Talita sentou-se de frente para Cesar no gramado do casarão, procurava uma maneira para explicar-lhe o necessário.
— Você pode me dizer alguma coisa, Talita? — apressou Cesar.
— Calma! Estou vendo por onde começar.
— Que tal do começo.
— Não é tão simples como você pensa, qualquer deslize de informação e você pode ficar conturbado.
— Eu já estou conturbado, minha filha. Você me apresentou a um bando de garotas estranhas que falou um monte de coisas estranhas e eu já disse que não vou fazer parte de nenhuma religião.
— Não é religião.
— É uma seita?
— Que seita, homem?
— Então explique logo, mulher.
— Não fique nervoso, vocês baianos são muito alvoroçados —Talita fez uma pausa antes de continuar para se acalmar. — É o seguinte, estas meninas são de outro mundo...
— São alienígenas? — gritou Cesar com os olhos arregalados.
Talita suspirou de exasperação.
— Meu Deus. Está difícil, hein!? Pode apenas ouvir?
— Foi m*l. Vou tentar ficar quieto.
— Obrigada! — Talita retomou o que estava a relatar. — Essas meninas são de outro mundo bem parecido com o nosso, porém, é um mundo mágico.
— Como nas fantasias? — interrompeu novamente.
— Sim...
— Tem vampiros, lobisomens, fadas, bruxas...
— Sim, garoto. Por favor, deixa eu continuar.
— Está bem, desculpa, pode continuar.
— Neste mundo mágico, chamado tecnicamente de Dorbis, mas na língua nativa chamam de Noldá, existem oito continentes independentes: Lappalidor e Sabanthera, Darayonno e Tawanarde, Syanastiah e Sipritiah, Kellengordi e Umnari. Neste último e menor continente de todos, o famoso e abençoado Umnari, há Sete Reinos distintos, o de Icobax, o de Barboa, o de Par, o de Loav, o de Duom, o de Bacsa e o de Ic. O também último e mais misterioso reino, catalogado no mundo mágico, é o de Ic. Ic foi um dos maiores reis do continente e foi conhecido pelo mundo como um dos mais poderosos Immortalis, mas entregou a sua imortalidade para salvar o seu povo e acabou se transformando numa estrela, todo feiticeiro das luzes que for imortalizado tem a chance de se transformar numa estrela após mil anos de vida, por opção, é claro. Assim que ascendeu aos céus, Ic deixou o seu legado para as suas três filhas que teve com a, já falecida, rainha Datrila, outrora princesa de Barboa. As filhas de Ic governariam o reino, no entanto, apenas uma seria chamada de rainha e se sentaria no trono, a filha mais velha, Rammahdic, porém, esta fugiu e negou o trono, nesse caso, a próxima filha assumiria o cargo, a Kanahlic, contudo, Kanahlic se tornou uma Tenecae, nome que se dá a um feiticeiro das luzes que se converte às trevas, e o Clero e o Conselho não puderam permitir que ela se sentasse no trono por causa de um encantamento antigo que está sobre ele, então coroaram a única princesa aceitável para eles, a mais nova, a Zadahtric. Kanahlic se sentiu traída e iniciou um confronto dentro do Castelo, mas foi expulsa e exilada pelo Mago Real Escálius, e os que seguiram-na foram mandados embora com ela, contudo, ela planejou durante muitos anos a sua retomada de posse do trono e conseguiu graças ao reforço que teve com Feiticeiros Oprimidos, são aqueles que demoraram muito tempo para praticar magia, como se tivessem congestionado poder e se tornam muito poderosos ao manifestar, o que é o seu caso, teve ajuda de várias categorias de feiticeiros das trevas do nosso mundo, alguns feiticeiros da luzes e das cinzas, ela também possuía objetos poderosamente mágicos, o Diamante de Ic e o Medalhão de Cronos, e o que garantiu a sua vitória, a lealdade de uma Allogaj, que é uma pessoa com o mais puro e mais refinado poder mágico. A Allogaj é tão poderosa que quebrou todos os protocolos para praticar magia, se ela fosse mais inteligente, poderia dominar o mundo, digo isso porque a conheço, estudamos juntas num mesmo colégio, aquela menina era o demônio. Enfim, quando, finalmente, Kanahlic conseguiu tomar o trono e prender a todos do Castelo quais se voltaram conta ela, um g***o de Feiticeiros Prodígios vieram refugiados para este mundo, não estavam mais seguros lá e agora são a esperança para salvar o Reino de Ic. Estas meninas, e mais outros prodígios, são a única esperança para destronar a rainha e fazer o reino voltar à prosperidade e à glória de antes, e quanto mais elas tiverem ajuda, melhor as chances de elas terem êxito nos planos. E aí, está disposto a participar?
