Depois dos murmúrios.
— Eu sabia que ele tinha que ficar — disse Bala, tão simpática quanto podia ser.
— Muito bem, meninas, silêncio — pediu Layra —, vamos ao que interessa — ela olhou para Cesar. — Cesar, como te contamos, a rainha das terras encantadas de Ic, ou Rainha de Ic, chamada de Zadahtric, havia exilado a sua irmã e os seguidores dela para fora dos limites do reino.
— Sim, a usurpadora — disse Cesar, mas as garotas não ficaram contentes com as suas palavras e olharam para ele como se quisessem agredi-lo, tanto que a Dulca estralou os dedos das mãos para intimidá-lo. — Ué? O que foi?
— Não usamos este adjetivo com ela — explicou Talita.
Ele acabou de ser bem-vindo e agora já queriam expulsá-lo de lá.
— Por quê? Você mesma não me contou que ela foi coroada na frente da irmã mais velha? Eu chamo isso de usurpação. Como vocês chamam?
— Cala essa boca, Cesar — falou Talita envergonhada.
— Meça as suas palavras, rapaz — ameaçou Dulca a apontar o dedo para ele.
— Meninas, mantenham a calma, por favor — pediu Talita. — Ele ainda vai aprender.
— Meu caro Cesar — Layra retomou a fala —, a "usurpação", como você diz, foi a coisa mais fundamental que o castelo planejou contra a princesa Kanahlic. Você não entende agora, mas entenderá quando lhe explicarmos. Ouça bem, Umnari foi o último continente catalogado em Dorbis. Há quem o chame de ilha, por causa da geografia, mas por causa do seu tamanho, foi considerado como tal pelos Vinte e Quatro Anciões. Feiticeiros das Luzes e das Trevas convivem em harmonia no meu mundo, entretanto, existem seres comparados aos deuses que são chamados de Treumilas, como já foi explicado para você, e esses seres se manifestam nas trevas. Existe uma magia poderosa em todos os Sete Tronos de Umnari, essa magia é alimentada pelas luzes, o que cria conexão entre os deuses Trealtas e o Castelo, o que, respectivamente, reflete na população e ou espaço geográfico. Entretanto, quando um rei, ou rainha, das trevas se senta em um trono destes, a luz prevalecente no trono se apaga e há uma perda de conexão com os Trealtas, dando brecha para que os Treumilas se manifestem. Os Treumilas são rejeitados por noventa e sete por cento da população do mundo mágico, porque eles são os Pais da Corrupção, a raiz de todo o m*l. Por mais excelente que seja a pessoa, as trevas nela vai atrair os Treumilas e quando eles são invocados, coisas ruins acontecem. Eles são influenciadores do m*l e os seus seguidores pregam que o poder é a fonte de conquistas e vitórias, o que ludibria muitas mentes, pois, esse poder sempre vem acompanhado pela corrupção e o preço a pagar é alto demais. Confesso que muita coisa é teoria da conspiração, mas faz tanto sentido que não se pode refutar.
— Uau! — exclamou Cesar com as sobrancelhas arqueadas. — Eu entendi a questão da feiticeira das trevas não poder se sentar no trono, mas e os outros reinos, nenhum deles teve um caso parecido? Nenhum deles se corrompeu?
— Cesar, a corrupção foi criada pelos Treumilas e se tornou parte do ser humano, porém, o ser humano explora a corrupção para possuir o que não teria facilmente. Digamos que é tentador não provar o poder que a corrupção traz, mas quando se envolve maldade, as coisas tomam outros rumos e tudo pode sair do controle e causar um caos irreversível.
— Hitler é um exemplo — citou Cesar. — Maldito seja.
— Quem? — indagou Layra.
— Depois eu explico, porta-voz — assegurou Talita.
