Gratidão

857 Palavras

Saí do confessionário ainda com a voz dela ressoando dentro de mim. “Meu nome é Ana.” Poucas palavras, mas pesadas como uma vida inteira. O cheiro de madeira antiga, de cera de vela e incenso parecia mais forte naquela tarde, como se a igreja também tivesse escutado a história dela e decidido guardar aquilo nas paredes. Fechei a portinha do confessionário devagar, quase com cuidado demais, como se um movimento brusco pudesse quebrar algo frágil que tinha acabado de nascer ali. Ana. Não um número. Não uma sombra. Não apenas uma voz atrás da grade. Um nome. Caminhei pelo corredor lateral da igreja com passos lentos, a batina roçando no chão de pedra. Minha cabeça estava longe. Longe demais. Eu pensava naquela menina de dez anos sendo deixada num orfanato por algo que ela não escolheu

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