Cesar ficou estático, sem reação, sem palavras. Apenas pensava no quê que estava a se meter.
— Olha só, eu gostei muito desta história — Cesar começou a se justificar para no fim dizer que não poderia participar de nada, no fundo, não estava a crer muito nos relatos da sua vizinha —, gostei do cenário, provavelmente se passa numa época medieval, por causa dessa questão de "briga pelo trono" e tal, eu amo histórias medievais, está tudo muito interessante, apesar da falta de originalidade, mas…
Talita sabia que depois da conjunção coordenativa adversativa viria a desculpa, que quer dizer um sutil "não" como resposta, então, ela retirou da sua cintura aquele objeto que ele havia encontrado antes na porta do muro da casa e devolvido a ela, o mostrou e proferiu uma palavra mágica:
— Miniaturo — o objeto cresceu de uma maneira excepcional a soltar um ** dourado com uma fumaça branca, e tudo bem diante dos olhos dele. Se tornou um bastão com mais de um metro de altura.
Cesar exclamou o seu espanto e caiu de costas na grama.
— Caramba! Como você fez isso… — ele se aproximou ao engatinhar. — Espera, é tudo verdade? — perguntou admirado.
Talita ficou de pé e questionou:
— Ainda tem dúvidas?
Cesar se levantou lentamente, pensou muito até a garota estalar os dedos perto do rosto dele para chamar atenção.
— Eu sou um feiticeiro? — perguntou já desenganado.
— Vai ficar fazendo perguntas com respostas óbvias, é?
— Você não sabe como eu estou tão confuso agora.
— Mas é claro que eu sei, passei pela mesma coisa que você e se você acha que deve parar por agora, é melhor não continuar porque o seu cérebro pode dar um nó e você pode enlouquecer.
— Por que eu sou um feiticeiro, e das luzes?
— Porque não é das trevas, e provavelmente, alguém da sua família era mágico, ou é, e passou o dom para você que conseguiu aflorá-lo.
— Ser feiticeiro é biológico? E os feiticeiros das trevas, são do m*l?
— Digamos que genético, e ser das trevas não significa ser do m*l, o termo "trevas" é usado como pejorativo na Terra, em Dorbis é um simples antônimo de luzes e essencial para o equilíbrio do Universo.
Cesar bateu a mão na fronte e ficou com olhar distante.
— Será que a minha mãe é feiticeira? Meu pai n******e ser, ele é evangélico.
— Quem disse que n******e?
— É contra a bíblia.
— Mas isso não tem nada a ver.
— Mas a bíblia diz…
— Olha, Cesar. Não quero ser rude, eu não tenho religião e pelo que entendi, você também não. A bíblia é um livro sagrado que determinada religião utiliza como base para as suas dogmas, os seus costumes, as suas ideias, as suas doutrinas e etc.. A minha mãe é cristã e eu li muito a bíblia, ainda leio e digo a você que é algo fantástico, mas pessoas que não têm nada a ver com a religião evangélica não precisa receber sermões bíblicos, porque não vão valer de nada. Eu sei que você vai dizer que feitiçaria é contra a bíblia ou coisa parecida, mas entenda, não existe apenas um único tipo de feitiçaria, e ainda você precisa saber do contexto bíblico para dizer o que o versículo está condenando. As coisas que o povo de Deus fez, no Velho Testamento, hoje podem ser consideradas como feitiços.
Cesar ficou sem graça, ele sabia daquilo tudo, pensava o mesmo, mas a magia era coisa nova para ele.
— É, você está certa, mas vocês acreditam em Deus?
— Por que não acreditaríamos? Não falo por todas, mas eu acredito.
— Agora eu fiquei confuso. E os outros deuses?
— Ah! — Talita estava ficando impaciente. — O que tem eles? — ela questionou a demonstrar o desinteresse.
— Eles existem? Porque... Assim, eu acredito que Deus ou deuses existem para quem acredita.
