Eu fiquei em silêncio por alguns segundos depois que ela disse aquilo. Não porque não tivesse o que falar, mas porque tudo dentro de mim estava pesado demais. O quarto simples do orfanato parecia menor, o ar mais denso, como se cada palavra dela tivesse ficado suspensa ali, flutuando entre nós dois. Eu me mexi na cadeira devagar, passei a mão no rosto, tentando organizar os pensamentos, tentando não deixar transparecer o choque que me atravessava por dentro. Ana respirou fundo antes de continuar. Dava pra ver que aquilo não era fácil de dizer. Não era só uma história sendo contada — era uma vida inteira sendo despejada, pedaço por pedaço. Ela disse que ninguém nunca soube o verdadeiro nome dela naquele lugar. Que Ana nunca existiu ali dentro. Que, quando chegou, ainda assustada, ainda ch

