamava de Tia Márcia, dezessete anos mais nova que o finado marido, menos escura que ele e tinha olhos da cor do mel, também era bem conservada, mas não parecia ser mais jovem que a idade que tinha, como Fagner. — Ele era um homem muito bonito — disse Tia Márcia. Os seus olhos estavam inchados, como se tivesse chorado muito, mas a sua voz estavam equilibrada, voz de quem não chorou uma lágrima. Ela parecia bem, tão bem quanto o filho. — Era sim — reafirmou Cesar, ele não sabia o que dizer, era difícil achar as palavras certas, ela não parecia que precisava de um consolo. — Tinha um coração muito bom. Tia Marcia olhou para Cesar sem expressão alguma no rosto, depois sorriu de maneira triste e completou: — Sim, ele tinha, até demais. Tão bom que ajudava outra família e a gente só ficou sabendo depois que ele morreu. Espero que não queiram dinheiro depois disso, não temos tantas condições agora — Tia Marcia saiu do local com o olhar distante e deixou que os convidados ficassem com os pensamentos atônitos. — O que foi isso? — indagou Talita ao juntar-se ainda mais aos meninos. — Gente, eu achei ela bem hostil — comentou Leandro. — Meu Deus, parem de fofoca — repreendeu Cesar. — Quando a gente perde alguém que ama a gente fica assim, estranho. Deixem ela passar esse momento sem críticas. — Por que você precisa ser tão certinho? — questionou Leandro. — Você deixe de ousadia, menino, eu sou mais velho que você. Leandro revirou os olhos e ficou de costas para eles. — Cesar, o que aquela mulher falou foi bastante intrigante — disse Talita. — E concordo com o seu irmão, mesmo se ela não tivesse falado em um tom hostil, deu para sentir um leve agressividade. — O que você quer dizer com isso? — Que ela tem mágoa do finado e não está nem aí pela sua morte. — Como chegou a essa conclusão... — Cesar teve que se interromper, pois, a filha do finado, irmã de Eusébio, se aproximou bastante alegre e saltitante. O seu nome era Larissa, ela usava uma saia rodada preta e uma blusa preta de cetim por dentro. Os seus cabelos eram alisados a ferro e ela usava uma franja não muito bem feita, mas dava para se sentir bem arrumada. — Oi, Cesar — a garota quase pulou nos braços do rapaz, estavam tão sorridente que não parecia estar no velório do próprio pai. "O que está havendo com essa família?" pensou Cesar. — Você veio — ela cumprimentou Leandro e por fim, Talita com um gélido aperto de mão, ou seja, sem tanto entusiasmo como fora com os meninos. — E quem é essa? — Essa é a Talita, minha vizinha. — Prazer — Larissa falou tão rápido que demonstrou que não deu muita importância para ela e voltou a olhar para Cesar. — E aí, comeu alguma coisa, amor? "Amor?" pensou Talita ao arquear as sobrancelhas. — Não — respondeu Cesar. — Não estou com fome. — Tem certeza? Não quer um suco, um refrigerante? — Aliás, vou aceitar um suco sim — ele olhou para Talita. — Quer alguma coisa? — O que tiver que trazer — afirmou Talita. — Então, vem comigo, depois você volta — Larissa nem deu a Cesar a chance de dizer alguma coisa e o puxou para a cozinha. Larissa sempre foi interessada nele, e demonstrava de todas as maneiras, ele sempre soube, mas nunca deu uma fração de esperança a ela, sempre a tratou como tratava o Eusébio, fora ela ainda ser menor de idade, dezessete anos, mesmo os seus hormônios terem a deixado com uma aparência de mais madura. Talita ficou sozinha com o Leandro. — Vamos nos sentar? — sugeriu o irmão. — Não quero ficar perto do defunto, estou sentindo calafrios. — Ah! — Talita exclamou o seu alívio. — Pensei que fosse só eu. Vamos agora. Ambos foram se sentar num sofá ali perto. Ficaram em silêncio a observar as pessoas até chegarem Eusébio e outra garota que cumprimentou o Leandro, pois, já se conheciam. Talita ficaria no relento se não fosse o Eusébio que puxou todos os assuntos para tentar dialogar com ela que não demonstrou nenhum interesse. Ela preferia o relento. Enquanto isso, na cozinha, Larissa preparava um prato qual Cesar segurava para entregar a Talita, depois, pegaria um suco para ele. Ela conversava sem parar e Cesar não prestou atenção em nada, não deixava de pensar na outra. — Não é, Cesar? — perguntou Larissa. Cesar arregaçou os olhou, nem tentou adivinhar sobre o que ela estava a falar. — Ham? O quê? — Você não ouviu nada do que eu te disse? — Me desculpe, é que eu estou muito cansado. — Se você quiser, pode dormir no meu quarto. O padre vai demorar um pouquinho para chegar. Ele está em outro compromisso agora. — Não, não precisa, estou bem. — Claro que está, você é um rapaz muito forte. — Que isso... Sou tão comum quanto qualquer um aqui. Larissa sorriu de uma maneira totalmente desnecessária, parecia que ele havia lhe contado uma piada muito engraçada. De repente, ela mordeu os lábios e se