— Cesar, você, de certa forma, está certo. E deixa eu reafirmar o seguinte: a fé é algo muito pessoal, você pode encontrar alguém que partilha da mesma crença que a sua, mas a fé sempre será uma diferente da outra; a questão da existência ou não de uma divindade: bem, se você crê e já teve alguma experiência com Deus, então, para você Ele existe, se já teve experiência com deuses hindus, ou nórdicos, ou egípcios, ou gregos, ou africanos e etc., e crê, eles existem, se você acredita que nunca teve nenhuma experiência com nenhum deus e nem crê que nenhum deles possa existir, eles não existem, pelo menos, é isso que é pregado no mundo mágico sobre os Immunus. Então, é pessoal, está sempre em você e com você, as pessoas tentam tornar isso coletivo, mas, no fundo, sempre haverá discordância com alguma coisa, porque cada um crê de uma maneira. Existe um versículo bíblico que diz a seguinte frase: buscai e achareis. Nesse caso, se você não buscar, não achará, isso é a fé, e às vezes é aplicada em alguém ou alguma coisa, nem sempre é em um deus. Você só busca por algo que você tem convicção que existe, e você só encontra porque você tem convicção que vai encontrar. Se você pensa que um deus africano vai se apresentar para você para provar a própria existência, está muito enganado, ele não precisa provar nada, você é o reles mortal, você é quem precisa se apresentar, tudo parte de você.
Cesar ficou boquiaberto, ele se considerava uma pessoa muito inteligente, e era, mas nunca tinha conversado sobre religião daquela maneira, e Talita o iluminou ainda mais, depois de alguns segundos impactado, limpou a garganta e disse:
— Bom, eu sei de tudo isso e na verdade, eu prego isso também. Não sei por que estou tão intrigado? Deve ser porque eu nunca vi ninguém fazer magia assim. Faz de novo?
— Depois. Você ainda vai ver e fazer muita magia.
— Me responda uma última coisa sobre o assunto?
— Fala aí.
— Existe algum deus neste mundo mágico qual as meninas vieram?
Talia sorriu.
***
A garota arrasou Cesar para dentro da casa, pois, ele se recusava a entrar, ficou com vergonha por ser o único rapaz dali e principalmente por medo das meninas e de tudo o que ouviu e viu até então.
Era uma casa linda por dentro, muito luxuosa, muito bem iluminada e bem maior por dentro do que o que parecia ser por fora.
— Uau! — exclamou Cesar ao retirar os sapatos. — Vocês são ricas?
— As meninas viviam num castelo, o luxo daqui nem se compara — Talita pegou na mão dele. — Vamos?
— Talita, não, por favor.
— Por que está com tanta vergonha? Elas não mordem, são assim porque precisam, não podem confiar em ninguém.
— E por que confiaram em mim?
— Porque eu confiei, não me decepcione.
— Tem certeza que você não conhece a história toda?
— Claro que conheço, mas uma das meninas sabe mais sobre isso que eu. Ela quem me ensinou e poderá responder todas as suas perguntas.
Cesar não mais resistiu e se deixou levar pela persuasão de Talita. Eles subiram às escadas e chegaram à parte de cima onde havia uma sala de estar linda e bem limpa, bem organizada e quase tudo era branco ou com cores bem suaves e derivadas do amarelo, laranja ou bege. Todas as meninas estavam sentadas em círculo no chão sobre almofadas e conversavam. Pararam quando olharam para o garoto a se aproximar.
— Já disse para ele quem somos e por que estamos aqui, iniciante? — perguntou a porta-voz Layra para Talita.
Talita detestava ser chamada de iniciante, apesar de ser, mas já demonstrou ter mais que capacidade para estar com elas, entretanto, nunca ousou rebatê-la.
— Sim, porta-voz.
— E o que você pensa sobre isso, desconhecido, o que vai fazer? — perguntou Layra para Cesar que ficou nervoso e engoliu em seco, ela era séria, alta e imponente, também era bonita e intelectual, o que a tornava mais imponente ainda.
— Eu… A princípio, não consegui acreditar na história, mas só bastou a Talita fazer o bastão dela crescer de forma mágica que eu não pude ter dúvidas da veracidade do que está acontecendo e eu pretendo me empenhar, melhorar e ajudar no que for preciso, estão, estou disposto a participar de tudo isso.
— É assim que se fala, garoto — disse Bala com aquele sorriso lindo de dentes falhados que só ela tinha.
— Bala, mantenha a compostura — repreendeu Layra — e garoto, mais tarde teremos uma conversa em particular. Me aguarde.
— Layra, posso pedir para a Naty me ajudar a explicar uma coisa para ele? — pediu Talita.
