Capítulo 6

3235 Palavras
Cesar abriu os olhos, a lâmpada do quarto emitia uma luz azulada e logo entendeu que voltou àquele sonho estranho, se assustou quando percebeu que a criança n***a do outro sonho estranho estava ao pé da cama, de pé, a observá-lo e a esperar que ele acordasse. Ele levantou-se da cama e olhou os seus irmãos a dormir, fumegavam uma fumaça vermelha, e o garoto, uma fumaça azul. O próprio Cesar era quase transparente e azulado, como o ambiente. Não fumegava como os outros, ou, pelo menos não via. Não entendia por que isso acontecia com ele, já pensou em não dormir mais para não voltar àquilo. "Oi, menino" saudou Cesar. "Oi, tio" respondeu o menino a saudação. "Como me encontrou? Você não estava na frente do bar?" "Estava, agora estou aqui" o menino olhou para Cesar com os olhos tão tristes que pareceu que ia chorar. "Tio, eu morri?" Cesar arregalou os olhos por causa da pergunta direta e se aproximou do menino a se ajoelhar na frente dele. "Por que você pensa isso? Me conta o que aconteceu." O menino sorriu, o sorriso mais triste que Cesar já viu. "Eu sei que eu morri, a Luz me disse." "Que Luz?" "Não sei, só sei que era uma Luz, mas deixa eu contar o que aconteceu: Naquele dia que o senhor me encontrou, acabou sumindo no céu, depois apareceu de novo na frente do bar e estava diferente… Diferente de agora… E eu tentei falar com o senhor, mas o senhor não ouvia, depois foi embora e me deixou lá, sozinho. Então uma Luz apareceu na minha frente e mandou eu ir atrás dela. Eu fui. A Luz sumiu quando a gente chegou numa rodoviária. Ouvi umas mulheres dizendo que ia pegar um ônibus para São Caetano, e eu fui atrás delas. Entrei no ônibus e quando chegou na última parada, eu desci e reconheci a rua da casa onde eu morava. Andei até que encontrei, entrei na casa e fiquei muito feliz. Mas os meus irmãos e a minha mãe estavam muito tristes. Tentei falar com eles, mas eles não me ouviam. E se passou vários dias assim, até que hoje de noite, a Luz voltou e mandou eu ir atrás dela de novo porque eu ia te encontrar, que você era o único desta cidade que pode me ajudar. Me ajude, tio, não sei mais o que fazer." Cesar passou as mãos pelo rosto, ele tinha certeza de que havia chorado, mas não sentiu uma gota de lágrima. "Muito bem! Eu não sei como posso te ajudar, mas estou disposto." "O senhor só precisa dizer umas coisas para a minha mãe." "Eu nem sei quem é a sua mãe, nem sei onde ela mora." "Eu te ensino." A menino pegou Cesar pela mão e o conduziu para fora da casa. Até então, Cesar nem sabia que podia atravessar portas e paredes. Andaram pelas ruas desertas, não havia ninguém, logo entendeu que já era muito tarde, pois, pelo ambiente não dava para perceber já que tudo estava azulado. Cesar perguntou o nome do menino e pediu perdão por não ter perguntado antes. Ele se chamava Rafael e tinha onze anos, e já sabia o nome de Cesar porque ouviu um moço parecido com ele o chamar assim. Depois disso, Rafael contou toda a sua vida e da sua família para Cesar que imaginou que não iria memorizar tudo aquilo. Finalmente chegaram na casa. Era humilde, com grade preta, um pequeno roll e de paredes com azulejos verdes, Cesar nem identificou a cor direito, tudo a sua volta tinha tons azulados. A casa era longe, sim, mas dava para lembrar do trajeto. "É aqui" avisou o garoto. "Acho que vou lembrar, só não sei direito o que devo falar para a sua mãe." "Tudo o que a gente conversou no caminho." "Estou nervoso, apesar de não sentir nada agora, mas eu sei que estou. Nunca fiz isso." "Eu