O restaurante já estava fechado para o público quando o último funcionário se despediu com um sorriso satisfeito e um “Deus abençoe vocês”. A porta de madeira foi trancada com cuidado por meu pai, o sino antigo preso a ela balançou uma última vez, produzindo um som suave que sempre marcava, pra mim, o fim de mais um dia. Lá dentro, o ambiente mudou completamente. As luzes mais fortes foram apagadas, ficando apenas as luminárias amareladas sobre o balcão e a mesa grande do fundo, onde costumávamos jantar depois do expediente, de vez em quando, porque normalmente minha mãe preferia jantar em casa. O cheiro de comida ainda estava no ar — alho refogado, ervas frescas, molho quente — misturado ao aroma do pão que minha mãe havia terminado de assar no fim da noite. Ângela estava ali, arregaçan