Layra fez um gesto com a mão a autorizar o pedido e Naty, com o seu cabelo cacheado e de pontas vermelhas, se levantou e foi com eles para outra sala, também com almofadas e tapete. Se sentaram e Talita disse para Cesar:
— Cesar, a Naty sabe de tudo sobre a História de Dorbis, sabe tudo sobre o Reino de Ic e olha que ela nem é do mesmo continente, ela nasceu no Reino de Terra-Fértil, no continente Sipritiah. Foi convocada pela Rainha Zadahtric quando tinha sete anos de idade pelo vasto conhecimento, a mais nova a entrar no g***o dos Feiticeiros Prodígios do Castelo de Ic e uma das duas da segunda geração que ainda pertence ao g***o, a outra é a Layra que ia dar adeus para se especializar no período do retorno da Princesa Kanahlic, mas ficou para ser a braço-direito do mentor e se tornou a porta-voz quando todos tiveram que se ocupar, o mentor do g***o acabou morrendo em combate e ela foi incumbida de tomar conta delas até encontrarem outro, mas aí houve a invasão de Kanahlic com a sua Allogaj ao Castelo e tiveram que fugir depressa.
— Nossa! E em quê a porta-voz Layra iria se especializar? — perguntou Cesar.
— Em plantas mágicas — respondeu Talita a dar de ombros, falar sobre ela não era importante no momento. Talita olhou para Naty. — Enfim, o pai dele pertence a uma determinada religião deste mundo e cresceu ouvindo e crendo no Deus adorado, daí ele me questionou sobre Dorbis e quer saber sobre deuses e religião de lá. Você pode resumir de maneira que ele entenda?
— Lógico que posso — Naty estalou o pescoço antes de continuar. — Então, Cesar, todos os deuses, ou deusas, da Terra são bem-vindos em Dorbis e têm total liberdade de se manifestarem lá, pois, não se manifestam aqui, mas em Dorbis há deuses próprios e únicos em todo o planeta, para os nativos, e também não são tratados como tratam os deuses aqui neste mundo. Quando vim para a Terra pela primeira vez, fiquei espantada em r*****o a isso, eles se abstêm demais, mas hoje já entendo muita coisa, principalmente sobre política e tecnologia e falta de magia. Enfim, vou falar logo sobre o que interessa para não tomar muito tempo, eu falo muito:
"Bem, de acordo com a crença, no primórdio de tudo não havia nada, todo o espaço era uma imensidão de uma Manta com tom suave de mostarda, ou como o tom da luz do sol, apenas um potentado e solitário Ser qual chamamos de O Inatingível Sempar. Ninguém o viu nem o ouviu, o primeiro sumo-sacerdote do mundo foi quem trouxe a revelação da sua existência, mas nada disse sobre ele e até hoje não sabemos, apenas que descansa em seu lugar tranquilamente. Esse Ser criou Sete Esferas de energia poderosíssimas chamadas de Os Únicos. Os Sete conversaram por muitos milênios na Manta do Sempar, pois, planejavam criar o Universo, e ao repartirem o seu poder, criaram-no como O Infinito, com as suas galáxias, vias lácteas, e tudo que nele há, principalmente, as trevas e as luzes. Os Únicos passearam pelo Universo qual criaram e em concordância com Ele, criaram os sistemas solares com todos os seus planetas, os corpos celestes, as explosões cósmicas e num desses sistemas, os Únicos decidiram criar também as vidas. Em cada planeta, eles fizeram algo singular ou particular, no entanto, em um desses, deram um poder qual chamamos de magia a determinados seres vivos, a magia das luzes os possuiu pelo dia e a magia das trevas pela noite — muitos pregam que não se sabe como surgiu a magia, e que já existia antes dos deuses, pois, querem desclassificá-los por se comunicarem apenas com o sumo-sacerdote, por isso, poucos conhecem o que estou te relatando agora. Os Únicos viram a sua criação evoluir, mas a própria não sabia da existência deles, então, sondaram a todos os corações e perceberam o quanto estavam corrompidos e maculados pelo poder. Por muito buscarem, encontraram um dos corações mais nobres, colocaram uma magia diferente, se apresentaram para ele e chamaram-no de O Escolhido, que hoje conhecemos como o Sumo-Sacerdote, para trazer ao mundo as revelações da Sétima