aproximou bem devagar. "Sempre acontece numa cozinha" gritou Cesar em pensamentos. Ele pegou o prato ligeiramente e o posicionou entre eles. — Eh... Eu preciso levar logo isso. Talita não comeu nada hoje, tadinha, deve estar morrendo de fome. Obrigado! Ele se virou para ir embora, mas Larissa foi mais rápida e o segurou pelo braço de uma maneira que quase o fez derrubar os doces e salgados. — Espera aí, seu lindo — ela o virou de frente, pegou o prato e colocou em cima da mesa, depois o agarrou e o beijou. Por impulso, Cesar a afastou e o beijo não durou dois segundo. — Espera! — disse o rapaz ao afastá-la. — Não faz isso. — Por quê? — questionou Larissa com os olhos tristes. — É por causa daquela menina, não é? — ela o olhou com indiferença. Cesar abriu a boca, tentou dizer alguma coisa e nada saía. — Eu sei que é por causa dela e sei que vocês não namoram — continua Larissa. — Como poderia saber? — Uma mulher apaixonada não deixaria um homem como você vir aqui sozinho com uma mulher como eu. — Nossa! — Cesar pensou antes de continuar. — Olha, eu sei que você gosta de mim, me desculpa não corresponder, mas eu não estou interessado, fora eu gostar mesmo da menina que veio comigo... — A garota branca — interrompeu Larissa. — Por que as meninas brancas sempre roubam os nossos pretos? — Ela não é tão branca assim e isso não tem nada a ver com a situação. Eu gosto dela. — Cesar, a sua ex-namorada é branca também. Quando vai começar a dar valor à sua raça? — Por que você está dizendo estas coisas? Larissa suspirou, pegou o prato com a comida e jogou na pia cheia de água. — Eu só quero que você acorde — disse ela antes de sair. — Meu Deus! — exclamou Cesar atordoado. — Mulheres. "Homens" pensava Talita ao revirar os olhos quando Eusébio mostrava os seus músculos em desenvolvimento. Ela estava muito entediada com ele, tentou mandar sinais para o Leandro a ajudar naquela situação, mas ele estava bastante entretido na conversação com aquela menina, porém, a esperança chegou quando Cesar apareceu desacompanhado e se sentou no braço do sofá. Os olhos dela brilharam tanto que deixou o Eusébio constrangido. — Ué? Cadê a comida? Não trouxe. — Desculpa, Talita, aconteceu um acidente — responde Cesar. — Caiu tudo na pia. — Por que não pegou mais? — disse Eusébio. Ele tranquilizou Talita e disse que ia preparar outro prato para ela e que ela não saísse dali. Cesar aproveitou para sentar-se ao lado dela. — Graças aos Céus — agradeceu Talita —, eu não aguentava mais. — Por quê? Ele é tão legal, chatinho, mas é legal. — Eu sei, ele é cavalheiro, mas é fútil demais e não tem nada nele que me atrai — ela sussurrou: — Ele estava me mostrando os músculos. Quais músculos, meu Deus? Cesar riu e mostrou os dele para impressioná-la. — Uau! — exclamou a amiga de Leandro, o seu nome era Betânia, ela se levantou e sentou-se no braço do sofá ao lado de Cesar. — Faz de novo. — O que, isso aqui? — Cesar contraiu os músculos do braço novamente. Era bem forte, não parecia por ser magro e usar roupas folgadas, mas as roupas sociais quais vestia o deixava mais sexy por desenhar o seu corpo de uma maneira singular. A garota qual sentara no braço do sofá apertou o braço de Cesar e se derreteu por isso. — Ai, meu pai. Gostaria de ver sem a camisa. Esse comentário vez o Cesar ruborizar e olhar para Talita com os olhos arregalados. — Não estou crendo que ouvi isso — falou Talita. — Oh! Vocês são namorados? Sinto muito eu não sabia — falou Betânia com cinismo. — Somos amigos, mas aqui é um velório, não é um bom momento para flertar, não acha? — Hum! — Betânia fez uma careta e se levantou para sentar-se novamente ao lado de Leandro, em seguida apareceu Eusébio com um prato repleto de doces e salgados. — Agora sim, Zebra — disse Betânia. — Trouxe comida para os amigos. — Esses são para a Talita, se quiser, vá para a cozinha pegar — rebateu Eusébio. — Pensei que não era um bom momento para flertar — disse Betânia a olhar para Talita de soslaio, ela se levantou e puxou o Leandro como se fosse um pet. — Vamos, amigo. — Eu não mereço — falou Talita para si própria com a mão direita a encobrir o rosto. O tempo passou e Eusébio conversou ainda mais, ele não deixava o Cesar falar, queria atenção de Talita toda para ele, tanto que Cesar cansou e não disse mais nada. Eusébio sabia que Talita gostava do amigo, mas ele também sabia que não namoravam e queria tentar uma chance. Tentou e não sentiu culpa, contudo, Cesar já estava acostumado com aquilo, desde o ensino médio, mas no final, sempre ficava com a garota, parou quando passou a namorar a Tainara. Talita deu graças quando o padre chegou e toda a conversação teria que ser interrompida. Era a hora dos solilóquios e das orações.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR