O sonho veio sem aviso, como quase tudo que realmente importa na vida. Eu estava em um lugar que não reconhecia direito. Não era a igreja, não era o confessionário, não era o restaurante. Era um espaço neutro, meio enevoado, como se o mundo estivesse suspenso entre um pensamento e outro. O chão parecia firme, mas o ar era denso, pesado de significado. Foi quando vi Ana, eu não sabia como poderia sonhar com alguém que eu jamais tinha visto. Ela vinha em minha direção devagar, cabelos longos e loiros, o rosto não era muito visível, estava vestida de maneira simples, quase frágil. Os cabelos soltos, o rosto cansado, carregando mais história do que qualquer palavra poderia explicar. Ela parou a poucos passos de mim e disse como se me conhecesse há muito tempo, de cabeça baixa. — Padre… — a