— Enfim, não houve caso parecido em todo o mundo. Kanahlic se tornou a primeira feiticeira das trevas a se tornar rainha e a se sentar por muito tempo num trono real. Houve casos na história de reis feiticeiros das trevas, mas o máximo de tempo que conseguiram ficar no trono foi três dias. Todos foram mortos.
— E por que não matam esta tal rainha? Não que eu queira que ela morra, mas já destronaram ela uma vez, não podem fazer de novo?
— Infelizmente, não. Agora ela é guardada por uma Allogaj e o pior de tudo, das trevas, depois te explico sobre isso. Para finalizar o tema sobre reinos de Umnari, cada um é independente, mas todos obedecem ao Império, do antigo Imperador Icobax, hoje, governado por seu descendente, o Rei de Icobax, Gerebior X. O nosso plano é visitar os outros reinos do continente, principalmente o Reino-Império, e pedir auxílio, tentar convencê-los de que o reinado de Kanahlic vai trazer o caos ao planeta e os Trealtas não vão nos ajudar.
— E se eles se recusarem por medo da tal Allogaj? Como você disse, a rainha já está há muito tempo possante do trono.
— Se se recusarem, vamos ter que ir até Sipritiah, no Reino dos Campos de Sangue, e pedir ajuda ao Imperador mais possante e poderoso de todo o mundo mágico da atualidade, o Imperador Domdalil de Evernoguongo. É o único que deixa qualquer um entrar no Castelo dele para uma conversa cara a cara, sem protocolos.
— E se ele se recusar também?
— Você é muito pessimista, Cesar. É bem provável que ele vá ajudar. A maioria das meninas do nosso g***o é de Sipritiah, e o rei Ic já pegou Domdalil no colo, foi grande amigo do pai dele e ajudou o pai dele a expandir o Império. Ele, praticamente, tem uma dívida. De qualquer maneira, devemos pensar que ele talvez se recuse a participar desta guerra interna, ainda mais sendo de outro continente, e um continente tão pequeno, porém, poderoso. O último recurso é tentar um diálogo com os Vinte e Quatro Anciões.
— O que eles poderiam fazer?
— Limitar a magia nas terras de Ic e tornar a nossa batalha justa. Não seria nada fácil convencê-los, temos que ter ótimos argumentos, eles fazem perguntas tão pertinentes.
— Porta-voz — falou Natybinle —, eu ainda insisto em procurarmos pela Transcendentis Nabyla. Ela seria perfeita.
— Mas existem questões a ressaltar. Onde encontraríamos ela? Como? E por que ela nos ajudaria? O fato de ela ser feiticeira das luzes não nos garantiria nada.
— Soube que ela é ambiciosa. Talvez tenha alguma coisa que ela queira, se a gente descobrir, trocamos pelo serviço dela.
— Creio que exista, sim — avisou Lubini, a das enormes tranças. — Eu conheci Nabyla quando era criança, ela é de lá de Sipritiah e tinha vinte anos de idade quando contou que foi abençoada com o desdobramento quando tinha apenas dezesseis anos. Um dia, perguntamos se ela tem tudo que sempre quis, e ela disse que não, tinha uma coisa que até hoje ela quer, mas se sente incapaz de ir buscá-la.
— Ela contou o que era? — quis saber Naty.
— Nunca contou, afinal, também não deram a certeza de que fariam, e sabemos que se ela própria fosse buscar, poderia morrer, que dirás outra pessoa.
— Temos um caso de vida ou morte aqui? — indagou Bala aflita.
— Procurar a Transcendentis é a nossa última opção, bem provável que nem chegaremos a pensar mais sobre ela quando tivermos a nossa ajuda do Imperador Domdalil — afirmou Layra. — Além do mais, as duas primeiras perguntas não foram respondidas.
— Poderíamos procurar por ela em Sipritiah, já que ela é sipritiana, Cesar poderia usar o seu dom para encontrá-la — respondeu Naty, bastante objetiva.
As demais meninas concordaram.
— Bom, faz sentido. Aina vai registrar esse nosso discurso, futuramente será útil — disse Layra e a garota Aina, a mais rechonchuda, começou a escrever com uma pena, em um pergaminho, os relatos da reunião. — Vamos encerrar esta reunião, Dulca e Vesta vão ensinar o Cesar "ataques e defesas por meio de magia" — Layra fez o bastão dela crescer ao proferir o feitiço Miniaturo e o entregou a Cesar que o pegou como se fosse a coisa mais preciosa do mundo, e ela gostou muito daquele olhar, lhe trouxe um alento qual ela não sentia há muito tempo. — Use este bastão mágico para treinar, Cesar, não podemos fazer magia aqui como fazemos no nosso mundo, mas ainda temos poder suficiente. Quando voltarmos para Dorbis, providenciaremos um para você — ela se pôs de pé, depois Naty e o restante do pessoal fez o mesmo. — Antes de encerrar, devo avisar que não conjurem a luz até eu disser que é permitido — as meninas ficaram intrigadas com aquilo. — Zera me disse que ela está sentindo as trevas muito fraca em nosso meio, curiosamente, desde que Cesar chegou aqui. Reunião encerrada.
Depois de cancelada, todas se dispersaram para um canto. As meninas Dulca e Vesta chamaram Cesar para fora para ensinar-lhe os feitiços mais básicos, mas ele pediu gentilmente que o guardassem para ele falar algo importante com a Naty. Dulca demonstrou insatisfação no mesmo instante.
— Naty — chamou Cesar e a garota esperou para saber o que ele tinha a dizer. — Não que eu esteja te cobrando nada, mas você já traduziu os textos que disse que ia me dar?
— Ah, sim. Ainda está em processo, porém, queria te fazer uma surpresa. Eu traduzi outros dois livretos, são pequenos mas são informativos. Eu te os entregarei antes que você se vá para a sua casa.
— Obrigado, eu fico muito feliz.
— Por nada, e eu fico mais feliz em saber o seu interesse.
A noite de Cesar foi ele aprendendo sobre defesa e ataques com magia. As meninas tentaram fazer com que ele conjurasse os elementos, como o vento, ou o fogo, eram os mais fáceis, mas ele estava muito nervoso, pois, Dulca o deixava desconfortável. Não conseguiu produzir nada até que chegou o horário de ir para casa. Naty o entregou os livretos traduzidos, quando ele foi embora era quase meia-noite.
Ele se jogou na cama de tão exausto, mas não conseguiu dormir. Com o pouco de energia que tinha para se manter acordado, ele acendeu a luz do quarto, pegou os livretos, principalmente o que Talita havia o emprestado, e começou a ler.
Naty o alertou para lê-los de maneira linear, que absorvesse as informações, que fizesse anotações e que não pulasse para o final porque aquela tradução, assim como as outras, ocorria por meio de um encantamento, e voltaria à língua original assim que ele folheasse a última página. Por isso a tradução foi rápida, os outros livros demoravam mais porque a tradução era permanente.
***
No dia seguinte, Valéria ficou da janela da sala a olhar a paisagem, o nascer do sol, e de lá, dava para enxergar a cidade. Ela, tranquilamente, tomava o seu café na sua xícara branca que segurava com a mão enegrecida, sentia a paz da manhã e o cheiro de grama e terra molhada, era reconfortante ouvir os pássaros a conversarem com a natureza. Os primeiro raios de sol iluminaram o seu rosto, fez as suas pupilas se retraírem e realçarem o azul dos seus olhos.
Ela tomava a quinta xícara de café quando alguém se aproximou. Pelos pesados passos no piso de madeira ela pôde deduzir que se tratava do Alejandro. Ele engordou um pouco depois que passou a morar com ela, mas continuava musculoso. Após ter saído do prédio dos mexicanos nas terras encantadas de Ic, passou a viver uma vida menos agitada. A comida de Sarah que o fizera aumentar de peso, pois, Valéria não sabia cozinhar, até mesmo um ovo não sabia fritar direito.
