Eu fiquei ali, alguns segundos parado, antes de realmente entrar na cozinha. O cheiro de alho dourando no azeite já tomava conta do ambiente, misturado com o som metálico das panelas, as vozes baixas dos funcionários e aquela movimentação típica de início de noite no restaurante. Era um caos organizado, familiar, quase reconfortante. Ângela já estava de avental, o cabelo preso de qualquer jeito, rindo de alguma coisa que minha mãe dizia. E aquilo… aquilo me acertou de um jeito silencioso, mas profundo. Minha mãe gesticulava enquanto explicava alguma receita, exagerando como sempre, e Ângela escutava com atenção genuína, como se cada detalhe fosse importante. Não havia esforço ali. Era natural. Fluía. — Gabriel, vem cá — minha mãe chamou, animada, assim que me viu encostado na porta. — A