só posso ir embora se a minha mãe descansar o coração." "Ir embora? Para onde?" "Para o Lugar Melhor." "Onde fica isso?" "Eu não sei, nunca fui lá. A Luz é quem sabe." "Que Luz é essa?" Antes que Rafael pudesse responder que não sabia, um vórtice na horizontal apareceu do nada atrás dele a fazer os cabelos e roupas esvoaçarem, m*l podia falar com o barulho. O vórtice formou um túnel atrás do garoto, um longo túnel n***o e estrelado como o céu noturno sem nuvens e sem lua. No final do Túnel brilhava uma Luz muito forte. Rafael sentiu-se atraído pela Luz e começou a caminhar pelo túnel. "Rafael" gritou Cesar. "Espera! Para onde está indo?" "Para o Lugar Melhor" respondeu Rafael aos gritos. "Eu preciso ir, não posso ficar." Cesar observou o garoto ser levado para a Luz no fim do túnel da maneira mais majestosa. No fundo, sentiu uma felicidade que não podia explicar. De súbito, o vórtice sumiu e Cesar despertou, o dia havia clareado, ele sentiu o rosto molhado e passou a mão, as suas lágrimas deixaram o travesseiro úmido, mas a sua alma estava lavada. *** Durante o café da manhã, Cesar ficou pensativo, não se comunicou com ninguém, apenas olhava para o nada e se perdia. — Cesar, você está bem? — perguntou a mulher de Sócrates. Cesar voltou a si e observou que olhavam para ele, Dalila acabou chamando a sua atenção. — Sim... Sim! Estou ótimo — respondeu Cesar a gaguejar. — É que achei você muito calado. — Sim, eu estou — ele sentiu que precisava de um álibi para sair dali. — Só pensando demais na vida. — Está calado agora, porque você me assustou de madrugada — falou Adriana. — Como? — indagou Cesar. — Falando sozinho. Chamando um tal de Rafael. Quem é esse? Cesar não sabia o que dizer. Ele precisava controlar isso, senão podia se entregar dormindo. Ele se levantou da mesa e pediu licença. — Eu só preciso andar um pouco, tomar um ar. Tenho tido alguns pesadelos ultimamente. — Só não vá se perder, hein! — alertou Sócrates. — Não se preocupe, eu não vou longe. Era hora de agir. Cesar saiu da casa por volta das nove horas da manhã. As ruas já estavam movimentadas. Quando ele havia decidido sair para tomar um ar, como dissera, Adriana insistiu em ir com ele, mesmo ele a dizer que precisava ficar sozinho. — Eu também quero ficar sozinha — disse Adriana —, então vamos fazer isso juntos. — Eles andaram pelas ruas como se estivessem sem rumo, porém, Cesar sabia muito bem para onde estava a ir. — Cesar, para onde você está indo? — Estou andando — disse de maneira prosaica. — Cuidado para não se perder. — Eu não vou — respondeu com um resquício de impaciência no tom de voz, brando demais para soar grosseiro. Adriana olhou para o irmão de soslaio, estava curiosa por alguma coisa e queria estar lá para ver. — Cesar, fala a verdade, você já veio aqui antes? — Não, é a primeira vez, como você. — Então, para onde você está indo? — Eu já te respondi esta pergunta. — Me parece que você está procurando algum lugar. Cesar parou de andar e ficou de frente para a irmã, respirou fundo, soltou o ar a fazer ruídos, para não perder a paciência, e disse: — Tudo bem, o que você acha que estou fazendo? — Eu não sei. Do nada você quis vir para cá, depois passou a falar dormindo, falava sobre um tal de Rafael, estava nervoso no café da manhã e agora inventou se sair para "tomar um ar", mas me parece que está indo a um lugar específico. Estou muito curiosa. — Adriana, eu não sei o que está acontecendo comigo — Cesar voltou a caminhar. — Estou tão curioso quanto você. Eu vim para cá porque senti que devia. Rafael é uma criança que eu conheci nos meus sonhos e... Ele me disse que está morto. Adriana deu risadas. — Ai, meu Deus, ficou doido de vez. Como assim, criatura? — Não sei, sonhei duas vezes com a mesma criança, ela me disse que morava por aqui e pediu para eu entregar um recado para a mãe dele. — O que é? Virou medium agora? — Não sei, acho que sim... — Cesar se aquietou quando viu a casa de Rafael. — Chegamos, é aqui. — Onde? Cesar apontou para a residência. — A casa do meu sonho qual o Rafael havia me levado. — Meu Deus. Você está completamente doido. Tem certeza que nunca veio aqui antes? — Tão certo quanto o chão que a gente pisa— Cesar se aproximou da casa e bateu palmas para chamar quem estivesse lá dentro. — Ô de casa — gritou. — Cesar, para com isso — disse Adriana por entre os dentes. — Não posso — Cesar chamou outra vez. — Eu prometi que ia fazer isso. Uma mulher abriu a porta, era n***a, estava acima do peso e parecia estar doente, mas, na verdade, ela havia chorado muito, suas olheiras estavam bem nítidas. Quando apareceu, nem teve forças para perguntar o que aquele jovens queriam com ela. Adriana apenas cruzou os braços e demonstrou preocupação pela atitude do irmão. Cesar perguntou: — Oi, tudo bem? A senhora é a Dona Elma? — Sou eu, sim — respondeu a mulher. Ela usava um vestido tomara-que-caia, bem à v*****e na própria casa, e os cabelos crespos estavam desgrenhados, m*l penteados. — Posso falar com a senhora? É sobre o seu filho Rafael. A mulher hesitou. Começou a ficar irrequieta e abriu o portão. — Sobre o meu bebê? O que tem ele? Adriana ficou boquiaberta. — Preciso falar em particular. Dona Elma mandou que entrassem na casa. Era p***e, porém, bem organizada e limpa. Dona Elma era uma mãe de quarto filhos, agora três, solteira e vendia verduras e legumes para manter a si e aos seus. — Fala, o que tem o meu filho? Cesar respirou fundo antes de falar. — Eu sei que ele, infelizmente, veio a óbito... — Ele foi assassinado — gritou a mulher. — Um policial desgraçado matou o meu filho quando atirava num jovem que roubou um biscoito num supermercado — Dona Elma começou a chorar, ela própria não sabia que tinha mais lágrimas. — Eu quero justiça, aquele maldito matou o meu filho. Eu tinha levado ele para ver o pai, o pobrezinho estava descalço e sem camisa. — Acalma-se minha senhora. O seu filho mandou um recado antes de partir. A mulher arregalou os olhos, era uma mãe inconsolada, no auge daquela situação, qualquer coisa que a afagasse seria mais que bem-vinda. — O quê? Do que você está falando? — Senhora, me desculpa, eu jamais iria querer brincar com estas coisas, ainda mais com esta situação que poderia ter acontecido com alguém da minha família. Eu sinto muito pelo que aconteceu com o seu filho, eu não o conhecia, mas ele apareceu em dois sonhos meus, e me mandou dizer que ele está bem, que está num Lugar Melhor agora — enquanto Cesar falava, Dona Elma se derramava em lágrimas. — Mandou perguntar se a senhora lembra quando ele brincava na rua e encontrou uma carteira cheia de dinheiro, ele entregou à senhora que correu para a delegacia para devolver ao dono, e quando o dono a recuperou, agradeceu pela honestidade e deu todo o dinheiro da carteira para vocês, porque ele se importava mais com os documentos? Ele disse que aprendeu o que era honestidade com a senhora (mesmo sendo criança), e a partir daquele dia, sabia o que era ser uma pessoa de bem, e que quando crescesse... — Cesar hesitou. — Queria ser igualzinho a você. Ele mandou dizer que te ama muito, e falou para você continuar viva para cuidar dos irmãos dele, porque sabe que você fará isso muito bem, pelo exemplo de mulher que é para ele. Rafael está mesmo num Lugar Melhor, eu mesmo vi a alma partir. Uma Luz o levou — ele respirou fundo antes de concluir. — Viva em paz, e não se preocupe porque um dia a Justiça chegará. Dona Elma ajoelhou-se no chão de tanto chorar. Cesar a ergueu e a abraçou de uma maneira tão reconfortante que ela sentiu o refrigério inundar o seu coração. Se sentiu melhor. Depois disso tudo, Dona Elma passou a sorrir como pensou que jamais sorriria novamente. Eles conversaram por uma hora, até mesmo os outros filhos, todos pequenos, apareceram para participarem do bate-papo. A mulher nem quis saber como o Cesar sabia daquilo tudo, melhor para ele, porque nem ele próprio sabia. Ela ofereceu comida para as visitas e eles aceitaram, ela cozinhava muito bem a típica comida baiana. Enfim, Cesar se despediu e foi embora. Dona Elma o chamou de Anjo e agradeceu muito pela visita que julgou ter sido enviada por Deus. *** — Que. Doideira. Foi. ESSA? — gritou Adriana no caminho de volta para a casa do irmão Sócrates. — Cesar, me diga agora que é tudo armação, que você já conhecia o menino, a mãe, a família. Não dá para acreditar numa coisa dessas. — Poxa, Adriana, eu queria mesmo dizer que foi tudo armação, mas aconteceu comigo de verdade e eu tinha que fazer aquilo — respondeu Cesar. — Será que Deus realmente mandou você? Foi tudo obra de Deus? — Não sei. Meu pai falou que a religião evangélica não se encaixa com o espiritismo. Não desta maneira. — Ih! É verdade. Então, será que o espiritismo é a verdadeira religião? — Por causa disso? Acho que não. Sempre tive a minha própria concepção sobre Deus e eu acredito que Ele atua de várias formas diferentes com as pessoas, independente de religião, raça, s**o, gênero. Creio que não conhecemos Deus como deveríamos. Às vezes, pregam sobre um Deus segregador, quando Ele era de um determinado povo, agora Ele é todos os povos e nações. — Nossa! Onde você aprendeu tudo isso? Com o nosso pai que não foi. Ele diz que a religião dele é a certa e verdadeira. — Eu sei lá. Fui aprendendo com a vida. — E os ateus? — O que tem? — Eles não acreditam. — Problema deles. Penso que Deus existe para quem crer que existe. Se não crer, não existe. Será que isso soou confuso? A fazer uma careta, Adriana olhou para o irmão. — Com certeza. — Sabe, eu tive muitos amigos ateus lá no Rio de Janeiro, o maior erro de alguns deles, não todos, era querer convencer aos que creem que Deus, ou deuses, não existem. O mesmo erro ocorre nos religiosos, quererem mostrar de qualquer maneira que a sua divindade existe e faz acontecer. Isso tudo gera discórdia e conflitos. Dessa maneira, tudo não passa de futilidade. Se cada um seguisse a sua vida em paz, saberiam viver em paz com o próximo. — Ah! Cesar, vamos parar com essa conversa. Você está muito filósofo para o meu gosto. Cesar e Adriana chegaram na casa do irmão, encontraram o Leandro a assitir um filme na televisão pelo aparelho de DVD e foram assistir com ele. Decidiram guardar segredo sobre o que ocorreu antes. Era melhor assim, para não gerar mais discussões sobre o assunto. Sócrates e Dalila foram ao supermercado comprar algumas coisas, e quando voltaram, cheios de sacolas, perguntaram ao Cesar se ele se sentia melhor. Cesar disse de maneira singela que estava ótimo, e não comentou mais nada. Cesar, na verdade, se sentia aliviado. Ele queria muito ajudar o menino Rafael, e conseguiu. Se