Capítulo 46: O Pier 17 O relógio da cobertura marcava dez da noite em ponto, com bip que a gente programou. Dez da noite, hora do convite do Bellini. O Pier 17 estava quase deserto na câmera que Viktor deixou ligada na parede, só névoa baixa cobrindo parte do cais velho de madeira, luz amarela piscando de poste quebrado, enquanto o som das ondas batendo contra a madeira podre tornava o silêncio ainda mais inquietante, mais assustador que tiro. Ares insistiu para que eu ficasse na cobertura, com dois seguranças na porta, com Viktor do meu lado. Brigamos por vinte minutos antes dele sair, feio, gritando. E, pela primeira vez desde que o conheci, desde que virei senhora Vanderbilt... Eu obedeci. Não porque tivesse medo de morrer, não porque tivesse medo do Bellini. Mas porque percebi olh