Dimensão, morada dos Únicos. Ainda era o início de tudo quando três dos Únicos decidiram explorar a mácula e corrupção dos corações quais eles próprios implantaram no mundo, entendiam que aquilo era essencial para a sobrevivência e progresso do humano mágico. Entretanto, outros três, exceto um, chamado de O Imparcial, juntos ao Universo, tentaram impedir que aquela sandice fosse levada à habitação deles, na Sétima Dimensão, e cortaram ligação com eles ao despertar o Inatingível Sempar para lançá-los para um lugar oculto qual chamamos de Abaixo de Zero, e voltou a descansar. No entanto, os três rejeitados adotaram as trevas e passaram a usar o noite para se revelarem, mas como exploraram a mácula e a corrupção das pessoas, se tornaram criaturas sombrias, perderam muito poder, mesmo assim conseguem fazer muitos estragos. Para que o m*l não tomasse a humanidade mágica, os outros três Únicos, com o Universo, criaram as Esferas do Reinício, para que a humanidade não sucumbisse ao caos e tivesse a chance de recomeçar. Os três Únicos habitantes da Sétima Dimensão foram chamados pelo primeiro Sumo-Sacerdote, deste novo início, de Trealtas, os outros três Únicos habitantes do Abaixo de Zero foram chamados de Treumilas, e o imparcial foi chamado de Unumodo. Poucas pessoas o conhecem, geralmente, quem é feiticeiro das cinzas o idolatra."
— Ai, meu Deus! — Cesar não interrompeu a Naty, esperou que ela desse uma pausa, ela ainda não havia terminado. — Existem feiticeiros das cinzas também? Quantas categorias são?
— Apenas essas três que já foram citadas. Enfim, os deuses criariam a luz e a treva, porém, o Unumodo juntou as duas criou as cinzas e foi reprovado pelos Trealtas, mas mesmo assim foi deixado isso acontecer.
— Espera, eu entendo a história, mas tenho muitas dúvidas. O que são essas Esferas do Reinício e, as cinzas é a mistura de treva e luz? — perguntou Cesar.
— As Esferas do Reinício são vivas rochas esféricas e negras feitas de Matéria Escura e Matéria Reluzente que se conectam com o Universo e provocam o reinício do mundo.
— Como assim?
— O mundo se destrói e recomeça. Como se fosse uma limpeza, uma recuperação.
— Meu Deus, estou ficando assustado. E sobre a mistura?
— Tecnicamente, é como se fosse uma mistura heterogênea, não homogênea, ou mistura imiscível.
— Como a margarina.
— Exatamente como a margarina — surpreendeu-se Naty. — Conhece o termo?
— Aprendi na escola, na aula de química — Cesar retomou o assunto. — E sobre a religião.
— Ah! — lembrou-se Naty. — Em Dorbis não tem religião estabelecida, o mundo inteiro reconhece os Trealtas, apesar de conhecerem outros deuses, mas todos os deuses daqui da Terra, ou Gorbis como chamamos, são de Dorbis. O Sumo-Sacerdote, de quando em quando, manda-nos recados quando os Trealtas ordenam, e nós cremos. Tem quem os adore, tem quem não, mas não há templos, nem igrejas, nem cultos quais saibamos que existam ou são aprovados pelos Reinos, Eles não obrigam nem exigem, mas há quem diga que buscá-los trás muita sorte, seja qualquer tipo de feiticeiro.
— Depois eu quero saber mais sobre o mundo de vocês e, Naty, o seu nome é muito comum aqui, você me parece bem brasileira. Tem certeza que não é deste mundo?
Naty deu risadas.
— Não sei o que quer dizer com comum, mas tenho certeza que não sou daqui. Sou de Sipritiah, e também não sei se estou autorizada a revelar, mas vou dizer assim mesmo, o meu nome está abreviado para a minha segurança, o meu verdadeiro nome é Natybinle.
— Ah, sim, eu prefiro Naty. E as outras?
— Já chega, Cesar — disse Talita. — Ela já quebrou uma regra ao revelar o verdadeiro nome dela própria, revelar os das outras é traição.
— Ela tem razão — concordou Naty. — Sinto muito, mas não posso revelar.
— Tudo bem, gente. Desculpa Naty.
— Não precisa se desculpar, foi um prazer conversar com você, Cesar. Quando quiser saber mais sobre a história do meu mundo, fique à v*****e para me perguntar.
— Se prepare porque eu amo aprender.
Naty sorriu, pediu licença e voltou para o seu posto de antes.