Alejandro a abraçou por trás e a beijou na cabeça.
— Bom dia, meu amor — saudou, mas a garota não respondeu. — Ficou a noite toda acordada? Vai dormir um pouco, você não precisava ficar de vigia.
— Estou sem sono, e você deveria pôr uma roupa — disse Valéria ao saber que ele estava apenas de cueca. — Pétala pode te ver assim e ela é muito s****a.
Falavam bem baixinho, estava muito cedo para conversarem alto, não queriam estragar a tranquilidade do momento e Sarah, a que fazia a comida deles, tinha um sono muito leve.
— Duvido — sorriu o mexicano. — Está muito cedo e ela sempre acorda atrasada para ir ao colégio. — Ele olhou para a marca no chão do gramado a alguns metros da casa, onde Valéria havia conjurado um feitiço. — Quando foi que as criaturas sumiram?
— Eu nem percebi, fiquei a noite toda olhando para elas e me perdi nos pensamentos — ela se virou para ele, como era alto, levantou a cabeça para olhá-lo nos olhos. As suas olheiras a deixavam com uma aparência de enferma, era branca quase pálida, era como se a sua beleza estivesse a se esgotar. — Como é que conseguiram vir de lá para cá?
— É uma incógnita mesmo, os portais interplanetários estão suspensos ainda.
— A não ser que estejam usando a Caverna de Agolar — sugeriu Valéria.
— Sei não, hein!? Para usarem a caverna dessa maneira, materializando avatares para Espíritos Atormentantes? Kanahlic não permitiria, e ela já tem conhecimento da Caverna. As terras de Ic são extensas e ainda existem lugares inexplorados, tanto que ninguém no mundo conhece a Caverna de Agolar, nem mesmo os Vinte e Quatro Anciões, senão, aquele lugar já teria sido interditado pela Organização Mundial da Magia Universal. Agolar foi quem descobriu aquela caverna e ele teve a esperteza de criar um Pacto de Sigilo para as pessoas usarem o portal clandestino.
— O que você quer dizer com todo esse discurso? — perguntou Valéria depois tomou um generoso gole de café.
— Que se alguém tem poder suficiente para usar a Caverna para mandar criaturas atrás de você, só pode ter sido a rainha, mas é óbvio que ela não faria isso, até porque nós ainda temos as tatuagens no braço. O Pacto, lembra? Ela pode te localizar quando quiser. Se quisesse que você fosse para lá, mandaria um mensageiro.
As criaturas foram mandadas para captarem-na e elas se conectariam para abrir um portal e levar a Valéria para algum lugar desconhecido.
— Entendi, mas isso acabou de me fazer lembrar que, quando eu voltei para a Terra, quando a faccão caiu, Vincent me fez voltar para Dorbis através de um chamado-portal. Como ele fez isso se os portais estavam suspensos?
— Primeiro, descobrimos que ele usava a Esfera de Raaver para aumentar o grau de magia, o que significou que ele tinha muito poder para isso; e segundo, os portais estavam suspensos apenas nas Terras Encantadas, todo Reino tem o direito de suspender portais nos limites das suas terras, ou seja, os feitiços Spegulo Mondo, Ponardi (portal conjurado, por agregação de outros, para saltar os mundos), Malfermita Portalo, Daŭrigi Portalo, entre outros. Contudo, um chamado-portal é um portal diferente e complexo, nem está na categoria de portais dos Reinos de Umnari porque foi o Vincent quem o customizou.
— Queria saber onde ele está agora. Sabia que ele era da Inglaterra quando foi para o Castelo de Ic se tornar aprendiz do Mago Escálius?
— Sim, ele desistiu de ser mago sucessor de Escálius para servir a Kanahlic quando descobriu o seu paradeiro. Ele fundou um novo Conselho para ela.