esse era o propósito dele na Terra, foi realizado com sucesso, agora, tudo o que precisava era voltar para casa e correr para procurar um emprego. Quando ele tivesse bastante dinheiro, investiria em si próprio para se tornar jogador de futebol. Era o seu maior sonho e, no momento, não havia nada que o tirasse de primeiro lugar. *** O dia quinto do mês de Março foi num domingo, Seu Cosme, que sabia dirigir, pegou um carro emprestado de um amigo da igreja, um dos três que possuía um automóvel de quatro rodas, e foi buscar os seus filhos, dois deles voltariam para o colégio no dia seguinte, era ano de terminar os estudos. Seu Cosme havia levado o Waldir com ele e a família ficou reunida. Sócrates e Dalila sabiam que Seu Cosme viria e não contaram para os outros, por isso foram ao supermercado comprar mais comida, fariam um banquete especial por causa da reunião. A visita iria embora naquela mesma noite. Estavam todos sentados à mesa enquanto Dalila servia o jantar. Conversavam e riam sem parar. — Pai, tem falado com a mãe? — perguntou Sócrates a roubar a atenção dos outros. — Não. Já faz bastante tempo que ela não liga — respondeu Seu Cosme. — Só está faltando ela agora para completar a família no jantar. — Discordo de você, meu amor — disse Dalila. — Estamos completos, não falta ninguém. — Como assim, minha delícia? Toda família precisa de uma mãe. — Não precisa, não. Família é família, independente dos membros. O seu pai criou vocês sozinhos há dezesseis anos. Você, que é o mais velho, só tinha oito anos de idade quando ela foi embora. Seu Cosme foi pai e mãe. Não é a pessoa, é a representatividade. Fora que a mãe de vocês não é a mesma de Adriana. Os outros aplaudiram o comentário de Dalila, apesar de ainda quererem que a mãe deles, exceto Adriana, estivesse ali presente. Dalila era uma mulher sensata, aos dezoito anos virou estudante de Sociologia numa universidade em Recife, porém, abandonou no terceiro semestre para trabalhar. — Está bem, amor. Você tem razão — disse Sócrates. — Mas eu ainda quero ver a minha mãe, estou errado? — Claro que não. Se ela não quiser vir, você vai até ela. Sócrates fez silêncio para encerrar o assunto e dar início a outro. — Estou planejando comprar um carro, pai — falou para Seu Cosme. — Oh, meu filho. Espero que você consiga. Como pretende comprar? Segunda mão? Vai numa concessionária? — Seu Cosme perguntou desta maneira por saber que o seu filho não tinha como comprar um carro novo, porque não recebida tanto dinheiro do emprego que tinha, fora estar perto de acabar de construir a casa, ainda assim, faltava muito. — Não, pai, vai ser um novinho, o senhor vai ver. — Deus vai ajudar, Sócrates. Vai dar tudo certo. — Amém! Com fé em Deus. Aquele dia foi esplendoroso. Uma das melhores reuniões em família que fizeram, trocaram tantas ideias, cada um tinha uma aula para dar. Cesar queria falar sobre as suas visões, os seus sonhos, a sua espiritualidade que descobriu ter recentemente, mas eles jamais entenderiam, nem mesmo acreditariam, Cesar conhecia a família que tinha e implorou para Adriana não tocar no assunto. Seria um segredo deles e se algum dia fosse necessário, ele próprio falaria. Hora de ir embora. O caminho era longo e Seu Cosme não tinha habilitação para dirigir, tudo o que queria era ver um filho, buscar os outros e aproveitar o domingo em família. Há tanto tempo que ia para a igreja aos domingos, um dia ausente não faria m*l, afinal, pensou que não estava a fazer nada de errado.
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