— Eu não entendo o porquê de ela ser tão estimada.
— Porque ela é maravilhosa apesar dos defeitos, e Zadahtric era uma mulher insuportável, segundo Vincent. Mas, continuando o que eu estava a dizer: o que está nos intrigando é que quando os Vinte e Quatro Anciões mexem com a Magia Universal, pois, têm autoridade para isto, ninguém pode fazer magia que eles bloquearem, a não ser um Allogaj, só não podem fazer uma magia cancelada, acredito.
— Está sugerindo que outro Allogaj surgiu?
— O seu caso é único, Valéria, a magia não possui mais Immunus, e eu não concluí ainda, eu acredito que algum necromante está atrás de você, assim como Sarah havia sugerido há alguns dias. Pelo menos, ele te quer viva.
— Os necromantes são muito poderosos mesmo.
— Mas não são muito estimados em Dorbis, são categorizados como Feiticeiros Renegados, como os feiticeiros das cinzas, entre outros quais destoam a natureza da Magia.
— O que raios ele, ou ela, quer comigo?
— Todo feiticeiro tem os seus limites para fazer magia, Valéria, menos você, pode ter limites humanos, como fome, sede, cansaço, mas mágico você não tem, só precisa aprender mais. Quem sabe... — Alejandro foi interrompido com a chegada de Pétala.
— Bom dia! — saudou a garota com os cabelos despenteados, ela apertava os olhos por causa da claridade, pois, acabara de acordar. — É melhor você botar uma roupa porque eu vou ficar olhando para as suas coisas — avisou.
Valéria olhou para Alejandro de soslaio, ela advertiu que Pétala poderia acordar a qualquer momento, mas ele não deu importância, então ele encobriu o órgão com as mãos e saiu envergonhado, a dizer que outra hora terminariam aquela conversa.
— Pétala, preciso te dizer uma coisa muito importante — disse Valéria bastante séria. — Você vai ter que confiar em mim.
Pétala se aproximou da amiga e disse:
— Sempre confio, não é, Valéria.
— Arrume as suas roupas hoje, amanhã bem cedo vou te levar para a sua antiga casa...
— O quê? — gritou Pétala, a sua voz ecoou, o silêncio da manhã acabou de ser exterminado. — Por que, amiga? Justamente no Dia da Mulher você me dá essa notícia trágica. Era bom demais para ser verdade... É por causa do Alejandro? Eu juro que é tudo brincadeira, eu vou parar, eu prometo.
— Mas é claro que não, eu nunca liguei para o seu flerte. Me poupe. E, e daí que é o Dia da Mulher?
— Então não faz isso comigo. Se é por que eu não trabalho na loja, eu prometo que quando terminar a reforma, eu vou...
— Não, não e não. Cala a boca e deixa eu falar, você acabou de dizer que confia em mim — Valéria aguardou a sua amiga se acalmar para continuar. — Olha, você conhece a minha história, conhece a minha magia e o meu poder, porém, existem magias perigosas que eu não tenho conhecimento, mas alguém que tem pode usá-la contra mim, eu preciso estar preparada, mas você n******e estar conosco, pode ser perigoso, pode te prejudicar.
— Amiga, eu não quero voltar para aquela casa, Pérola vai me infernizar — Pétala não percebia o quanto falava alto.
— Você poderia morar só, mas é irresponsável demais, você perdeu de ano de novo, ainda está no ensino médio. Olha só, vai por mim, é melhor ser infernizada do que morta.
— Que gritaria é essa a esta hora? — perguntou Sarah vestida de pijama rosa, os seus cabelos estavam bem arrumados, nem pareceu que acabou de acordar.
— Isso é culpa sua — disse Pétala antes de voltar zangada para o seu quarto e esbarrar na loira.
— Ai! — exclamou Sarah. — Gente, o que foi que eu fiz?
Valéria olhou para ela com remorso.